Segunda-feira com cara de segunda-feira. Acordei tarde, sem querer. Tenho que arrumar esse despertador. De resto, tamo aí seguindo em frente.
Começando agora com um poema do grandioso Solano Trindade, que aliás tenho um livro aqui em casa - esse ano eu leio ele todo. Salve descreve todo o peso dessa expressão tão forte em minha vida. Que ao mesmo tempo saúda o povo e o abençoa. Solano, poeta popular, exalta o próprio povo, os descendentes de escravo, a gente simples personificada na figura do negro velho. E manda um salve a quem "ama a vida sem medo da morte", e a quem "ama a liberdade sem medo de prisões e fuzilamento". Salve Solano!
África... Misteriosa África. Pela primeira vez vou postar um samba-enredo como música do dia. É o da Grande Rio de 1994, Os Santos que a África não Viu, que traz uma belíssima linha melódica. Um samba grande, mas encorpado, sem inchaço de palavras, completo. Já nos refrões o tamanho se inverte, ficam curtos e fáceis de memorizar; mas não de qualidade inferior. Quem deu voz a obra foi o conhecido Nêgo. A escola vinha naquele ano cantar as heranças que o continente africano trouxe ao Brasil, sobretudo na religião. A fé, as tradições, o trabalho, os costumes, toda a cultura negra enraizada lá na África e eminente até os dias atuais. E de corpo fechadíssimo, saravá!
Obs: não encontrei o vídeo do samba na gravação do cd daquele ano, apenas um compacto do desfile oficial, que talvez seja ainda melhor.
O filme visto hoje foi da série Cheech and Chong, Up in Smoke, por sugestão de amigos, rs. São dois hippies, no auge do movimento, lá nos Estados Unidos, que se conhecem de maneira inusitada e saem pelas estradas do país arranjando confusões, fazendo graça e fumando pra caralho. A dupla tem afinidade com a música, além, claro, da erva. Mostram um jeito meio alternativo de viver com bom humor, sempre com a polícia na cola. Passam por drogas, mulheres e música até o fim do longa. E têem na música, em um festival de rock, a redenção. Outra comédia leve, pra abrir a mente. Sair do que eu vinha assistindo. Agora eu volto pros filmes mais "cult", tá?
Tô escrevendo sobre os sambas desse ano de Sampa. Fiz do Especial. Farei do Acesso. Depois sobre os sambas do Rio de Janeiro. E posto. Não sei se nessa ordem. Mas quero jogar na rede minha opinião antes de começar a frequentar os ensaios técnicos e ver os sambas ao vivo. Se não eu mudo de opinião, e aí já viu, né?
Li hoje, na Ilustríssima de ontem, uma matéria sobre o aniversário de Sampa que vem aí. Um ano de 433 dias traz à público um resgate sobre os 400 anos que a cidade de São Paulo completou em 1954. Naquele tempo ocorreram as comemorações do IV Centenário que durariam mais de um ano: exatamente os 443 dias que dão nome à reportagem. Passeia-se pela política da época, pelos eventos comemorativos, pelos pontos turísticos/históricos da cidade e por algumas personalidades que fizeram parte do evento. Do teatro municipal ao campo de futebol, tudo foi bem relatado por Daniel Salles. Faltou, porém, dizer que o grande campeão do carnaval da época foi o meu Camisa Verde e Branco, recém fundando até então.
Cuidei do cachorro e do quintal. Eu sei, preciso ajudar mais... rs
Legal, consegui limitar meu tempo nas férias. Sem ironia. Legal mesmo. Sinto-me um pouco mais produtivo. Um pouco mais cansado também. Mas pode vir que eu dou conta.
Se ontem eu estava cansado, hoje estou quebrado. Por completo. Dói o corpo todo. Mas férias é pra isso né?
Outra poesia do Bandeira, do mesmo livro da de ontem, hoje foi a vez de Versos de Natal. A obra aborda a reflexão de um homem, que no natal se vê corroído pela vontade de retornar-se a viver como um menino. Ou então, que mostra que aquele menino sempre esteve dentro do homem. E para refletir isso, Manuel Bandeira usa uma linda metáfora com o espelho e os reflexos de quem nele olha. Um natal quase romântico.
Na área musical caiu no meu player hoje Amazonas, de João Donato. Quem disse que música precisa de letra? Instrumental puro. Puro! Com uma carinha de Brasil. Algo leve, que mistura batucada com sopros numa base de piano. Dá uma levada bem gostosa. Não sou muito fã de música instrumental. Mas ouvi três ou quatro vezes em seguida...
Na sessão de filmes, vi outro documentário hoje. MPB: A história que o Brasil não conhece. As filmagens se inspiraram num livro que foi publicado nos anos 40 e que contava os sucessos que a música nacional vinha provocando em todo mundo. De início até achei que fosse algo verdadeiro, mas depois, vendo o documentário, percebi que se tratava de um vídeo completamente irônico e bem humorado, não deixando de criticar o cenário musical em que estamos vivendo no Brasil. Mostra-se ali, que desde os anos 80 a música popular brasileira perdeu sua identidade e passou a ser moldada conforme as gravadoras e os produtores bem entendiam. Lá surgia o apoio dos veículos de comunicação em massa nas músicas de qualidade duvidosa, prontas para o sucesso. O documentário chega a ser bem engraçado em alguns momentos, mas acho que faltou um pouco mais de crítica real (ao invés da forma irônica) às músicas ruins que nos impõem involuntariamente. Não deixa de ser uma teoria da conspiração bem feita. Não deixa de ser uma prova de amor a nossa música boa.
Voltei a escrever poesia suburbana, literatura marginal. Tô enferrujado. Mas é só pra tirar a caneta do ócio. Preencher as lacunas das linhas do caderno.
Li uma matéria no Observatório Imprensa muito boa a respeito da mudança de alvo da mídia nos últimos dias. Lá, recordava-se o cuidado que todas as grandes famílias donas das empresas de comunicação do Brasil tiveram com Gilberto Kassab nos últimos anos, quando escândalos de corrupção chegaram a pessoas muito próximas ao ex-prefeito. Foi observado um cuidado imenso dessas famílias com a imagem de Kassab, na época recém fundador de seu partido que se mantinha neutro (nem governista, nem oposição). Agora, com o apoio de seu partido ao PT num possível segundo turno das eleições deste ano, as manchetes de jornal mudaram completamente. O Observatório prova isso colocando frente a frente as capas dos dois principais jornais brasileiros, Folha e Estadão. São quase idênticas, quase o mesmo texto na manchete, e com o mesmo conteúdo. Quem quiser conferir, basta ler a manchete da Folha de S. Paulo e a do Estado de S. Paulo no dia de hoje (domingo, 19) e observar a união da grande mídia para jogar o povo contra o Governo Federal atual. Enquanto isso o cartel do metrô é abafado...
Quase não fiquei em casa hoje, mas o tempo que fiquei fiz meu café.
E assim segue mais um dia, o mais cansativo, sem dúvidas. Agora é recarregar as baterias (inclusive do celular) até amanhã de manhã. Quero acordar noutro pique.
Já acordei tarde, sem despertador... mas dá um desconto, né? Fui dormir mó tarde também, tava cansadão. Desculpem o atraso, e vamos lá!
Antes o primeiro, o poema agora foi o último do dia. Bacanal, de Manuel Bandeira é muito bem rimado. Sempre em quadras e com os três primeiros versos metrificados, sendo o quarto uma saudação que provoca um ritmo diferenciado na leitura, as estrofes falam de festa, carnaval, alegria, vinho, versos, mulheres... bacanal. Veio em boa época. Evoé Baco! Evoé Vênus! Evoé Momo!
O ritmo hoje foi de Jorge Ben, Porque é Proibido Pisar na Grama. Clássica dele, era uma música que eu nunca tinha escutado. Bem ao estilo Jorge Ben, a música é cheia de necessidades simples, porém relevantes, que fazem parte do nosso dia. Com certeza inspirou Dexter a escrever Como Vai Seu Mundo, ainda pelo 509-e. Eu também preciso de carinho, Jorge. Todos nós precisamos. Lhe compreendo sim. Só não sei ainda porque nos proíbem de pisar na grama.
O filme que assisti chama-se How High, traduzido em português para Dois Doidões em Harvard. E é doideira mesmo! haha. Uma comédia que reúne os rappers americanos Readman e Method Man como protagonistas, mostra que dois jovens humildes e descompromissados podem alterar facilmente um ambiente extremamente elitista e conservador como a Universidade de Harvard. Por méritos próprios a dupla não entraria na faculdade, mas daí surge o caráter fantástico do filme. O fantasma de um amigo dos dois os ajuda nos testes. E sempre em paz e de bom-humor os caras vão conquistando quem deles se aproxima, fazendo amigos e, claro; fumando muito. Fazia tempo que eu não curtia uma comédia assim.
No setor de criar texto, terminei a parte da letra de um samba-enredo que estou fazendo pra uma escola virtual. Falta o mais difícil, encaixar melodia.
Li na Folha uma bela homenagem aos 460 anos que a cidade de São Paulo completa neste mês, em que Antônio Prata e Mário Prata (pai e filho) entrelaçam suas histórias com a cidade de hoje e de 37 anos atrás. Cada um conta como foi o dia do nascimento de seu respectivo filho, tendo como cenário a capital paulista e seu momento histórico. Da ditadura às manifestações do ano passado. E mostram como uma cidade tão grande e intensa, mesmo repleta de problemas, pode se tornar peça fundamental na vida de tantas famílias que nela (sobre)vivem.
E pra rimar: recolhi a roupa do varal, e tirei as coisas lá do quintal.
Infelizmente, não aguentei. Tomei duas garrafas. Mas vai... o que importa é que eu tô firme e forte no desafio. Tudo bem, até atraso um pouquinho. Porém, ainda não dormi; então ainda é dia 18. rs
Primeiro dia do meu Desafio dos Sete Dias, e que já começou difícil, viu? De chuva forte pela tarde a um convite pra tomar todas, hahaha. Além do detalhe de eu ter dormido de manhã, despertado às nove, dormido depois do almoço e cochilado no começo da noite. É, resistir é foda, mas vâmo até o fim...
O poema de hoje foi A Mesa de João Cabral de Melo Neto, que é de uma simplicidade incrível. Li pela manhã, tomando café e comendo pão fresco. Não tinha momento melhor.
Na parte da música, trombei Desde Sempre do coletivo PrimeiraMente. É Rap do bom. Não os conhecia, mas virei fã. A música fala da vida, provavelmente dos próprios mc's. De como é, desde sempre, o cotidiano do jovem sem muito poder aquisitivo. E de como é difícil fazer história em um país que ninguém lê! Me identifiquei.
Já o filme, foi um pequeno documentário a respeito do samba de São Paulo. Falando de Adoniram, Geraldo Filme e Paulo Vanzolini; o curta reproduz depoimentos de pessoas ligadas ao samba feito na terra da garoa. Boas entrevistas, bem feito; mas nada que eu já não tenha ouvido por aí. Pra quem quiser ver, no Youtube está como Samba de São Paulo Documentário 2007.
O texto feito é sobre os rolezinhos de ultimamente, e as opiniões que circulam sobre o assunto. Dei a minha, mas tá inacabado ainda, e só vou postar mais pra frente.
A parada da foto do dia não vai rolar porque roubaram meu adaptador do cartão de memória. Então vou substituir por algo que eu irei ler durante os dias do desafio. Hoje, por exemplo, separando os papeis que vão pro lixo, li num anexo lá da época que minha irmã fazia cursinho um texto que conta sobre a história do fundamentalismo islâmico e os padrões ocidentais de governo nas regiões de maioria islâmica. Assunto complicado... Não vejo como dar certo uma religião ditar, de maneira tão forte assim, um governo. Muito menos apoio a forma como os países do Ocidente interferem na política dos países islâmicos que possuem conflitos, tentando padronizá-los.
Lavei a louça, botei tudo pra dentro na hora da chuva e varri a sala.
Agora a parte do sorriso do dia, fica em off... rs
Por enquanto, missão cumprida. Agora vou dormir porque pelas minhas contas eu tenho menos de seis horas de sono!
Acostumando com o novo ano ao mesmo tempo que desfaço de coisas do ano velho, eu notei que estava dormindo muito nestas "férias". Isso não é novidade, e nunca foi. Agora que voltou a internet aqui e que eu FINALMENTE terminei de arrumar meu quarto (e meu computador), essa rotina começou a se concretizar. No sentido de tornar-se algo cinza, sem brilho, que nem concreto. E com o quarto incompleto (faltam móveis, pintura, cortina, lâmpada, meus quadros...) achei que faltava alguma coisa além-material. Talvez fosse eu...
Hoje, sem querer, vi um tal de desafio das doze semanas. Estava no blog de uma menina. O propósito era fazer uma coisa diferente, fora de sua rotina. Em cada uma das doze semanas do desafio tinham coisas do tipo: "comer uma fruta por dia", "fazer um desenho por dia" ou "assistir uma temporada inteira". Me interessei. Mas como quero viajar semana que vem e, na outra também e, depois começam aulas - e eu nem sei onde vou estudar - e depois já vem o carnaval; logo vi que eu não conseguiria fazer nada disso.
Porém, como toda ideia boa deve ser aproveitada, tomei a liberdade de criar um desafio próprio em cima daquele. E já que tenho sete dias até viajar, por que não inventar um desafio dos sete dias?
Está feito. Começo na Sexta-17, pra terminar na Quinta-23. Sete dias de desafio.
- Mas fazendo o quê?
Boa pergunta! Propus-me a 7 desafios diários, juntamente com mais 5 (úteis, rs) desafios-bônus do tipo "não fazer tal coisa" durante os sete longos dias. Peguei alguns daquele desafio que vi no blog da moça. Outros, eu tirei da cabeça. Vamos lá pra ver no que dá.
#Desafio_1
Ler um poema por dia. E ler mesmo, refletir, analisar, reler...
#Desafio_2
Ouvir uma música. NOVA. E nova no sentido de eu nunca antes, na história deste país, ter escutado ela.
#Desafio_3
Assistir a um filme por dia. No mesmo naipe do poema e da música; refletindo e sem nunca ter visto antes.
#Desafio_4
Redigir um texto por dia. Escrever paralelamente. Seja lá um samba novo, um rap, uma poesia, uma historinha, uma crônica de verdade (rs) . Redigir, mas sem compromisso.
#Desafio_5
Tirar uma foto por dia. Se possível do momento mais bonito. Se não, de algo diferente que simbolize o dia.
#Desafio_6
Ajudar minha mãe ao menos uma vez por dia. Fazer uma tarefa pra ela, um serviço de casa, sei lá. Ajudá-la a diminuir o tempo ocupada.
#Desafio_7
Fazer alguém sorrir. Valer o dia não só pra mim. Com uma piadinha boba, sei lá.
#DesafioBonus_1
Exercitar-me. Correr, jogar bola, basquete, fazer umas flexões, fazer abdominais, fazer sexo, o que for... Não pode é ficar parado nenhum dia.
#DesafioBonus_2
Acordar cedo. Despertador tocando as 9h para eu aproveitar o dia. Sem essa de "só mais cinco minutinhos".
#DesafioBonus_3
Não beber. Nem cerveja, nem cachaça, nem vinho. É para que eu não diga futuramente, como desculpa de não cumprir o desafio, que estava sob algum efeito alucinógeno.
#DesafioBonus_4
Não ligar a televisão do quarto. Nem ler revistinha conservadora. Para não correr risco de alienação.
#DesafioBonus_5
Meia hora. No máximo, meia hora. Meia hora no face. Meia hora no Twitter. Meia hora no Whats. Meia hora no telefone. Meia hora no Instagram. Meiahorizar tudo!
Será que eu sou capaz?
Estarei aqui, todo final do dia, pra contar como foi a experiência. Relatar o que fiz, vi, li, ouvi, assisti, escrevi de inédito. Virou a meia-noite, vamos lá. Valendo!
E assim se foi outro ano. Outro ciclo. Outras boas histórias. Algumas ruins também. Mais experiência. Menos paciência. E um ensino médio que ficou pra trás.
Sim, bateu saudades agora! Abri o blog, comecei a escrever e as lembranças vieram...Várias! Desde lá dos ensaios técnicos, em Sampa, pro carnaval 2013; até as brejas tomadas em tudo quanto é canto de Pinda, agora em dezembro. Foi, sem dúvidas, um dos meus melhores anos em termos de amizade. No amor nem tanto. Nos estudos, ainda espero o resultado dos vestibulares prestados.
Seja lá o que vier, valeu sim cada aula na escola, no cursinho. Esse ano eu aprendi a estudar "na marra". E vou levar tudo isso comigo. Cada aula perdida valeu também, que ninguém é de ferro, né? hahaha. Encerro, assim, o terceirão; e junto, minha passagem por Pindamonhangaba. Guardarei pra sempre tudo o que passei aqui, mas sinto que tá na hora de mudar, de viver outras fita. Não quero sumir, apenas respirar outros ares - mais poluídos, talvez.
Vou lá começar outras histórias, mudar de cidade, vivenciar o que eu sempre senti falta. E eu prometo que conto como foi, tá?
Em 2013, ao contrário de outros anos, eu não ouvi tanta música assim. Não baixei muitos discos. Muito menos os comprei. Ouvi muito mais o que eu tinha no "acervo" do cartão de memória/notebook. E as vezes aquela passadinha de leve no Youtube, ou pelos discos velhos do armário. Mesmo assim, afirmo que escutei muita coisa boa. Mas, infelizmente, o ano foi marcado pelo grande número de perdas na área da música nacional. Pelo menos pra mim. Se foram, em 2013, cantores e compositores de faixas que marcaram minha vida. E como o número de perdas foi bem grande, resolvi listá-las e relembrar suas músicas que ficarão eternizadas.
#1 Em pleno carnaval, no dia em que sua escola de samba entraria na avenida mais tarde, morreu o compositor Xixa. Além de ajudar a fundar a Leandro de Itaquera, Xixa; compositor de diversos sambas da escola, participa da autoria do samba que pra mim é um dos maiores da escola da Zona Leste: Vale Ouro, Meu Brasil, Minha Terra, Meu tesouro. A letra conta muito bem a história do ciclo do ouro no Brasil, num carnaval em que as escolas contavam todas a história de nosso país, que fazia 500 anos. Puxado por Eliana de Lima e sustentado pela Majestosa bateria, o samba carrega um melodia muito gostosa. Traz de volta os bons tempos da Leandro. O desfile de 2000 lhes rendeu um quinto lugar.
10 de fevereiro - Xixa
#2 Pegando todo mundo de surpresa, em março, vem a notícia da morte de Chorão. Vocalista do Charlie Brown Jr, ele e toda banda marcaram minha vida como os principais representantes da juventude de minha época. Charlie Brown fazia algo único, conquistar todo o público mais jovem. Desde a galera mais pobre, aos playboys. Dos funkeiros aos roqueiros. Geral! É a única unanimidade musical que eu conheci entre o pessoal da minha idade. Chorão tornou-se o símbolo disso. E com méritos, pois tinha uma interpretação muito boa e um talento para escrever melhor ainda. Ele era do rock, mas cantava reggae, curtia um samba e também mandava bem no rap. Era sincero em suas letras. E n'O Preço, essa sinceridade fica explícita. Pra mim, uma das maiores músicas da banda. E também a que não sai da memória.
06 de março - Chorão
#3 No mesmo mês em que morreu Chorão, falece também Emílio Santiago. "A melhor voz do Brasil" - sem precisar de nenhum reality show televisivo - imortalizou canções de diversos compositores brasileiros. Numa época de grandes cantores, Emílio fora talvez um dos últimos intérpretes marcantes na música nacional. Emprestou sua voz a clássicos da MPB, mas o negão se dava mesmo com o samba. Entre as músicas memoráveis interpretadas por ele, Saigon e Verdade Chinesa foram as que me marcaram muito. Espero agora explorar mais esse universo cantado por Santiago.
20 de março - Emílio Santiago
#4 Outro cara que eu necessito explorar sua obra, é Paulo Vanzolini. Sambista também, compositor de primeira qualidade, paulista que se tornou símbolo do samba na cidade do trabalho. Famoso por seus sambas eruditos, Vanzolini nasceu e morreu em Sampa. Sua obra é a cara da cidade. Saiu há tempos um filme sobre ele. Ainda não vi, mas com certeza fará parte da lista de filmes que irei ver em 2014.
28 de abril - Paulo Vanzolini
#5 A morte no meio da música que chocou o país esse ano foi a do Mc Daleste, muito mais pela forma como ocorreu do que pelo que ele representava. Moleque da Zona Leste de Sampa, que cresceu em quebrada, junto ao crime e a violência; e escolheu o caminho do funk como trabalho. Começou cantando o que via, o que gostava. Como um cronista da favela. Por meio da batida eletrônica swingada do funk ele descreveu onde morava. Seu bairro. Sua cidade. Sua quebrada. E a dos outros também. Aos poucos, foi mudando. Passou a exaltar o luxo, o dinheiro e as mulheres. Passou a cantar o sonho de todo favelado. Passou pro funk ostentação. E no auge de sua carreira foi morto em cima do palco, de braços abertos, com o microfone na mão. Sem direito de defesa. Literalmente, morreu cantando. Na frente de seu público. Mas suas músicas, que há milianos chegavam até meu celular por bluetooth, ficarão pra sempre na minha memória como trilha sonora daqueles rolês de bike que não voltam mais.
07 de julho - Mc Daleste
#6 No ano seguinte ao centenário de seu mestre, Gonzagão, Dominguinhos nos deixa. Símbolo da sanfona no Brasil, atualmente ele estava percorrendo o país com a série O Milagre de Santa Luzia, que conta histórias e depoimentos de sanfoneiros regionais. Figura sorridente, Dominguinhos espalhava acordes e alegrias através da música nordestina. Mais um da série dos que eu pretendo conhecer melhor a obra. Que é muito boa. É boa de mais.
23 de julho - Dominguinhos
#7 Nem seis meses após a morte de Chorão, e pouco tempo depois de remontar outra banda com os antigos companheiros de Charlie Brown, chamada A Banca; Champignon, antigo baixista que tinha assumido os vocais, também morreu. A banda Charlie Brown marcou minha vida desde pirralho até agora. Desde a época lá da Malhação até o Música Popular Caiçara. E Champignon era mais um integrante da banda unanimidade que se foi. Era mais um que não usava sapato. Era mais um.
09 de setembro - Champignon
#8 Outro compositor de mão cheia que se foi. Outro sambista. Me marcou muito mais por um samba em especial do que por toda sua obra, que eu quase não conheço. Um dos autores de Andança, que Beth Carvalho eternizou em sua voz, Paulinho Tapajós e cia fizeram uma obra-prima. O samba tem letra e melodia singela, mas com uma profundidade sentimental enorme. Sem falar no contracanto do refrão que dá mais charme a canção. A música ainda carrega um ar de saudosismo. Simplesmente linda!
25 de outubro - Paulinho Tapajós
#9Pra aumentar a lista de sambistas "lá no céu", Délcio Carvalho também acabou falecendo. Parceiro antigo de Dona Ivone de Lara, o rapaz que também era compositor nos deixou seu legado musical. Autor de músicas conhecidas, sendo a principal delas, pelo menos pra mim, Sonho Meu, imortalizado nas vozes de Maria Bethânia e Gal Costa. Trata-se de outro samba de amor, outro samba com ares antigos. Outro "samba que mexe o corpo da gente".
12 de novembro - Délcio Carvalho
#10E por fim, já quase acabando o ano, vem a triste notícia sobre o padecimento de Reginaldo Rossi, o Rei do Brega. Num tempo em que a padronização musical é divagada por todo o país, Reginaldo era um sobrevivente de um estilo rítmico diferente; irreverente e bem-humorado. Me marcou por sua originalidade em suas letras; simples, porém bem elaboradas. Ícone nordestino, ficou imortalizado pelas mesas dos bares de todo o país. Uma canção que ultrapassou gerações, e vai seguir ultrapassando - enquanto houver corno no Brasil.
20 de dezembro - Reginaldo Rossi
E assim passou 2013... levando alegrias e deixando tristezas. Levando talentos; mas, com certeza, semeando outros mais que virão.
Que 2014 não seja tão cruel com a música brasileira!
O ano esportivo do Brasil, no geral, foi muito bom. Títulos importantes no mundial de vários esportes individuais associado a bons resultados obtidos pelos atletas brasileiros nos esportes olímpicos, alimentam um expectativa positiva em relação as Olimpíadas em 2016, realizada no Rio de Janeiro. Houve também emocionantes vitórias nos tradicionais esportes coletivos como o voleibol, o futebol de areia e o futsal. A grande surpresa veio no fim do ano com a belíssima campanha das meninas do handebol no campeonato mundial, em que foram campeãs invictas na Sérvia - e batendo as donas da casa numa final equilibradíssima, entrando pra história do esporte nacional. A decepção ficou por conta dos caras do basquete.
Meninas do Handebol fazem a festa em quadra
Mãaaaaaaaaaas, quando se fala em esporte no Brasil, rapidamente vem a cabeça da população um esporte em especial: futebol. No dito o país do futebol, o ano tenderia a ser muito bom também. Já que nossa seleção ganhou a Copa das Confederações de forma extraordinária, derrotando na final a tão temida seleção espanhola. E que na Taça Libertadores da América o time do Atlético Mineiro mostrou técnica (e muita sorte também) ao vencer de forma dramática jogo a jogo, deixando sempre para os minutos finais as maiores emoções.
No entanto, o belo ano esportivo do Brasil como um todo foi manchado no final dele. Não dentro de quadra, de campo ou de pistas. Não. Foi manchado dentro de um tribunal. Outra vez. O fatídico Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que juntamente com a lastimável Confederação Brasileira de Futebol (CBF), conseguiram rebaixar um time que jogou o campeonato brasileiro suficientemente bem para não ser rebaixado à série B, e que porém irá disputá-la em 2014. E, no lugar desse time que fez campanha para ficar na primeira divisão, salvou um clube que não mereceu - devido a sua classificação ruim na tabela final - permanecer na elite do futebol brasileiro.
Torcedores da Portuguesa mostram sua indignação
O time que caiu mas não deveria é a Portuguesa (sim, sempre a Portuguesa!). E o time que caiu, mas ficou é o Fluminense (sim, o FluminenCe... rs). A Lusa, na última rodada, já praticamente sem chances de ser rebaixada, utilizou um jogador - por cerca de 10/15 minutos apenas - que estaria impedido de jogar. O jogador teria tomado uma suspensão, e não deveria estar em campo, mas por erro de comunicação (sabe-se lá de quem) acabou participando de um jogo que nada valia. Estranho, não? Mais estranho ainda é punir com o rebaixamento um clube por uma bobagem como essa que nem ao menos interferiu no resultado do jogo, quanto mais do campeonato. Um julgamento totalmente desproporcional que, claro, gerou polêmica.
Enfim, o que fica de toda essa história é que o cenário nacional de futebol necessita urgentemente de mudanças. Dos outros esportes não sei, provavelmente precisem também; mas o futebol (talvez por ser o esporte do povo e da mídia) é o que fica mais evidente. Novos ares foram dados a CBF recentemente, mas que na prática pouco se alterou. Cria-se, há tempos, uma espécie de máfia do futebol, conservadora, que não toma medidas que deveriam ser tomadas. Quem acompanha o futebol sabe, e também torna-se cético quanto às mudanças. O Campeonato Brasileiro em pontos corridos é um dos pontos que precisa ser revisto, por exemplo. Extenso, torna-se chato, com uma quantidade desnecessária de jogos; uma espécie de cópia ao modelo europeu, que talvez por interesse de empresários que lucram com isso, não muda. Agora então, a Copa do Brasil também fora "engordada"; absurdamente os clubes que disputaram a Libertadores puderam entrar nela também. Isso a desvaloriza. Sem contar os campeonatos estaduais que vem sendo minimizados a pré-temporadas, tendo sua relevância minimizada pelos dirigentes dos clubes. A lista é enorme! Assim, descontentes também, sem direito a férias ou descanso, os jogadores se uniram por melhores condições e fundaram o Bom Senso FC. Longe deles serem o ideal para a mudança que tem de ocorrer no esporte nacional, mas é um indicativo extremamente forte de que "do jeito que a coisa tá, num pode ficá".
Quem perde com tudo isso é, sobretudo, o público esportivo; que cada vez mais vai se afastando de uma paixão por descordar (e desconfiar) do que ocorre na parte interna. É o meu caso. Infelizmente.
Passou setembro, veio outubro; e o bagui ainda tá osso!
Sigo me revezando de uma casinha pra outra, esquecendo cueca numa, chinelo noutra, carregador de celular, caderno de escola... Já viu, né?
E nesse último final de semana do mês veio o auge da maré ruim: o ENEM. Adorei fazer a prova no ano passado, mesmo estando no segundo ano, e sem estudar, eu me saí até que bem. Dava pra entrar suave em vários cursos de humanas numas federais lá do nordeste. Aí neste ano, que eu tô no terceirão e estudando que nem um puto: minha inscriçao não confirma. Perdi a prova por alguma confusão na inscrição, na confirmação, nos dados, sei lá eu... Foda-se. Agora já foi. Só acho que daqui não piora mais, né? rs (assim que escrevi isso fui picado por um pernilongo bem no dedinho do pé, kkkk)
Enfim, o ano tá acabando, o ciclo tá se fechando. E eu ainda tô postando menos que gostaria aqui. Cada vez mais com vontade de me mudar de Pinda, de estudar jornalismo, de ganhar o mundo, de mandar a física e a química pra putaqueolpariu! Mas enquanto não posso, vou levando... Levando do jeito que dá, com aquele samba do Martinho na cabeça: "que a vida vai melhorar".