Cola cum Fróis

Escrevo pela necessidade de me livrar das palavras | @_dudufrois

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vai Passar no Carnaval Paulista - Sexta-Feira

Sexta-feira, dia 08, começam os desfiles das escolas de samba em São Paulo. As acompanhei durante todo ano, portanto colocarei abaixo as minhas expectativas. Já adianto que pra mim a campeã do carnaval 2013 sai neste dia.

Seguem as 7 escolas de Sexta-Feira:


 
"Beth Carvalho: A Madrinha do Samba"

A missão de abrir o carnaval irá ficar por conta da Acadêmicos do Tatuapé. Retornando este ano do Grupo de Acesso, a escola vai cantar Beth Carvalho na avenida. O enredo é muito bom, e ganhou a comunidade da escola. No entanto, o que me preocupa é o modo com que o carnavalesco irá desenvolvê-lo. Os carros alegóricos deverão vir simples e (espero eu) bem acabados. As fantasias também são simples, porém de bom gosto. E acho que esse seria justamente um dos pontos fracos, o visual. O samba de enredo é muito bom, empolgante e deverá contagiar os componentes. Com certeza é o ponto forte. A bateria melhorou bastante, e vem realizando duas bossas bem interessantes nos refrões do samba. Em harmonia eu vi a escola alternar ótimos e fracos ensaios, mas no geral o balanço é positivo. Faltou apenas uma melhor organização das alas, coisa que sem dúvidas estará perfeita na sexta. O primeiro casal da agremiação é muito bom, e a comissão de frente não fica atrás. Espero um memorável desfile, e sem muitos erros. A disputa este ano é difícil, e para quem quer permanecer no Especial, não podem haver falhas. Não tenho dúvidas de que a escola fará um emocionante desfile, mas ficar no grupo de elite já são outros quinhentos.

"Os Condutores da Alegria - Numa Fantástica Viagem aos Reinos da Folia"

A segunda da noite é a Rosas de Ouro. Atual vice-campeã, chega ao carnaval com status de favorita. O enredo é muito bom! Uma viagem dentre as principais festas populares de todo o mundo. Tradicionalmente a escola apresenta um dos melhores conjuntos de fantasias e alegorias da cidade. Neste ano só não gostei muito de alguns figurinos. O samba é regular, não é empolgante, mas não chega a atrapalhar o canto da escola. Um dos pontos fortes do ano será a harmonia. Ensaiaram muito bem nos ensaios técnicos. A Batucada D'responsa sempre vem bem, recheada de breques. Acho que o destaque vai ficar por conta dos tritons, que darão um swing diferente. O casal de mestre-sala e porta-bandeira não costuma falhar. Já a comissão de frente, vem alternando boas más atuações nos últimos anos. É forte concorrente ao título, e acho que larga um pouco à frente das demais. Provavelmente será outro desfile técnico, em que o público vai admirar toda a encenação e plástica da Rosas. Levantar o povo com esse samba não "vai rolar".

"Mário Lago - O Homem do Século XX"

Logo em seguida a Mancha Verde adentra a passarela contando a história de Mário Lago. Um bom enredo, claro, mas não gosto muito da forma que ele é abordado. O samba é regular, com algumas partes de explosão. No entanto, peca na letra. A Puro Balanço vem quente, com a mesma cadência gostosa. Uma das grandes baterias do dia, e quer repetir a nota máxima. Outro destaque é o carro de som. Na evolução e no canto, a Mancha parece trabalhar para melhorar o que vem dando certo. Esses dois quesitos podem ser cruciais para tirar ou colocar a escola na disputa pelo campeonato. Outro quesito que está tendo uma atenção maior é o de alegorias. Já as fantasias são pesadas visualmente. A escola tem na comissão de frente o seu ponto forte, e que pode fazer a diferença. O primeiro casal precisa mostrar que se preparou ainda mais para este ano. No geral é sempre feito um carnaval bem bonito, e animado. A agremiação vem vindo com vontade, mas não acho que leve o título pra casa. Que na avenida eles possam me provar o contrário!

"Sangue da Terra, Videira da Vida: Um Brinde de Amor em Plena Avenida - Vinhos Brasil"

Fazendo propaganda dos vinhos nacionais, a Vai-Vai é a quarta escola a desfilar. A Saracura é sempre uma das favoritas. O tema, além de patrocinado, é um tanto batido no carnaval. Mas a escola nos promete uma abordagem única. Tradicionalmente a comunidade da Bela Vista dá show em termos de harmonia ao desfilar. Já a evolução sempre merece mais atenção. O samba de enredo é bem construído, e sobretudo, muito bem escrito. Não é explosivo, mas é bem animado. Wander Pires contribui bastante pra isso. A bateria Pegada de Macaco dispensa apresentações. Sempre retinha, com sua célebre batida de caixa mais acelerada, a escola não costuma perder pontos no quesito. Em termos de alegorias, sempre nos apresenta um bom conjunto de carros. As fantasias são bonitas, e aguardo um bonito efeito no desfile. No quesito comissão de frente a Vai-Vai é uma interrogação esse ano; e é outra escola que alterna boas e regulares apresentações. O casal principal é um dos mais elogiados da cidade, se não o mais. Tá na briga ali, dependendo de um desfile superior ao do ano passado, se quiser levar taça. Sem dúvidas vai sacudir o Anhembi.

"Se Pra Ter Diversidade Basta Viver Com Alegria: Sorria... Pois São Paulo Hoje É Só Harmonia"

É com o samba mais bonito de se ouvir que a X-9 vai ganhar a avenida. Uma obra-prima. A melodia é seu diferencial, ainda que tenha uma letra muito rica. A escola irá cantar a diversidade da cidade de São Paulo, de uma forma que parece ser bem interessante. Haverá a mistura de todas as raças no enredo, que eu espero ser mais claro do que o do ano passado. Os protótipos de fantasias estão bem bonitos, e as alegorias devem vir com uma melhor execução. De harmonia eles ainda têm que melhorar bastante, pois os ensaios não foram lá muito animados. A comissão de frente possui uma das melhores coreógrafas da cidade. A bateria melhorou em relação ao ano passado, mas ainda precisa de alguns ajustes para a nota máxima. O casal é talentoso, mas a fantasia deste ano precisa ajudar. A X-9 Paulistana poderá passar tanto muito bem, quanto muito mal. Fico com o meio termo. Acho difícil beliscar vaga nas campeãs, assim como o rebaixamento. Meu palpite é de um desfile frio por parte dos componentes, mas bem agradável de se ver. Muito se deve por causa do belo samba.

"Dragão, Guardião Real, Mostra Seu Poder e Soberania na Corte do Carnaval"

Querendo surpreender novamente, vem chegando Dragões da Real. Este ano porém, o samba de enredo não vai ajudar. Nem o próprio enredo, que está mais para um tema. Falar de diversos dragões é maneiro, mas se não for bem desenvolvido na avenida pode dar errado. O samba é bem fraco. O que pode alavancar a escola é a parte de alegorias e fantasias. Promete ser um desfile luxuoso. Como luxo não ganha carnaval, a escola precisa ter maior atenção com sua evolução. A harmonia geralmente não é problema. Já a bateria tem um breque interessante no final do samba, que inclusive dá um gás no canto. Espero vê-la mantendo boa sustentação, sem embolar os naipes ao longo da apresentação. O primeiro casal é bom. Sobre a comissão de frente; ano passado eu não gostei. Veremos a criatividade que ela vai trazer esse ano. Eu sinceramente não acho que a Dragões possa desfilar duas vezes. Porém, como o carnaval paulista está bem concorrido, estamos sujeitos à surpresas. Acho ainda que um possível rebaixamento não está descartado, mas confesso que é um pouco difícil. O desfile não deverá ser tão alegre como o do carnaval passado. Daniel Collête tem tudo pra me dizer que não é bem assim...

"Minha missão. O canto do povo. João Nogueira."

Para encerrar a noite de sexta-feira, quase ao amanhecer, a Águia de Ouro traz simplesmente o melhor samba do carnaval 2013. Uma poesia em forma de samba. Uma melodia que parece bailar nos ouvidos. Serginho do Porto ainda, deu muito bem a voz para o samba de enredo. Faz contra canto e os carai. "O meu medo maior" é o Quinho começar a gritar neste samba, que passa longe do estilo salgueirense nos últimos carnavais. "E o meu medo maior" é o samba ser mais acelerado ainda do que foi no disco. No ensaio já achei ele bem "pra frente". Mas isso não é com o carro de som, e sim com a bateria. E não parece ser exclusividade desse ano. Sempre vejo a Águia acelerar suas composições na avenida. As vezes dá certo. Esse samba porém, será um tiro no pé se for cantado em ritmo de frevo. Em harmonia a agremiação tem uma boa comunidade, falta só uma melhor organização de espaço aos componentes e tempo de desfile (vide ano passado). A comissão de frente não deverá demorar tanto para evoluir, aprendendo com os erros cometidos; e permitindo dessa vez que o primeiro casal exiba tranquilamente sua apresentação, na estreia dela pela escola. Sobre o carnavalesco, digo que Cebola tem boas ideias e mostra nas encenações a sua marca. Peca entretanto, na concepção de algumas de suas fantasias e alegorias. Se não correrem com o andamento do samba, a escola vai muito bem (bem mesmo). Se acelerarem a bateria, correm um risco de repetir a dose do ano passado; só que dessa vez com maiores chances de cair, devido ao alto nível das escolas. Sem dúvidas será um carnaval memorável da Águia. Tem tudo para ser mais um emocionante desfile do Cebola pela manhã.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dos Villas Bôas aos Gonzaga's

Nas últimas semanas a Rede Globo exibiu de maneira fragmentada em sua programação os filmes "Xingu" e "Gonzaga - de Pai pra Filho". São dois filmes excelentes. Boas histórias, baseados na realidade, com enredos atraentes e originais! As melhores coisas que vi no cinema nacional ultimamente.

A Globo acertou em já trazer à telinha as duas produções. Apesar de há pouco tempo atrás estarem nas salas de cinema do país, acho que ambos os longas merecem a visibilidade nacional que a televisão brasileira alcança. Afinal são duas histórias relevantes à nossa cultura.

Cena do filme "Xingu"

Xingu conta a aventura dos irmãos Villas Bôas (Orlando, Cláudio e Leonardo), que nos anos 40 embarcaram numa expedição rumo à mata fechada, no interior do Brasil. Desconhecido do homem branco, até então. Essa expedição acabou tendo o primeiro contato com os indígenas do local, e que posteriormente criou laços de amizade entre os dois "lados". Porém, o Governo da época clamava pelo progresso, e achava que esses índios estariam no caminho. Os irmãos abraçaram a causa nobre, e defenderam o direito das terras indígenas. Muito se foi discutido, muitas vidas foram perdidas também; mas ao correr de alguns anos eles conseguiram uma vitória: o Parque Nacional do Xingu. Uma espécie de grande reserva indígena, em que ali dentro os nativos estariam livres da ação do homem branco. O Parque existe até hoje. Firme e forte.

A narrativa é linda, chega a emocionar. Nos faz enxergar que os verdadeiros donos de toda esta terra, são eles. Nós é que os expulsamos. O filme também acerta na escolha do elenco, na filmagem/fotografia e sobretudo na trilha sonora. É uma delícia assistir, e aprender um pouco mais sobre nosso passado. Destaque para a atuação dos índios. É um filme que leva um jeitão de documentário, e me pareceu ser bem fiel à realidade. Ainda mais em tempos de diversas desapropriações de terras indígenas, entregues aos grandes fazendeiros. A belíssima produção veio em boa hora, e pra ficar na memória.

Foto: Downtown Filmes/Divulgação
Gonzagão (Nivaldo Expedito) e Gonzaguinha (Júlio Andrade)

Agora, fazer um filme sobre a vida do Rei do Baião e seu filho é tarefa difícil. Tantas histórias que se encaixariam no longa metragem... Tanto de Luiz Gonzaga, quanto de Gonzaguinha. Mas fizeram melhor do que isso. Elaboraram o enredo entorno da relação entre esses dois grandes nomes da música brasileira. Uma relação difícil por ambos os lados. O filme narra desde a vida que Luiz (ainda menino) levava no Nordeste, até reconciliação com seu filho. Passando por seus amores, o exército, os amigos, a carreira no Rio de Janeiro, o sucesso no país, o declínio, o reconhecimento que seu filho começava a ganhar, e tantas outras coisas; ficando inclusive, algumas de fora. Claro que não cabe tudo no filme, mas ele até poderia ser um pouco mais completo, já que é quase uma biografia do Gonzagão.

Mas no geral o filme é muito bem feito. Emocionante! O roteiro é mais envolvente do que o de "Xingu", por se tratar do Rei do Baião. Homenagem justíssima ao centenário de Luiz Gonzaga. Os atores são talentosos. Há uma bela seleção de músicas. Mas o destaque da obra fica por conta de conseguir mesclar ora um humor bem contextualizado, ora momentos de fortes emoções. Outro filme pra ficar em nossas lembranças, juntinho com a música dos Gonzaga's. O pai, e o filho.

Espero que a emissora continue explorando este lado cultural da televisão. O Brasil é muito rico, e tem muita coisa boa sendo produzida aqui. E isso merece destaque. Só espero porém, que desta vez exibam o filme completo. E não em partes recortadas. 

Que venham mais filmes nacionais de qualidade e conteúdo!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sambas de Enredo 2013 - Rio de Janeiro

Restando apenas uma semana e um dia para as escolas cariocas desfilarem na Marquês de Sapucaí, venho postar aqui minha impressão sobre os sambas de enredo deste ano. De início eu não pretendia escrever sobre os sambas do RJ aqui, mas minha opinião foi mudando ao longo de diversas audições do material e achei que valeria o registro.

Capa do disco com os sambas de enredo deste ano 

Vamos lá, escola a escola, pela ordem do CD:

O disco começa com o samba da Unidos da Tijuca, a campeã do ano passado. Eu já não tinha ido muito com a cara da obra de 2012, e não mudei de opinião para este ano. O samba é até bem escrito e com algumas boas sacadas, mas não empolga. O enredo é interessante, porém não parece ser muito claro. Bruno Ribas até se esforça, mas a melodia não é contagiante. Um samba mediano, pouco pra quem quer se bi-campeão.

Em seguida Xande de Pilares, Quinho, Serginho do Porto e Leonardo Bessa anunciam a Acadêmicos do Salgueiro. Acho um tanto exagerado o número de intérpretes na faixa. Uma curiosidade é que o samba tem o mesmo número de autores, e de puxadores no CD (quatro). Mas não se pode negar que são três bons intérpretes de avenida, e mais uma bela voz da música nacional. Sobre o samba, enxergo uma certa pobreza na letra. Devido talvez ao enredo inusitado. Porém é um samba extremamente pra cima. As rimas são bem fáceis de memorizar. O destaque fica por conta da bateria Furiosa, que mandou benzaço na faixa inteira! 

É com uma simplicidade sublime que chega aos ouvidos a faixa da Unidos de Vila Isabel. Composto por: Martinho da Vila, Arlindo Cruz, André Diniz, Tunico da Vila e Leonel o samba é certamente um dos melhores dos últimos carnavais. E sem sombra de dúvidas, o melhor do ano. Poesia pura. Uma melodia singular, muito interessante de se escutar. Dá vontade de sair cantando, e ir junto à escola. Fora a belíssima introdução que foi feita. A Vila com esse samba, larga na frente das demais rumo ao título.

Sob o relinchar de um cavalo, e os galopes de seus tamborins; a Beija-Flor de Nilópolis parece vir diferente. A melodia se sobressai em relação aos últimos carnavais da escola, lembrando muito o último bom samba deles - em 2007. Neguinho da Beija-Flor (ainda) tá cantando muito! O samba é muito gostoso de ouvir. Bons refrões, e uma parte final que "sobe" a escola toda. Transmite bem o enredo, de gosto duvidoso. Destaque para o cavaquinho dando um toque especial na harmonia da Beija. Só achei bem desnecessário os gritos de "é campeã" no final da faixa. 

Com uma dupla que se entrosou bem nos microfones, a Acadêmicos do Grande Rio trouxe um samba diferenciado. A começar pelo curto refrão, e que não sai da cabeça não. Também chama atenção pelos versos curtos, e fáceis de serem cantados. De início não gostei muito da obra... mas ela foi me conquistando. Me peguei diversas vezes cantarolando essa melodia. Muito se deve pela Invocada Bateria, que deu show no áudio! Diversos breques bem elaborados, com uma atenção especial ao da parte final do samba (em que ficam apenas os surdos de terceira desenhando). No entanto a letra fica devendo bastante. O enredo não me parece muito conciso. Como se trata de um protesto, acredito que caberia ali um bom-humor. 

Outra poesia no disco. Muito se deve ao enredo que foi brilhantemente escolhido. Com um samba grande, mas antes de tudo, um grande samba. Assim que vem a Portela esse ano. Falando sobre seu próprio bairro, não tinha como não dar samba bom. Gostoso de ouvir, com uma cadência ímpar. Levada bem gostosa. Tenho um receio de na avenida ele ser um pouco mais acelerado. Tomara que isso não ocorra. Só não é o melhor samba de enredo do ano, porque a Vila não deixou. Mas os dois ficam ali, juntinhos na nota máxima.

Com quatro vozes marcantes, a Estação Primeira de Mangueira mostra sua obra. Destaque pro Agnaldo Amaral, um dos quatro intérpretes da escola, e que poderia levar muito bem o samba sozinho (assim como qualquer um deles). Não acho necessário esse monte de puxadores, mas se a escola tá feliz assim... Já sobre o samba achei que o nível de composição da escola caiu este ano. Ele até tem seus bons momentos, como o refrão ou alguns versos, mas é extenso. Não muito empolgante. Me lembrou os sambas paulistas.

A simpática União da Ilha do Governador vem cantando Vinícius de Moraes. Teoricamente daria um bom samba. Só na teoria. Talvez a grande decepção do ano foi da escola insulana. Nem Ito Melodia deu jeito. A letra e a melodia não parecem casar muito bem. Simplesmente não gostei do samba. Custo a ouvir a faixa inteira.

Para quem aprecia música, ouvir a faixa da Mocidade Independente de Padre Miguel é um bom passa-tempo. Não só pelo tema da escola, que é sobre o Rock in Rio e relembra os diversos festivais. Mas sobretudo por conta da sempre elogiada Não Existe Mais Quente, bateria da escola. Um show à parte, principalmente no refrão do meio, com destaque pra guitarra elétrica, o cavaco e o pandeiro. Em termos de samba de enredo a agremiação fica devendo. Tem até uma melodia agradável, é curto e bom de cantar. Mas acredito que a Padre Miguel deverá perder pontos no quesito. Muito disso por culpa da letra.

É dizendo que "o Pará é a obra-prima da Amazônia" que Dominguinhos do Estácio abre a faixa da Imperatriz Leopoldinense. Um fato interessante é que ele já tinha dito isso em 2004, pela Viradouro, quando a escola reeditava um famoso enredo sobre o círio de Nazaré. Aí surge em parceria com Dominguinhos, o Wander Pires. Ponto pra Imperatriz! São dois "puta" intérpretes, que misturam muito bem duas gerações ao cantarem o hino da escola para este ano. E que hino... É um samba extremamente bem feito. Em uma letra toda bem escrita e adequada. Isso porém não fez o samba se tornar burocrático. A melodia também é bem interessante. A bateria Swing da Leopoldina dá o tom da bela faixa, que é a cara da escola. Merece ser ouvida outra vez.

Com toda irreverência que lhe é característica, a São Clemente vem falando do horário nobre. Claro, de uma maneira bem-humorada. Entretanto, há uma diferença na escola este ano. Quem antes criticava com muita alegria e deboche diversos assuntos da mídia em seus enredos, hoje canta na avenida as novelas da Globo. No mínimo curioso. Senti falta dessa crítica esse ano, que se tornou marca da agremiação. No mais, é um samba muito animado. Talvez o mais "pra cima" do ano. Vai funcionar, sem dúvidas. Também, o intérprete é logo o Igor Sorriso. O destaque fica por conta dos primeiros versos, que dão um tempero nessa salada. O resultado é positivo.

E para encerrar a safra 2013, a Inocentes de Belford Roxo trouxe um samba quadrado. Até burocrático. Também, o enredo não ajuda nada. Os puxadores até mandaram bem. É outro samba que lembra os da capital paulista. Na difícil missão de permanecer no grupo Especial, a escola errou a mão. Outra faixa que não me dá vontade de ouvir as duas passadas.

E como diz o samba da Grande Rio: "é, a mensagem taí...". No geral a safra é boa, superior aos últimos anos. O CD visualmente também está mais bonito. Acredito em um grande carnaval no RJ, apesar da quantidade de enredos patrocinados, que não prezam tanto pela qualidade. 

A briga na avenida é boa; e saudável! Desejo um bom desfile à todas elas...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pelas Cotas, e pela Educação!

Época de férias vai chegando ao fim. Voltam as aulas. Alguns estudantes indo para mais um ano de curso. Outros ingressando na universidade. Seja pelo ENEM, ou por um prova à parte da faculdade, renova-se o ciclo universitário. Porém no final do ano passado houve um diferencial: a adesão de uma nova legislação sobre a reserva de cotas no ensino superior. A decisão gera um debate válido à respeito do assunto.

Me parece que já é um consenso entre os brasileiros de que o estudante formado em escola pública teve um aprendizado extremamente mais fraco de que o de escola particular. A disputa da vaga na universidade é desigual. E o principal motivo desta desigualdade é a situação da educação neste país. A escola pública carece desde professores (com má qualificação e mal remunerados), até de uma reforma no programa de estudo elaborado pelo Mec (e que muitas vezes não é cumprido). O ensino particular é muito mais estimulante para o aluno poder seguir nos estudos. Entretanto é apenas a parcela mais rica da população que possui a condição de bancar o filho em escola privada.

Corredor da UNB, a primeira no Brasil a adotar as ações afirmativas.

Logicamente a imensa maioria de vagas nas melhores universidades do Brasil (que são as públicas) irão por consequência aos estudantes de escola particular. Isso deixa os alunos do ensino público, que querem se graduar em uma boa faculdade, com a menor porcentagem das vagas. Ao ver a desigualdade nessa disputa, algumas universidades implantaram ao longo da década um sistema de ações afirmativas, visando por um fim na elitização em faculdades públicas (que teoricamente são para quem não pode pagar). Esse sistema é chamado de "cota social" e reserva determinada porcentagem de vagas em um determinado curso para estudantes oriundos do ensino público. Pela nova implementação do Governo as universidades federais terão de reservar até 2016 metade de suas vagas aos cotistas. Essa nova medida irá equilibrar o perfil dos estudantes, e também estimular quem cursa o ensino médio em escola pública à conseguir uma na boa faculdade que desejava. No entanto a melhor maneira de se estimular a educação nacional é investindo principalmente em sua base, onde é iniciada essa desigualdade no ensino.

Juntamente com as "cotas sociais" o Governo também colocou em prática as "cotas raciais". São ações afirmativas tendo como alvo os negros, os pardos e os indígenas; justamente a parte mais pobre da população. Essas cotas raciais se enquadram dentro das cotas sociais, também com a função de propor a igualdade entre os alunos do ensino superior. Foi um golaço do Governo! Negros, pardos e indígenas são os povos mais discriminados historicamente no Brasil, e hoje são os que mais sofrem preconceito. Chega a ser bem difícil encontrar um negro/pardo em cada curso de uma universidade. Porém juntos eles formam a maior parte da população brasileira. Toda sala de faculdade vai ter lá no mínimo uns 3 ou 4 branquinhos. Nunca vi nem exceção. Já um descendente de índio com diploma é raridade. A educação tem que ser para todos. Não só na constituição. Na prática também. Essas cotas raciais dão a oportunidade da minoria hoje nas universidades acreditar que é possível ingressar numa federal. Para este ingresso porém, ainda é necessária uma grande dedicação do aluno. As vagas não deixam de serem concorridas. Os estudantes só passam a disputá-las entre si. Não os impedindo também de passar na prova sem o auxílio das ações afirmativas.

Protesto em São Paulo contra o sistema de cotas.

Acredito que estas medidas só irão acrescentar na democratização cada vez maior de nossas escolas. O negro não vai tirar a vaga de ninguém. E se o pobre passar vai ser por mérito. Continua sendo bem difícil entrar numa boa universidade federal, seja lá por qual sistema de cota for. Porém, no caso das "cotas raciais", o número da porcentagem de vagas à cada universidade tem que condizer com a porcentagem de determinada "raça" naquela região. Sempre ficando dentro das "cotas sociais". Acredito inclusive que a porcentagem de "cotas raciais" não deveria exceder 20% das vagas.

É importante ressaltar que estas ações afirmativas não são permanentes. E fazem muito bem! É uma medida que procura equilibrar as salas de aula do ensino superior, deixando-as para quem realmente se esforça em aprender, seja lá de qual classe social ou cor de pele for. Para aí quem sabe vermos futuramente pobres, pretos e indígenas em bom número também em teatros, museus, como professores ou médicos. Talvez poderíamos enfim sermos um "País de Todos".

PS: Sei que houveram muitos, mas não encontrei boas fotos na internet de protestos defendendo o sistema de cotas. Talvez seja isso que a mídia queira mesmo, rs.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Se o prefeito não ajuda, faça seu próprio Carnaval!

Bom, como a mídia tem divulgado por aí, diversas cidades do Brasil estão deixando de lado seu próprio carnaval este ano. São os mais variados motivos, mas a decisão tem sido a mesma: cancelar a verba para o carnaval 2013.

Carnaval é cultura. O governo já investe muito pouco em cultura. Os municípios então, quase nada. Principalmente em pequenas cidades. Onde encontramos teatro, música, oficinas culturais nessas cidades menores? O povo se organizava, e por conta própria punha o bloco na rua. As prefeituras começaram a incentivar o carnaval, ditando algumas regras; e tornando as associações carnavalescas, seja lá quais forem, dependente direta. Aí quando por ventura a prefeitura decide não apoiar o carnaval em determinado ano, já não se tem mais a estrutura para haver uma organização da festa por conta própria. 

Só eu já li que nas seguintes cidades o carnaval 2013 foi cancelado: Florianópolis - SC, Petrópolis - RJ, Ilhéus - BA, Santa Rita do Sapucaí - MG, Alegrete - RS, Santana do Livramento - RJ, Itaquaquecetuba - SP, Suzano - SP, Ferraz de Vasconcelos - SP, São José dos Campos - SP, Guaratinguetá - SP, Marília - SP, Itapetininga - SP, Porto Feliz - SP, Cruzeiro - SP, Biritiba Mirim - SP e Assis - SP. Ufffffaaa! Fora as outras que não foram noticiadas ou que ainda cancelarão a festa até a semana do carnaval. Há também um número grande de cidades em que o carnaval pode até acontecer, mas a verba para ele diminuiu bastante em relação aos anos anteriores.

 Comunidade chora cancelamento dos desfiles.
Sambista de Florianópolis, desolado com a situação deste ano..

Aí o prejuízo fica com quem? Com o morador da cidade, que não tem nem onde se divertir no carnaval. E principalmente, com quem tenta organizar uma agremiação para alegrar quem participa da festa, entretanto acaba ficando "na mão" por conta da administração da cidade.

Entre as cidades que citei acima, umas 4 ou 5 possuem grandes carnavais. Bonito, animado e até tradicional. Para não depender tanto dos prefeitos em seus municípios, acho que quem faz o carnaval destas cidades deveria se unir para conseguir por conta própria alguma melhoria. Se a prefeitura não lhes apoiam anualmente, uma iniciativa seria juntar-se com várias agrêmiações do mesmo tipo na região para que unidas possam colocar o carnaval na rua. Por exemplo: Guará e São José que abrigam grandes escolas de samba, poderiam facilmente se aliar à outras escolas de cidades próximas que também fazem bonito (e não são poucas), e competirem entre si num concurso regional do Vale do Paraíba (região destas cidades). Assim seria por diante nas diversas regiões onde quem chefia prefeitura ou secretária de cultura não parecem colaborar muito.

A própria Pindamonhangaba (onde moro), está indicando que o carnaval da cidade não terá desfile algum. Um carnaval que há 5 anos atrás só crescia, parece ter sido largado por ambas as partes. Não vi bloco nenhum na programação também. O número de blocos era bem maior, e sempre movimentando bastante gente. Não sei se extinguiram, se vão sair com as "próprias pernas" ou se a prefeitura ainda não os incluiu na programção. O que me assusta é ver minha cidade desvalorizando sua festa, e importando bloco e escola de samba lá de fora. Talento a cidade tem para se fazer um dos melhores carnaval daqui do Vale, seja em qual estilo de festa for. Mas atualmente passa muito longe disso.

Acho também que cada município deve valorizar sua tradição no carnaval que ali exista. Seja no carnaval de blocos de rua, de escolas de samba, de festivais de marchinha, de bailes ou grandes shows. Que seja. Só é preciso que o povo se encontre para festejar o carnaval! Uma festa animada e alegre, em que o maior objetivo é brincar nos dias de recesso. E quem não goste que fique em casa!

Foliões no carnaval de rua de São Luiz do Paraitinga - SP

Há espaço para tudo nas cidades. Grandes metrópoles como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo estão tentando retornar ao carnaval de rua. Cidades do Nordeste estão investindo em suas escolas de samba. O importante é isso. Abrigar o povo. Ainda mais no carnaval. Mas devemos ter a consciência de jamais abandonar às raízes. Vejo marchinhas desaparecendo cada vez mais da folia. Era no interior que poderia se difundir esse tipo de festejo carnavalesco.

E foi através desse festejo que São Luiz do Paraitinga se tornou famosa em todo Brasil. Seus blocos de marchinha já são uma grande tradição, e felizmente vem se espalhando por toda região que circunda a cidade; ano a ano. O grande porém da história vem com a popularização da pequenina cidade durante a época de Momo. Circulou-se por aí que uma empresa privada em parceria com a prefeitura iria realizar shows de atrações bem conhecidas aproveitando o grande fluxo de gente no carnaval. Mas pera aí... Aí acaba a magia que o carnaval da cidadezinha possui! Não teria cabimento (literalmente) essas atrações durante o carnaval. São Luiz é famosa pela marchinha. E é pela tradição marchinha que ela deve continuar sempre viva.

Então você aí que vai pular o carnaval em uma dessas (ou outras) cidades que não vai ter a festa apoiada pela prefeitura, divirta-se! Da maneira que puder. Da maneira que quiser. Viaje. Junte os amigos e faça o próprio carnaval. Vai brincar na rua. Só não deixe em hipótese alguma a data passar em branco! E se você terá uma folia valorizada em sua cidade, brinque mais ainda. Afinal você terá mais motivo ainda. Seja feliz, que seja ao menos por um feriado!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

D'O Narcotráfico ao Crack

Sempre que vou a São Paulo, e consequentemente pego o metrô, deparo com máquinas de livros nas estações. Achei bem curioso da primeira vez que eu vi uma. Funciona assim: voce coloca uma nota qualquer, a maquina aceita e aí é só escolher o número do livro que irá retirar. Da primeira vez que eu vi, estava só com 20 R$ em nota, sem trocado. Deixei pra outra ocasião. Até que um dia, voltando pela estação República, passei novamente por uma destas máquinas, parei e procurei alguma nota mais baixa. Achei uma de 2 R$ na carteira e já coloquei. Nem tinha visto os livros antes. Me frustrei ao ver em sua maioria livros de culinária, ou auto-ajuda. Até que lá embaixo, na ultima fileira, estava uma edição da Folha com um jornalista dissertando sobre o narcotráfico. Era esse mêmo!

Li o livro durante as férias, e já tinha uma certa opinião formada sobre o assunto em questão. Ele narra boas histórias, e contém dados precisos sobre o impacto que as drogas causam aqui no Brasil e no mundo. O único porém, é a edição ser de quase 13 anos atrás. Provavelmente as estatísticas relacionadas ao narcotráfico no Brasil  já cresceram bastante. Aí fica uma ideia ao jornalista Mário Magalhães, ou a própria Folha, de se fazer uma segunda edição deste livro.


No dia em que acabei de ler por completo, iniciou-se em São Paulo, mas precisamente na região da "Cracolândia" uma internação compulsória sobre os viciados do local. O que mostra que o tema do livro não poderia ser mais atual, mesmo sendo escrito no início a década passada. Acho que o Governo está avançando nas medidas que se referem às drogas. Demorou bastante para o Estado notar que cabe a ele a responsabilidade de não deixar que pessoas percam suas vidas por causa da forte química presente em drogas pesadas como o crack. Lembro que ano passado houve uma tentativa (muito) mal pensada em colocar a Polícia Militar para abordar os viciados. A situação do local só piorou com essa iniciativa. A PM não tem dado conta nem dos crimes, e até mesmo dos traficantes que circundam a área; e seria deslocada para este serviço sem o menor preparo? Apesar de não adimitir o erro, o governador Alckmin parece ter reconhecido a operação precipitada um tempo depois.

O viciado em crack não teme a polícia. Ele só pensa na droga. Caberia ao Governo encontrar medidas de convencer este usuário a largar o vício, para aí sim ser internado. É uma iniciativa bem complicada. Envolve um trabalho de abordagem pacífica e sem a menor violência dos responsáveis, conversando com um por um dos viciados. Muitos dos usuários com certeza rejeitarão a internação. No entanto não há como se resolver este problema em curto prazo. Essas pessoas não são entulho para ocorrer uma limpeza na região. Sei que é delicado, mas me parece ser a medida mais correta a tomar.

Mesmo com esse caos em alguns dos hospitais públicos, e a falta de leitos; seria necessário a construção de clínicas de reabilitação (não de estádio para clube de futebol) e uma grande oferta de vagas para quem precisa se livrar da droga. Entretanto além do dinheiro, o ponto mais frágil deste assunto seria a própria vontade do usuário de se reabilitar. Quem o abordasse teria de mostrá-lo que o melhor caminho para se recomeçar a vida seria se livrando das drogas. E isso exige paciência, e também muito conhecimento psicológico. A operação só vingaria se os profissionais escalados para a tarefa fossem bem treinados e capacitados o sulficiente.

A verba gasta com progamas que envolvem as drogas, retona multiplicada quando o ex-usuário volta a trabalhar, pagar seus impostos, consumir produtos, geral capital para o país. É triste passar pelas ruas da Luz durante o dia. E assustador durante a noite. E o bairro é muito bonito. Uma pena!


O crack é sim um problema público. Afeta a todos. É uma droga diferenciada das demais. Já vi bastante boas ideias por aí, que merecem no mínimo serem testadas. Mas são barradas pelo conservadorismo que impera sobre nosso Executivo. Como bom exemplo, temos a maconha aos usuários de crack. É uma ótima ideia! Os efeitos da cannabis sativa dão tudo o que o viciado precisa. A fome. A serenidade. E ainda o barato que a erva causa, infinitamente menos prejudicial do que o da pedra. Enfim, não sei se o Estado dá tanta importância assim a este problema.

A polícia entraria nessa iniciativa com a abordagem aos traficantes, sem o abuso de poder. Patrulhas estratégicas, em conjunto com a guarda municipal. Com o único foco voltado aos traficantes. E de preferência, sem corrupção.

Mas acho que nada disso seria necessário se a educação fosse de qualidade. Este é outro problema do país, e como quase todos os outros envolve a educação. Concientizar alunos sobre as consequência das drogas desde o ensino fundamental é importante. Isso eu já vejo em várias escolas, legal. Porém não é só isso. O aluno tem que ver, participar, interagir. Encarar o problema de frente. Conhecer um usuário reabilitado. Ouvir história. Ser preparado para a vida! A família em conversas por si só já pode ajudar muito também.

Agora nos resta aguardar pra ver no que dá essa internação compulsória em Sampa. Prevejo um impasse entre muitos usuários e agentes públicos. A grande maioria não quer sair dali, ainda mais à força. Continuo achando que na base da interação com o viciado o êxito será maior...

Primeiro o Governo precisa focar mesmo no combate ao crack. Depois sim no tráfico internacional de drogas... que aliás, é outro problema público que ainda rende uma bela discussão. Como é o ditado? "Arrumar primeiro a casa, depois o quintal."

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Valeu 2012

Mais um ano que chega ao final. Primeiro ano aqui. Lá pelo 15º em Pindamonhangaba. Não vim aqui resumir meu ano (por falta de tempo). Nem dizer que no dia 31 encerra-se um ciclo, e blá-blá-blá (por falta de saco). Não. Vim agradecer!

Obrigado a todos que participaram do meu ano, as pessoas que conheci, as que entraram aqui por algum motivo e estão lendo isso agora. Obrigado a família, amigos e conhecidos. O ano não foi às mil maravilhas, mas foi bem proveitoso. Se não de que valeria vivenciá-lo?

Aprendi muita coisa, conheci bastante lugar diferente, vi coisa boa, escutei coisa (boa) pra caralho, li um pouco mais e, também estou tentando escrever cada vez mais. É claro que trombei coisa ruim também, mas isso aí agente não precisa ficar levando na memória.

De 2012 ficam boas histórias, que eu sorrio só de lembrar... Um dia, talvez, eu poste algumas

É claro que tiveram perdas neste ano, mas os ganhos as superam de longe. Pra quem se importa comigo, eu vou bem. Obrigado. Se de algum modo você fez parte do meu 2012, ótimo. Se não fez, muito prazer em 2013.

E que venha o ano que vem, do jeito que tiver de vir...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Kit Carnaval SP 2013

Fim de ano é sinônimo de que? Proximidade com o carnaval, é lógico. Então há algum tempinho atrás a Liga Independente das Escola de Samba de São Paulo (LIGA) lançou o kit do Carnval 2013 - CD com sambas de enredo + Revista do Carnaval 2013. Ouvi e li o material algumas vezes, e achei que seria válido manifestar minha opinião aqui. Segue então a minha opinião sobre revista e do CD, e é claro, dos sambas. Abaixo uma foto da festa de lançamento do Kit, que ocorreu no sambódramo do Anhembi.

Foto: Leonardo Franco - CP


Começando pela revista, que já tem a sua quarta edição, e se tornou uma bela forma de divulgação do carnaval paulistano ao vendê-la juntamente com o disco. Outro ganho do nosso carnaval é fabricar o material duplo, isto é, contendo escolas do grupo de especial e acesso. No geral o material melhorou mesmo em relação ao de 2012, tendo esse ano uma revista mais completa e gostosa do sambista ler. Fizeram bem em retirar a merda que fizeram ano passado, ao ocupar as páginas da revista com a versão em inglês de cada texto. Gostei muito também da homenagem feita a D. Edna e Zelão, que infelizmente vieram a falecer neste ano. Outro ponto positivo deste ano é o artigo escrito no final da edição por Fabio Cavicchio Parra, traçando uma bela visão e análise sobre as Comissões de Frente que tanto mudaram em nosso carnaval. A única ressalta a se fazer negativamente; é sobre o marketing exposto nas primeiras páginas, dando a falsa impressão de que o Governo apoia e investe no seu carnaval da melhor forma possível.

Sobre o CD eu digo que em geral foi muito bem gravado e mixado. A tecnologia vem crescendo, e o carnaval acompanhando. O pequeno coral ao fundo de cada samba também é agradável. Porém, ai porém; quiseram limitar de mais o tempo de cada samba. Não há nem um aquecimento antes. É só o grito de guerra do intérprete e pronto. Gostoso é ouvir aquele samba-exaltação antes de cada faixa. São Paulo tinha essa característica nos discos anteriores, e isso vem se perdendo. Não pode. Quem compra o CD não quer apenas ouvi-lo para o carnaval 2013. Quer ouvi-lo sempre, tê-lo de recordação. Esse esquenta antes do samba dá singularidade a cada obra. Agora em questão de qualidade, também lamento este ano. Tá certo que alguns temas escolhidos pelas agremiações nada contribuem para um bom samba. E que algumas sinopses escritas pelos carnavalescos só pioram a situação do compositor. Mas não é pra tanto. Os sambas parecem obedecer uma tendência de serem cada vez mais uniformes, meio que seguindo um modelo de samba nota 10. E o pior é que no fim muitos destes sambas alcançam a nota máxima, devido ao mal critério atribuído pelo jurado encarregado ou pela forma que lhe orientam a julgá-los. Ano passado a coisa não era muito diferente. Entretanto se você for ouvir o disco dos sambas de enredo de 5 ou 10 anos atrás já nota-se uma diferença legal. Talvez seja a tendência da vez. Resta-nos esperar a cada ano por um samba que salve a safra. E isso vem acontecendo sempre. Ah... senti uma pegada mais fraca das baterias em algumas escolas também. Acho que se pode brincar bem mais do que apenas entrar diretão com o samba.



Enfim iremos falar de escola por escola. Revista e CD.


Mocidade Alegre: A faixa começa lindamente com a homenagem da presidente Solange à Seu Beto, baluarte da escola e compositor do samba de 1981, que foi brevemente relembrado junto com a homenagem à seu autor. O enredo é curioso. Pode-se esperar boa coisa dos carnavalescos. O samba não chega a ser destaque, mas é bom. Com a interpretação de Clóvis Pê torna-se a cara da escola. Só acho que a bateria deu uma leve acelerada em relação ao que vem sempre apresentando. Talvez seja pelo fato do samba ser um pouco extenso. A obra é correta, e parecer traduzir bem a proposta do enredo. A melodia é muito bonita. Só não gosto muito dos refrões, que seguem o excessivo uso de verbos no infinitivo.

Rosas de Ouro: O Rosas este ano acertou. Um enredo rico, e que parecer trazer junto o polêmico patrocínio. Mas este patrocínio por sua vez, não é escancarado como em certas escolas. Parece estar no ponto certo. Agora o samba de enredo poderia ser melhor. Supera sem dúvidas as últimas canções apresentadas pela escola, mas ainda não se pode colocá-lo no grupo dos melhores do ano. Outro samba comprido. Quem sabe seja devido ao enredo que também é extenso. Sua letra é muito bonita, e a melodia acompanha bem esse nível. Porém o que diminui a qualidade da obra são os clichês. Outro fator é que o samba não é lá muito explosivo e nem fácil de decorar. Vale também elogiar a performance da bateria do mestre Tornado, que tirou onda!

Vai-Vai: Novamente o vinho na avenida. Mas nenhuma história é contada do mesmo jeito. Apesar de batido, o tema não deixa de ser interessante (e saboroso, rs). E o que falar dos sambas do Vai-Vai hein? Só pancada! Mesmo quando não é muito bom (como no ano passado) se torna um dos melhores do ano. Dessa vez não foi diferente. Samba curto. Fácil de cantar. Os refrões dão um toque especial a obra. O refrão do meio é aquele que sacode a galera; e o principal é o mais poético, que além de apresentar muito bem o enredo, tem uma belíssima melodia. A batucada, acelerado como lhe é característica, fez a sua parte. Já Wander Pires parece ter se excedido no cacos.

Mancha Verde: O tema da Mancha Verde é muito bom. Mário Lago tem uma história muito a ver com samba. Mas o modo que ele é abordado não me agrada muito. Trata-se de uma biografia do compositor e ator carioca. O sambinha é até bom. Nada comparado ao lindo hino do carnaval passado, mas é gostoso de  cantar. Em alguns momentos se torna um pouco cansativo, creio eu por ser repleto de referências na letra. Fredy Vianna mostrou que casou muito bem com a escola. Se tratando da Mancha a gente espera sempre os melhores sambas, desta vez contentaremos com apenas bom.

Unidos de Vila Maria: Com um enredo não muito lá carnavalesco a Vila vem tentando o título inédito. Mas parece que não vai ser desta vez. Samba-Enredo não é o ponto forte da escola. Pelo menos não nos últimos anos. Meio apelativo, quase puxa-saco. Até os refrões são difíceis de cantar. Longe daquele samba bom sobre o Japão em 2008. Simplesmente não gostei. A bateria melhorou na gravação deste ano. Mas o a interpretação caiu na qualidade. Aí dá no mesmo.

Acadêmicos do Tucuruvi: A faixa começa lá em cima com a belíssima introdução. Enredo muito bem escolhido pela escola. Mazzaropi é a cara do carnaval. Igor Sorriso parece ter trazido a irreverência de sua São Clemente lá do Rio. O samba todo é assim. Alegre e Irreverente. A começar pelos refrões empolgantes (principalmente o refrão do meio). Só a segunda parte da letra que me pareceu um pouco extensa em seus versos, mas nada que comprometa a qualidade de uma obra tão boa de se ouvir. Aplausos Tucuruvi.

Dragões da Real: A introdução (não se pode nem chamar de esquenta mais) começa legal com o samba do carnaval passado, que por sua vez não era muito bom, mas sem dúvidas supera o hino da escola neste ano. O enredo é até interessante, mas o samba não acompanha-lhe. Daniel Collete faz o possível para levantar sua melodia, porém ela não se mostra nem um tanto empolgante. Os refrões no geral são fracos. O refrão do meio então, é inteirinho composto por clichês de obras do carnaval. A letra também é marcada por versos que caem no lugar-comum e, rimas no infinitivo; que acabam deixando-a saturada. Típico samba sem brilho.

Tom Maior: Uma das escolas que costuma ter apenas sambas de boa qualidade desde que ingressou ao grupo especial, decepcionou em 2013. O enredo não ajuda nem um pouco. É uma tentativa de maquiar o patrocínio obtido pela escola, que criou um tema em cima dele. Dependendo da forma que for abordado, o enredo pode até se tornar interessante. Mas o samba não empolga. O refrão principal é até criativo, a letra tem um tamanho bom, e a história é contada de forma sutil; no entanto ele não chega a ser bom. Contudo, Rene Sobral e Mestre Carlão ajudaram (e muito), fazendo o possível para elevar o samba. 

Gaviões da Fiel: Tanto enredo interessante dando sopa por aí, e os Gaviões vem trazer justo um sobre a propaganda. Já não basta ela encher o saco na televisão, no rádio e mais recentemente na internet; vão trazê-la ao carnaval. Cogitaram muita coisa boa pra servir de tema, mas acharam este melhor. E como diz a lenda, quando o enredo não é bom o samba também não será. Uma obra comprida, quase burocrática; que tem seu ápice logo após o segundo refrão. E que, aliás, é um refrão legal. Só! Ah, que saudades dos sambas que a Gaviões trazia à dez anos atrás. Na revista, a escola não homenageou ninguém de sua história no espaço que haviam colocado para isso, e no lugar puseram fotos de musas. São bonitas, claro; mas no mínimo foi um desrespeito com sua tradicional velha guarda, que com certeza tem muito pra contar. E eles ainda teimam em misturar futebol com samba, fazendo alusão ao time que os originou, no início e no final da faixa. 

X-9 Paulistana: Vindo de sambas ruins nos últimos anos, e com um tema já muito conhecido pelos sambistas da cidade, não se poderia esperar muito do samba de enredo da X-9. E não é que ela nos surpreendeu mesmo? Sambão. Diferente, criativo, bem feito e bem contado. Royce do Cavaco leva a obra ao seu patamar máximo. O modo com que o enredo é abordado parece ser bem diferente, e curioso. A letra do samba mostra essa saga de uma viajem que se finda em festa na tão diversa cidade de São Paulo. Mestre Bruxinha evoluiu nitidamente de um ano pra cá. O único compositor fez um belo poema. 

Império de Casa Verde: Se for seguir pela ordem da revista seria o Águia de Ouro (devido a algum erro na impressão), mas no CD é mesmo o Império. Como lhe é de costume, a bateria de Mestre Zoinho dá um show à parte. Carlão segue bem no microfone. Mas em questão de samba a coisa não é bem por aí. Outra letra comprida, e lotada de referências. No geral, muito previsível. O refrão do meio quebra bem essa linha cansativa, faz o samba crescer, e a bateria se aproveita muito bem disso. Só que depois, o samba volta a ser chato, creio eu por culpa de sua melodia. O enredo também é um pouco batido.

Águia de Ouro: Se o enredo do Águia já era bom, se tornou muito melhor com o samba feito. (Com o perdão da palavra) puta que pariu, que samba bonito! Sem dúvida nenhuma é a melhor faixa dentre as 22. Outra obra diferenciada, que se distingue das demais, que sai do lugar-comum. Seja na poesia da letra, ou na melodia deliciosa de se cantar. São várias alusões às composições de João Nogueira em toda letra, que é repleta de partes que se sobressaem. Mas o grande diferencial está no final do samba, que termina com uma deixa belíssima para o refrão principal, e ainda abre espaço pra bateria fazer uma graça. Sem falar nos refrões: o principal num tom muito gotoso (mesmo sem citar o nome da escola), e o do meio com uma sextilha que não torna-se cansativa. Aliás não é só o refrão que não é cansativo não. O samba tem um tamanho maior nos versos, mas sua melodia varia tão bem que de maneira nenhuma ele se torna exaustivo. O samba de introdução à faixa - e de autoria de João, apesar de curto, é de emocionar. Uma faixa para se ouvir de manhã, e cantarolar de tarde por aí. Ah, e um detalhe: Diogo Nogueira, filho do João, está no time dos autores deste hino, que é justamente sobre seu pai. 

Nenê de Vila Matilde: Vila que te quero Vila! De volta ao Especial, vem trazendo um enredo notável e muito importante. A igualdade foi brilhantemente escolhida para o carnaval 2013, agora se ela será bem desenvolvida tenho lá minhas dúvidas. O samba apesar de não empolgar, retrata bem isso. Conta bem a história proposta, preenchendo de forma contundente os versos da obra. Luizinho Andanças tem uma participação especial; afinal ele o cantou muito bem nas eliminatórias, e agora também no disco. Não podemos dizer que o nível de sambas apresentados pela agremiação caiu, até porque este não é inferior aos últimos anos, mas a explosão chega a fazer falta à escola. Não deixa de ser um samba forte, de mensagem.

Acadêmicos do Tatuapé: A empolgação que faltou na faixa anterior, sobra nessa. O Tatuapé aposta num refrão fácil e contagiante. A letra é bonita, bem desenvolvida e tem boas passagens. Lembra-me muito a obra do carnaval passado. No geral a melodia é simples, assim como o samba todo. O enredo é uma bela homenagem a uma grande sambista, assim como em 2012. Porém desta vez quem recebe reverência é Beth Carvalho. Senti falta da participação da cantora, pelo menos na introdução ao samba. Um ponto positivo no samba de enredo do Tatuapé neste ano, é a volta do título inteiro do enredo aparecer na letra do samba. Bela tradição de antigos carnavais, que não era pra ter se perdido. 

Pérola Negra: Na mesma linha dos últimos anos, a escola vem trazendo sambas bons e de belas letras; com uma melodia não tão contagiante. Este carnaval não será diferente. O ponto fraco da vez são os refrões que não empolgam, e que tornam-se apenas duas quadras na obra que são repetidas. Isso porém parece ser compensado na bela letra que traduz bem o enredo, que em base é a narrativa escrita por Ariano Suassuna e, que posteriormente tornou-se um filme de grande sucesso nacional. O samba não consegue trazer consigo nem um pouco da magia da obra do escritor, mas expressa o enredo de forma correta. Não deixa de ser um dos melhores sambas de enredo do Grupo de Acesso.

Camisa Verde e Branco: É com a linda e brevíssima introdução do samba de 1986 que o Camisa inicia sua participação no disco. O refrão mostra que cresceu na voz de Igor Sorriso, o novo intérprete, e ganhou a cara da escola. O samba é curto e muito fácil. Crescente no seu segundo refrão e bem desenvolvido na letra como um todo. Não é uma obra-prima, mas tem os elementos ideias para a alegria que tem o carnaval. A letra casou muito bem com a melodia. Agora em termos de enredo a escola não parece estar tão bem. O tema é bonito para um desfile, mas o que preocupa é a forma com que ele será abordado. A partir do texto (muito mal) elaborado pelo carnavalesco da escola, pode-se ter a noção da dificuldade que os compositores devem ter encontrado para fazer o samba. Fora os erros de português que o tal texto contém... Ainda bem que a revista do carnaval não vale nota! rs.

Leandro de Itaquera: Outro tema afro no carnaval paulistano. Este por sua vez não parece ter algum diferencial. Como de costume, o samba é bom. Tema afro dá samba bom! Mas o tema que não parece ser tão bom assim. Ao englobar tantos assuntos de um tema sem um propósito central, o enredo poderia facilmente fugir da proposta. E, ao meu ver, isso transcorreu ao longo de toda a letra. Com tanta coisa para se falar é difícil chegar a um ponto de equilíbrio a não ser a cultura afro. Mesmo confuso, o enredo não deixa de ser rico. A letra expressa bem toda esta riqueza, e ao mesmo tempo em que é extensa  a sua melodia faz com que o samba passa muito bem pelos ouvidos. Em especial na parte final da obra, que é o ápice do samba. A bateria de Mestre Augusto parece ter amadurecido bem. Agora outro desrespeito na sessão de homenageados na revista é feito pela agremiação em seu segundo ano consecutivo. A parte entregue à escola é para que façam uma homenagem à seus baluartes, e não para bajulação de políticos como a Leandro fez novamente. Lamentável.

Estrela do Terceiro Milênio: Mais um enredo-homenagem. Porém desta vez não é sobre alguém importante para o samba como três escolas fizeram anteriormente neste disco. Elke Maravilha é uma personalidade de destaque no Brasil, mas creio eu que muito mais gente merecia uma homenagem da escola de samba por aí. Já o samba é simples e breve. Não tem uma bela letra, e nem uma bela melodia; mas é correto. Não chega a ser ruim. Em momento nenhum a obra chega a empolgar, no entanto a bateria Pegada da Coruja bem que tentou. André Pantera interpretou muito bem o samba. E mais uma vez a bajulação de políticos se fez presente na revista. E de novo pelo segundo ano consecutivo. Dessa vez foi a Terceiro Milênio que em vez de dar valor a sua própria comunidade preferiu fazer média com deputado. 

Morro da Casa Verde: A simpática escola da Zona Norte começa sua faixa com a, no mínimo cômica, chamada de Adeílton. Outro samba simples, sem destaque, porém desta vez o enredo abordado é bom. Liberdade, é essencial. Novamente a Morro acertou no tema. A letra é curta e correta. A melodia não agita ninguém. Apenas o refrão principal chama o povo, sem apelar para nenhum clichê. Como disse o intérprete: "tudo bem feitinho".

Unidos do Peruche: Outra escola que começa com um belo arranjo de corda na introdução, mas como em todas as faixas neste ano, é de curta duração. O refrão principal logo começa forte e contagiante, mas acaba aí. O samba não é alegre. Pelo contrário, é extenso demais e burocrático. Já o enredo é muito bom de se falar, e veio em boa hora. Porém se não for bem traçado, assim como na Leandro, pode acabar se perdendo na própria história. O ponto mais fraco pra mim, é o refrão do meio que, mesmo com o esforço de Toninho Penteado acaba cansando. O samba todo não chega a esse ponto, devido a melodia que explode da parte final do samba para o refrão principal. 

Imperador do Ipiranga: A denúncia da escola é válida. O enredo é engajado, e forte. Em primeira pessoa, o samba é feito como se a criança clamasse pela ajuda. A letra é toda baseada neste apelo, e por mais que seja um pouco confusa, é muito bonita. A melodia é gostosa, e Evandro Malandro contribuiu muito para essa impressão. O refrão é muito bom, não tanto quanto no carnaval passado, mas próximo do ideal. Apesar do enredo delicado, a obra teve um resultado bom. Entretanto acho que poderia ser um pouco menor na sua parte final. O título do enredo também foi bem escolhido.

Unidos de Santa Bárbara: E por fim a agremiação do extremo leste deixa sua marca no disco. Uma contribuição válida, sendo uma escola recém ascendente. Escolheu um enredo muito bom, e escasso no cotidiano. A gentileza! A letra do samba é um tanto quanto comprida, com uma melodia arrastada. Mas sobe na parte final, com direito a bossa da bateria. Só achei desnecessária a participação de Tinga no meio da faixa, que praticamente nem cantou e só fez cacos. O samba é até simpático e encerra bem o CD e a revista do carnaval paulistano 2013.

Por fim concluo que nos resta ouvir e aprender as obras para o carnaval, e acompanhar sua evolução na avenida. Espero também que ano que vem possam corrigir os erros do material deste ano, e que a qualidade dos sambas melhore. Samba de enredo tem que ser ímpar, não pode seguir modelo algum. Cada samba tem sua particularidade e sua individualidade. Regredir esse caminho é burrice. É tentar padronizar o carnaval.

Ufffffaaaa! E que venha o carnaval de 2013 aí!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Um Domingo por culpa do Corinthians

Bom amanhã fará uma semana do tal título mundial do Corinthians. Como todos já sabem, e devem estar fartos de ver e ouvir a repercussão na mídia (exceto os corintianos, é lógico), o Corinthians levou a taça. Aí me veio a ideia de contar onde eu estava quando tudo ocorreu...

Sábado a noite eu tinha ido à uma festa em São Paulo, e voltei pra casa por volta de sete e meia ou oito da manhã. E por coincidência ou não, o jogo seria as oito e meia. Tomei chuva na madrugada, meus pés estavam encharcados e a dor de cabeça já vinha vindo junto com o sono. Tudo o que eu queria no momento era apenas deitar e dormir. Foda-se o Corinthians, foda-se o Chelsea, foda-se o Mundial Interclubes e o caralho à 4. 

Chegando próximo ao apartamento de minha irmã eu já vejo: a rua, a calçada, o meio fio e até os carros tomados por torcedores; com telão, fogos de artifício, bombinhas, com crianças brincando, barraquinhas de churrasco, caixas e mais caixas de cerveja e, até mesmo alguns instrumentos de carnaval. Era OITO DA MANHÃ! Finjo estar feliz também, só pra conseguir passar por ali mais rápido. Subi ao apartamento, e mais corintianada festejando por entre os andares e prédios vizinhos. Tentei ignorar. Em vão. Entrei, e encontrei dois amigos de minha irmã dormindo pelos colchões. O espaço pra deitar era pouco. Fui tirar o tênis, escovar os dentes, lavar o rosto para tentar puxar pelo menos uma sonequinha. 

Encostei a cabeça no travesseiro, e os fogos, e a batucada, e a gritaria... tudo. Tudo aumentou o volume. Me subiu um ódio desse jogo, desse time, dessa torcida. Não tenho nada contra o Corinthians, mas devido a situação decidi torcer contra. Não fiquei nem um minuto na cama. Vesti o chinelão, peguei uma camisa limpa e desci pra ver a partida. Saí do prédio, e uma turma de bêbedos quase me levou pra barraquinha onde estava passando o jogo pelo telão. Deviam pensar que eu fosse corintiano também. Deviam ter virado a noite também. Peguei a rua contrária à festa dos torcedores. 

Parei numa padoca qualquer. A Bela Vista como um bom bairro de raízes italianas que é, pensei logo que os funcionários fossem em sua maioria palmeirenses. Que nada. Todos corintianos. Porém só fui descobrir isso depois de gritar gol quando o time do Chelsea quase marcou no início do jogo - que Cássio salvou com os pés em cima da linha. Pedi um suco. Demorou pra chegar. A padaria não estava cheia. Depois de uns minutinhos fiquei pensando que o rapaz corintiano tinha cuspido no copo. Esse receio aumentou quando ouvi ele dizer pra um colega de trabalho "esses caras que não tem time e fica torcendo contra" "é foda". Acabou o primeiro tempo, sem gols. Fui embora sem terminar o suco. Paguei, fui pra rua. Vazia. Completamente vazia. Só encontrei um morador de rua e uma viatura no caminho de volta ao apartamento. 

Subi novamente. Só estava um amigo da minha irmã, desta vez acordado e vendo o jogo. Ele não tinha time do coração, mas estava torcendo pelo Corinthians também. Resolvi aproveitar o intervalo pra dormir. Que ingenuidade! Rojões e bombinhas pareciam serem soltos no andar do lado. Abri a janela pra ver o que rolava lá na rua, e juro, que por menos de um metro não me acertam com um busca-pé. Deitei na cama. O jogo recomeçou. De olhos fechados eu não cheguei a dormir, mas ouvia a narração do Galvão. Até que escuto um lance de perigo. Virei pra ver. Gol. Quis me enterrar embaixo do travesseiro! O barulho ficou insuportável. A essa altura minha dor de cabeça quase seguiu o caminho do barulho. O sono então parecia de todo jeito me fazer dormir. Mas todos queriam o contrário. Enfim cochilei após uns 10 minutos do gol. Acordei de novo com a barulheira faltando menos de 5 minutos pra acabar. A cada momento se escutava uma voz diferente gritando "Vai Corinthians!" ou "É Campeão!". Tentei dormir mais uma vez... Era tarde demais.

Quando ouvi o apito do sr. árbitro da partida logo desliguei a televisão. Mas não adiantou. A rua era mais barulhenta. E a festa prosseguiu. O batuque voltou mais forte. Fogos. Depois colocaram músicas do clube. Rojões. Cantos das torcidas organizadas. Gritos vindo lá de fora. Lá pro meio-dia o som dos carros era o forró. Bombinhas. Pras duas da tarde vieram os funk's paulistas. Provocação à clubes rivais. Depois voltaram a colocar músicas de organizadas. Parecia um estádio. Uma praça do time. Um lugar próprio para a comemoração. E eu só fui mesmo dormir de noite. Perdi um domingo na cama. Um domingo dentro de casa. Por culpa do Corinthians. 


Mas fazer o que, a festa é valida. Comemorar o título de seu time é muito bom. E o título, pelo que me parece, foi merecido. Parabéns ao time Corinthians Paulista. Parabéns pela torcida que sabe fazer festa. Dessa história ficou uma lição. Não virar a noite na véspera da final de um campeonato deste porte. A não ser que seja com meu time do coração, pra festejar também. 

Ah... E se beber, não solte rojões! rs