Acostumando com o novo ano ao mesmo tempo que desfaço de coisas do ano velho, eu notei que estava dormindo muito nestas "férias". Isso não é novidade, e nunca foi. Agora que voltou a internet aqui e que eu FINALMENTE terminei de arrumar meu quarto (e meu computador), essa rotina começou a se concretizar. No sentido de tornar-se algo cinza, sem brilho, que nem concreto. E com o quarto incompleto (faltam móveis, pintura, cortina, lâmpada, meus quadros...) achei que faltava alguma coisa além-material. Talvez fosse eu...
Hoje, sem querer, vi um tal de desafio das doze semanas. Estava no blog de uma menina. O propósito era fazer uma coisa diferente, fora de sua rotina. Em cada uma das doze semanas do desafio tinham coisas do tipo: "comer uma fruta por dia", "fazer um desenho por dia" ou "assistir uma temporada inteira". Me interessei. Mas como quero viajar semana que vem e, na outra também e, depois começam aulas - e eu nem sei onde vou estudar - e depois já vem o carnaval; logo vi que eu não conseguiria fazer nada disso.
Porém, como toda ideia boa deve ser aproveitada, tomei a liberdade de criar um desafio próprio em cima daquele. E já que tenho sete dias até viajar, por que não inventar um desafio dos sete dias?
Está feito. Começo na Sexta-17, pra terminar na Quinta-23. Sete dias de desafio.
- Mas fazendo o quê?
Boa pergunta! Propus-me a 7 desafios diários, juntamente com mais 5 (úteis, rs) desafios-bônus do tipo "não fazer tal coisa" durante os sete longos dias. Peguei alguns daquele desafio que vi no blog da moça. Outros, eu tirei da cabeça. Vamos lá pra ver no que dá.
#Desafio_1
Ler um poema por dia. E ler mesmo, refletir, analisar, reler...
#Desafio_2
Ouvir uma música. NOVA. E nova no sentido de eu nunca antes, na história deste país, ter escutado ela.
#Desafio_3
Assistir a um filme por dia. No mesmo naipe do poema e da música; refletindo e sem nunca ter visto antes.
#Desafio_4
Redigir um texto por dia. Escrever paralelamente. Seja lá um samba novo, um rap, uma poesia, uma historinha, uma crônica de verdade (rs) . Redigir, mas sem compromisso.
#Desafio_5
Tirar uma foto por dia. Se possível do momento mais bonito. Se não, de algo diferente que simbolize o dia.
#Desafio_6
Ajudar minha mãe ao menos uma vez por dia. Fazer uma tarefa pra ela, um serviço de casa, sei lá. Ajudá-la a diminuir o tempo ocupada.
#Desafio_7
Fazer alguém sorrir. Valer o dia não só pra mim. Com uma piadinha boba, sei lá.
#DesafioBonus_1
Exercitar-me. Correr, jogar bola, basquete, fazer umas flexões, fazer abdominais, fazer sexo, o que for... Não pode é ficar parado nenhum dia.
#DesafioBonus_2
Acordar cedo. Despertador tocando as 9h para eu aproveitar o dia. Sem essa de "só mais cinco minutinhos".
#DesafioBonus_3
Não beber. Nem cerveja, nem cachaça, nem vinho. É para que eu não diga futuramente, como desculpa de não cumprir o desafio, que estava sob algum efeito alucinógeno.
#DesafioBonus_4
Não ligar a televisão do quarto. Nem ler revistinha conservadora. Para não correr risco de alienação.
#DesafioBonus_5
Meia hora. No máximo, meia hora. Meia hora no face. Meia hora no Twitter. Meia hora no Whats. Meia hora no telefone. Meia hora no Instagram. Meiahorizar tudo!
Será que eu sou capaz?
Estarei aqui, todo final do dia, pra contar como foi a experiência. Relatar o que fiz, vi, li, ouvi, assisti, escrevi de inédito. Virou a meia-noite, vamos lá. Valendo!
E assim se foi outro ano. Outro ciclo. Outras boas histórias. Algumas ruins também. Mais experiência. Menos paciência. E um ensino médio que ficou pra trás.
Sim, bateu saudades agora! Abri o blog, comecei a escrever e as lembranças vieram...Várias! Desde lá dos ensaios técnicos, em Sampa, pro carnaval 2013; até as brejas tomadas em tudo quanto é canto de Pinda, agora em dezembro. Foi, sem dúvidas, um dos meus melhores anos em termos de amizade. No amor nem tanto. Nos estudos, ainda espero o resultado dos vestibulares prestados.
Seja lá o que vier, valeu sim cada aula na escola, no cursinho. Esse ano eu aprendi a estudar "na marra". E vou levar tudo isso comigo. Cada aula perdida valeu também, que ninguém é de ferro, né? hahaha. Encerro, assim, o terceirão; e junto, minha passagem por Pindamonhangaba. Guardarei pra sempre tudo o que passei aqui, mas sinto que tá na hora de mudar, de viver outras fita. Não quero sumir, apenas respirar outros ares - mais poluídos, talvez.
Vou lá começar outras histórias, mudar de cidade, vivenciar o que eu sempre senti falta. E eu prometo que conto como foi, tá?
Em 2013, ao contrário de outros anos, eu não ouvi tanta música assim. Não baixei muitos discos. Muito menos os comprei. Ouvi muito mais o que eu tinha no "acervo" do cartão de memória/notebook. E as vezes aquela passadinha de leve no Youtube, ou pelos discos velhos do armário. Mesmo assim, afirmo que escutei muita coisa boa. Mas, infelizmente, o ano foi marcado pelo grande número de perdas na área da música nacional. Pelo menos pra mim. Se foram, em 2013, cantores e compositores de faixas que marcaram minha vida. E como o número de perdas foi bem grande, resolvi listá-las e relembrar suas músicas que ficarão eternizadas.
#1 Em pleno carnaval, no dia em que sua escola de samba entraria na avenida mais tarde, morreu o compositor Xixa. Além de ajudar a fundar a Leandro de Itaquera, Xixa; compositor de diversos sambas da escola, participa da autoria do samba que pra mim é um dos maiores da escola da Zona Leste: Vale Ouro, Meu Brasil, Minha Terra, Meu tesouro. A letra conta muito bem a história do ciclo do ouro no Brasil, num carnaval em que as escolas contavam todas a história de nosso país, que fazia 500 anos. Puxado por Eliana de Lima e sustentado pela Majestosa bateria, o samba carrega um melodia muito gostosa. Traz de volta os bons tempos da Leandro. O desfile de 2000 lhes rendeu um quinto lugar.
10 de fevereiro - Xixa
#2 Pegando todo mundo de surpresa, em março, vem a notícia da morte de Chorão. Vocalista do Charlie Brown Jr, ele e toda banda marcaram minha vida como os principais representantes da juventude de minha época. Charlie Brown fazia algo único, conquistar todo o público mais jovem. Desde a galera mais pobre, aos playboys. Dos funkeiros aos roqueiros. Geral! É a única unanimidade musical que eu conheci entre o pessoal da minha idade. Chorão tornou-se o símbolo disso. E com méritos, pois tinha uma interpretação muito boa e um talento para escrever melhor ainda. Ele era do rock, mas cantava reggae, curtia um samba e também mandava bem no rap. Era sincero em suas letras. E n'O Preço, essa sinceridade fica explícita. Pra mim, uma das maiores músicas da banda. E também a que não sai da memória.
06 de março - Chorão
#3 No mesmo mês em que morreu Chorão, falece também Emílio Santiago. "A melhor voz do Brasil" - sem precisar de nenhum reality show televisivo - imortalizou canções de diversos compositores brasileiros. Numa época de grandes cantores, Emílio fora talvez um dos últimos intérpretes marcantes na música nacional. Emprestou sua voz a clássicos da MPB, mas o negão se dava mesmo com o samba. Entre as músicas memoráveis interpretadas por ele, Saigon e Verdade Chinesa foram as que me marcaram muito. Espero agora explorar mais esse universo cantado por Santiago.
20 de março - Emílio Santiago
#4 Outro cara que eu necessito explorar sua obra, é Paulo Vanzolini. Sambista também, compositor de primeira qualidade, paulista que se tornou símbolo do samba na cidade do trabalho. Famoso por seus sambas eruditos, Vanzolini nasceu e morreu em Sampa. Sua obra é a cara da cidade. Saiu há tempos um filme sobre ele. Ainda não vi, mas com certeza fará parte da lista de filmes que irei ver em 2014.
28 de abril - Paulo Vanzolini
#5 A morte no meio da música que chocou o país esse ano foi a do Mc Daleste, muito mais pela forma como ocorreu do que pelo que ele representava. Moleque da Zona Leste de Sampa, que cresceu em quebrada, junto ao crime e a violência; e escolheu o caminho do funk como trabalho. Começou cantando o que via, o que gostava. Como um cronista da favela. Por meio da batida eletrônica swingada do funk ele descreveu onde morava. Seu bairro. Sua cidade. Sua quebrada. E a dos outros também. Aos poucos, foi mudando. Passou a exaltar o luxo, o dinheiro e as mulheres. Passou a cantar o sonho de todo favelado. Passou pro funk ostentação. E no auge de sua carreira foi morto em cima do palco, de braços abertos, com o microfone na mão. Sem direito de defesa. Literalmente, morreu cantando. Na frente de seu público. Mas suas músicas, que há milianos chegavam até meu celular por bluetooth, ficarão pra sempre na minha memória como trilha sonora daqueles rolês de bike que não voltam mais.
07 de julho - Mc Daleste
#6 No ano seguinte ao centenário de seu mestre, Gonzagão, Dominguinhos nos deixa. Símbolo da sanfona no Brasil, atualmente ele estava percorrendo o país com a série O Milagre de Santa Luzia, que conta histórias e depoimentos de sanfoneiros regionais. Figura sorridente, Dominguinhos espalhava acordes e alegrias através da música nordestina. Mais um da série dos que eu pretendo conhecer melhor a obra. Que é muito boa. É boa de mais.
23 de julho - Dominguinhos
#7 Nem seis meses após a morte de Chorão, e pouco tempo depois de remontar outra banda com os antigos companheiros de Charlie Brown, chamada A Banca; Champignon, antigo baixista que tinha assumido os vocais, também morreu. A banda Charlie Brown marcou minha vida desde pirralho até agora. Desde a época lá da Malhação até o Música Popular Caiçara. E Champignon era mais um integrante da banda unanimidade que se foi. Era mais um que não usava sapato. Era mais um.
09 de setembro - Champignon
#8 Outro compositor de mão cheia que se foi. Outro sambista. Me marcou muito mais por um samba em especial do que por toda sua obra, que eu quase não conheço. Um dos autores de Andança, que Beth Carvalho eternizou em sua voz, Paulinho Tapajós e cia fizeram uma obra-prima. O samba tem letra e melodia singela, mas com uma profundidade sentimental enorme. Sem falar no contracanto do refrão que dá mais charme a canção. A música ainda carrega um ar de saudosismo. Simplesmente linda!
25 de outubro - Paulinho Tapajós
#9Pra aumentar a lista de sambistas "lá no céu", Délcio Carvalho também acabou falecendo. Parceiro antigo de Dona Ivone de Lara, o rapaz que também era compositor nos deixou seu legado musical. Autor de músicas conhecidas, sendo a principal delas, pelo menos pra mim, Sonho Meu, imortalizado nas vozes de Maria Bethânia e Gal Costa. Trata-se de outro samba de amor, outro samba com ares antigos. Outro "samba que mexe o corpo da gente".
12 de novembro - Délcio Carvalho
#10E por fim, já quase acabando o ano, vem a triste notícia sobre o padecimento de Reginaldo Rossi, o Rei do Brega. Num tempo em que a padronização musical é divagada por todo o país, Reginaldo era um sobrevivente de um estilo rítmico diferente; irreverente e bem-humorado. Me marcou por sua originalidade em suas letras; simples, porém bem elaboradas. Ícone nordestino, ficou imortalizado pelas mesas dos bares de todo o país. Uma canção que ultrapassou gerações, e vai seguir ultrapassando - enquanto houver corno no Brasil.
20 de dezembro - Reginaldo Rossi
E assim passou 2013... levando alegrias e deixando tristezas. Levando talentos; mas, com certeza, semeando outros mais que virão.
Que 2014 não seja tão cruel com a música brasileira!
O ano esportivo do Brasil, no geral, foi muito bom. Títulos importantes no mundial de vários esportes individuais associado a bons resultados obtidos pelos atletas brasileiros nos esportes olímpicos, alimentam um expectativa positiva em relação as Olimpíadas em 2016, realizada no Rio de Janeiro. Houve também emocionantes vitórias nos tradicionais esportes coletivos como o voleibol, o futebol de areia e o futsal. A grande surpresa veio no fim do ano com a belíssima campanha das meninas do handebol no campeonato mundial, em que foram campeãs invictas na Sérvia - e batendo as donas da casa numa final equilibradíssima, entrando pra história do esporte nacional. A decepção ficou por conta dos caras do basquete.
Meninas do Handebol fazem a festa em quadra
Mãaaaaaaaaaas, quando se fala em esporte no Brasil, rapidamente vem a cabeça da população um esporte em especial: futebol. No dito o país do futebol, o ano tenderia a ser muito bom também. Já que nossa seleção ganhou a Copa das Confederações de forma extraordinária, derrotando na final a tão temida seleção espanhola. E que na Taça Libertadores da América o time do Atlético Mineiro mostrou técnica (e muita sorte também) ao vencer de forma dramática jogo a jogo, deixando sempre para os minutos finais as maiores emoções.
No entanto, o belo ano esportivo do Brasil como um todo foi manchado no final dele. Não dentro de quadra, de campo ou de pistas. Não. Foi manchado dentro de um tribunal. Outra vez. O fatídico Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que juntamente com a lastimável Confederação Brasileira de Futebol (CBF), conseguiram rebaixar um time que jogou o campeonato brasileiro suficientemente bem para não ser rebaixado à série B, e que porém irá disputá-la em 2014. E, no lugar desse time que fez campanha para ficar na primeira divisão, salvou um clube que não mereceu - devido a sua classificação ruim na tabela final - permanecer na elite do futebol brasileiro.
Torcedores da Portuguesa mostram sua indignação
O time que caiu mas não deveria é a Portuguesa (sim, sempre a Portuguesa!). E o time que caiu, mas ficou é o Fluminense (sim, o FluminenCe... rs). A Lusa, na última rodada, já praticamente sem chances de ser rebaixada, utilizou um jogador - por cerca de 10/15 minutos apenas - que estaria impedido de jogar. O jogador teria tomado uma suspensão, e não deveria estar em campo, mas por erro de comunicação (sabe-se lá de quem) acabou participando de um jogo que nada valia. Estranho, não? Mais estranho ainda é punir com o rebaixamento um clube por uma bobagem como essa que nem ao menos interferiu no resultado do jogo, quanto mais do campeonato. Um julgamento totalmente desproporcional que, claro, gerou polêmica.
Enfim, o que fica de toda essa história é que o cenário nacional de futebol necessita urgentemente de mudanças. Dos outros esportes não sei, provavelmente precisem também; mas o futebol (talvez por ser o esporte do povo e da mídia) é o que fica mais evidente. Novos ares foram dados a CBF recentemente, mas que na prática pouco se alterou. Cria-se, há tempos, uma espécie de máfia do futebol, conservadora, que não toma medidas que deveriam ser tomadas. Quem acompanha o futebol sabe, e também torna-se cético quanto às mudanças. O Campeonato Brasileiro em pontos corridos é um dos pontos que precisa ser revisto, por exemplo. Extenso, torna-se chato, com uma quantidade desnecessária de jogos; uma espécie de cópia ao modelo europeu, que talvez por interesse de empresários que lucram com isso, não muda. Agora então, a Copa do Brasil também fora "engordada"; absurdamente os clubes que disputaram a Libertadores puderam entrar nela também. Isso a desvaloriza. Sem contar os campeonatos estaduais que vem sendo minimizados a pré-temporadas, tendo sua relevância minimizada pelos dirigentes dos clubes. A lista é enorme! Assim, descontentes também, sem direito a férias ou descanso, os jogadores se uniram por melhores condições e fundaram o Bom Senso FC. Longe deles serem o ideal para a mudança que tem de ocorrer no esporte nacional, mas é um indicativo extremamente forte de que "do jeito que a coisa tá, num pode ficá".
Quem perde com tudo isso é, sobretudo, o público esportivo; que cada vez mais vai se afastando de uma paixão por descordar (e desconfiar) do que ocorre na parte interna. É o meu caso. Infelizmente.
Passou setembro, veio outubro; e o bagui ainda tá osso!
Sigo me revezando de uma casinha pra outra, esquecendo cueca numa, chinelo noutra, carregador de celular, caderno de escola... Já viu, né?
E nesse último final de semana do mês veio o auge da maré ruim: o ENEM. Adorei fazer a prova no ano passado, mesmo estando no segundo ano, e sem estudar, eu me saí até que bem. Dava pra entrar suave em vários cursos de humanas numas federais lá do nordeste. Aí neste ano, que eu tô no terceirão e estudando que nem um puto: minha inscriçao não confirma. Perdi a prova por alguma confusão na inscrição, na confirmação, nos dados, sei lá eu... Foda-se. Agora já foi. Só acho que daqui não piora mais, né? rs (assim que escrevi isso fui picado por um pernilongo bem no dedinho do pé, kkkk)
Enfim, o ano tá acabando, o ciclo tá se fechando. E eu ainda tô postando menos que gostaria aqui. Cada vez mais com vontade de me mudar de Pinda, de estudar jornalismo, de ganhar o mundo, de mandar a física e a química pra putaqueolpariu! Mas enquanto não posso, vou levando... Levando do jeito que dá, com aquele samba do Martinho na cabeça: "que a vida vai melhorar".
O mês 8 nunca foi lá um mês muito próspero pra mim. Não me lembro de nada muito bom que tenha acontecido nele. Já de ruim... rs
Este ano, já não bastasse o ritmo que eu tô de estudar manhã, tarde e noite; minha querida mãe vendeu a casinha que a gente morava. Justo em agosto.
Não mudei pra outra cidade, outro lugar, não. Mudei pra rua de trás. Mas com um detalhe: a casa tinha que ser inteirinha reformada. Sala virando quarto, cozinha virando lavanderia, banheiro no lugar da sala... mudou tudo. Aliás, estamos em setembro, e ainda tão subindo parede lá. Pra não parar os estudos nesse (quase) final de ano, fui pra hotel e finalmente pra casa do papai - do outro lado da cidade. Detalhe é que aqui não tem internet - a não ser do celular - , nem computador
Beleza, novas experiências, pá... Fazer o que? Até aí tudo bem, mas não bastando isso tudo, fiquei bem doente do fim de agosto até o começo de setembro. Aí fodeu todos meus planos de postar todo mês aqui (foi mal, pra quem acompanha).
Agora é matéria atrasada, sem meu computador, cheio de livro pra ler, e uma gripe que vai e volta. Mas tô aqui, firme e forte, completando um ano de blog. Vou seguir postando aqui sim, religiosamente... (ou seja, só de domingo, hahaha). Quando der, bater uma inspiração ou eu tiver sem porra nenhuma pra fazer (o que ultimamente tem sido beeeem difícil), eu venho cá escrever. Nem que seja só pra eu ler depois, e recordar.
Ahhhh o Chico...
Acostumado com suas brilhantes letras de música, fui ler um romance seu. E Francisco Buarque de Hollanda nada me decepcionou. Naturalmente já esperava bastante do livro, que realmente é muito bom. De uma linha quase que machadiana, traça-se um panorama crítico da história dos últimos 100 anos ocorrida no Rio de Janeiro.
A narração da obra é feita em primeira pessoa, por Eulálio Montenegro d'Assumpção, - um velhinho centenário e decadente. Eulálio, conta suas memórias em um leito de hospital. Já bastante debilitado, muitas vezes se confunde nas histórias contadas; trocando nomes, datas, lugares... A narrativa é totalmente "embaralhada". Como se o velhinho fosse relembrando sua vida aos poucos, de modo não-linear. E é assim como o próprio Eulálio conta suas histórias e planos para outra pessoa daquele quarto de hospital. O efeito gerado é realmente de um velho confuso e reclamão.
O livro derramado...
É narrada então a trajetória da família de Eulálio, que fora muito rica e influente na capital brasileira do século XIX, e que agora passou a viver numa favela carioca. Essa decadência é observada de maneira clara, de geração para geração. A família d'Assumpção foi se estendendo de maneira peculiar, cada vez mais pobre. Eulálio, que fora filho de um importante senador do início da república do Brasil, termina seus dias num hospital público e (obviamente) mal cuidado.
Apesar de racista, preconceituoso, machista, e detentor de outros predicados mais; consegui compreender a visão de Eulálio. Entender inclusive, sua desilusão amorosa por Matilde, único amor. Por fim, o idoso morre. De maneira triste. Como um copo de leite ao chão. Quase que no anonimato. Apenas junto de sua família - mesmo decadente - e das enfermeiras do hospital.
A obra é mais uma crítica (principalmente) às elites desde a época do Brasil imperial. Feita de maneira brilhante, tanto na forma quanto nas palavras, Chico conta tudo isso em poucas páginas de curtos capítulos. Livro gostoso, sem parágrafos, com um boa história e para se refletir a vida.
Pois é... Quem apostaria no título brasileiro da Copa das
Confederações, aqui em casa? E logo contra a poderosíssima Espanha! Eu apostava
sim...
Muita gente não acreditava no começo, mas logo mudou de lado ao
ver a seleção jogar bonito de novo. Felipão assumiu como treinador não faz
muito tempo, e ainda não tinha embalado. E o brasileiro sentia isso. Faltava
aquele belo futebol. Faltava a jogada que levanta a galera. Faltavam jogos
emocionantes. Faltavam belas vitórias. E faltava, claro; gol.
Teve de tudo isso e mais um pouco, aqui "em casa". Em
meio a uma onda de protestos e reivindicações ao longo de todo país, foi
disputada a Copa das Confederações; que trata-se de um evento da Fifa que reúne
as seleções campeãs dos torneios continentais + a campeã do mundo e o país
sede. Curiosamente: Espanha e Brasil. Mas jajá a gente fala um pouco mais sobre
essas duas aí...
Dentro dos estádios, festa. E do lado de
fora protesto e repressão.
A Copa começou no dia 15 de junho, em Brasília. E passou por
Salvador, Recife, Pernambuco, Fortaleza, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Ao
todo, participaram 8 seleções. 4 delas, eliminadas na primeira fase: México,
Japão, Nigéria e Taiti. Duas delas, México e Japão, jogaram muito bem e devem
voltar para a Copa do Mundo. Nigéria não jogou mal, mas precisa acertar a
pontaria. E o Taiti... bom; o Taiti viajou, conheceu o Brasil, levou certo(s)
(gols) aprendizado e conquistou a torcida. Restaram então nas semi-finais:
Brasil x Uruguai e Espanha x Itália.
Dois confrontos de seleções do mesmo continente. Dois confrontos
que possuem muita história.
O Brasil, que depois de três jogos e três vitórias, veio ganhando
confiança e reconquistando seu torcedor, chegou à semi como favorito. E quase
não passou. O Uruguai, que é velho conhecido nosso, e famoso por truncar e
catimbar as partidas; fez jogo duro, como não poderia deixar de ser. Fred
anotou um de canela. Júlio César, antes questionado como goleiro titular, agarrou
pênalti. O capitão Thiago Silva deu assistência pro gol de empate uruguaio. Mas
no final (sempre no final), Paulinho estava lá pra marcar, feito centroavante!
Brasil na final, em casa.
Neymar,
tentando encobrir o goleirão uruguaio Muslera. Não encobriu, mas deu em gol!
Do outro lado da chave; Espanha e Itália faziam um jogo bonito,
equilibrado. Lá e cá. A Itália tentava, mas não chegava com muito perigo. A
Espanha tinha o controle da bola, mas sequer chegava. Um 0 x 0 anunciado
no primeiro tempo. Na prorrogação até rolou uma bola na trave pra cada lado,
mas não teve jeito... Pênaltis! E um show de cobranças. Todos acertaram as 12
primeiras. Até que um italiano - sempre eles... - isolou, e botou a Espanha na
final. Ah se Mário Balotelli tivesse em campo... Mas não estava, e a Espanha
enfrentaria o Brasil, em pleno Maraca.
Antes, porém, houve a disputa de terceiro lugar. Jogão também.
Uruguai e Itália deram uma aula de cobranças de falta. Dois times
tradicionalmente retranqueiros que levaram a disputa para os penais. Na hora
das cobranças, brilhou toda a categoria e experiência do goleirão italiano
Buffon, que defendeu 3 cobranças do Uruguai. A azzurra é 3ª colocada. No mesmo
dia, só que mais à noite, no Rio de Janeiro, seria a vez da grande final. Logo
após a cerimônia de encerramento.
Enquanto escurecia, a expectativa já era grande por parte de cá.
Brasileiros; ora estavam esperançosos com o novo gás que este time tinha
tomado, ora eram subestimados pela grandeza do adversário. Mas ninguém subestima
campeão do mundo, amigão. Ainda mais o maior deles. O Brasil logo começou o
jogo com gol. Assim como fez em TODOS os outros jogos. E não teve espaço pra
Espanha. Não teve o tal tique-taque. Os espanhóis, los campeones del mundo, é que se
impressionaram com o tamanho do Brasil. Desde o Maracanã todo amarelo, passando
pela a torcida cantando o hino à capela. Ali o país marcava seu gol!
Iniesta até tentou, mas não deu, não. Pedro até iria fazer o gol,
mas David Luiz não permitiu, não. E de pênalti poderia sair o tento espanhol,
mas como disse um comentarista de televisão "pênalti mal marcado não
entra", não. E não entrou nada, não! A defesa se fechou como nunca. O meio
campo articulou como deve. E o ataque brilhou. Seja com Fred ou com Neymar, o
gol saiu. E não foi só um, não. Foram três. Três bolas na rede da seleção que
jogava o dito melhor futebol do mundo. A Espanha não teve vez.
Fora 93 ou 94 minutos intensos. Todos dominados pelo Brasil. Não
deu outra. Foi sim um jogo disputado. Mas não tinha como ser diferente. O
Maracanã comemorou o título lá dentro. E aqui fora o Brasil comemora aos poucos
às vitórias políticas. É, os tempos estão mudando novamente!
Lá dentro, inclusive, teve voluntário/manifestante, haha!
Conseguiram (brilhantemente, diga-se de passagem) levar uma faixa com os
seguintes dizeres "Imediata anulação da privatização do Maracanã".
(Acima, a foto.) Claro que a segurança da Fifa os retirou, mas valeu a
mensagem. Não sei se vão anular a privatização do Maraca, mas ficou no ar a
reivindicação justa. Ainda mais em tempos de "crise" para certos
endinheirados empresários cariocas.
A Copa das Confederações foi um sucesso. Por manifestações e pelo
título. O povo tá ligado agora, e a seleção também! Clima excelente para se
chegar em 2014: ano de Copa e de Eleição.
Não. Não sou filiado a partido político algum e não participei de nenhum protesto (até porque não moro nessas cidades onde a tarifa do busão subiu). Mas tô sim acompanhando esta manifestação "nacional" na questão do transporte público. E até por descordar de muita coisa que vi circular/ser comentada por aí sobre o assunto, resolvi fazer essa postagem.
Mesmo não morando em Sampa, conheço muitíssimo bem o transporte público de lá. Já perdi compromisso devido ao trânsito, já fiquei pra fora do metrô por dar mais de meia-noite e já peguei condução superlotada. Lembro-me de um dia que fui comprar um lanche num terminal da cidade, e faltaram algumas moedas. Pensei: "porra, se não fosse a grana do busão dava pra comprar..." Me contentei com uns pãozinhos de queijo. Voltei pra casa pensando: "será que vale mesmo três reais esse serviço?". Não vale!
Não vale porque é muito ruim. Quem utiliza diariamente o transporte público não vê a hora de juntar sua graninha e dar entrada num carro. Por isso a cidade pára! A equação é simples: transporte público de baixa qualidade + política de incentivo a compra de carros novos = congestionamento. Muito carro aonde não cabe, e às vezes não precisa. Aí vem neguin reclamar de gente que tá na rua... Ah, mano... Individualista é foda.
Sou totalmente à favor ao povo ir pra rua. Ao povo protestar. Ao povo manifestar sua opinião, mesmo que contrária a minha. Independentemente de polícia, mídia ou governo!
Cada um é livre né? Não é o que parece. De um lado policial trata manifestante que nem bandido. Do outro a mídia tenta fazer a população acreditar que eles realmente são bandidos. E de cima, o governador vai à mídia apoiar a ação da polícia militar. O pior é que tem gente que cai nessaí...
O tal do "confronto" divulgado na televisão
Vendo tudo isso, e revoltado com o jornalismo que é praticado por grandes veículos de comunicação daqui do Brasil, deparei-me com este artigo da Folha de S. Paulo, datado em 13/06/2013, na seção Tendências/Debates. Esse mesmo jornal, - que por ironia do destino teve uma repórter atingida por uma bala de borracha partida dum policial - têm deixado a entender que apoia tais medidas violentas tomadas pela polícia estadual. A Folha, no entanto, permitiu a publicação do artigo feito por líderes do MPL (Movimento Passe Livre), e, ao lê-lo, traduziu bem minha opinião à respeito do assunto. Bem argumentado, ele explica o porquê de não ser questão de só R$ 0,20.
Confira o texto abaixo, na íntegra:
"O modelo de transporte coletivo baseado em concessões para exploração privada e cobrança de tarifa está esgotado. E continuará em crise enquanto o deslocamento urbano seguir a lógica da mercadoria, oposta à noção de direito fundamental para todas e todos. Essa lógica, cujo norte é o lucro, leva as empresas, com a conivência do poder público, a aumentar repetidamente as tarifas. O aumento faz com que mais usuários do sistema deixem de usá-lo, e, com menos passageiros, as empresas aplicam novos reajustes. Isso é uma violência contra a maior parte da população, que como evidencia a matéria publicada ontem pelo portal UOL, chega a deixar de se alimentar para pagar a passagem. Calcula-se que são 37 milhões de brasileiros excluídos do sistema de transporte por não ter como pagar. Esse número, já defasado, não surgiu do nada: de 20 em 20 centavos, o transporte se tornou, de acordo com o IBGE, o terceiro maior gasto da família brasileira, retirando da população o direito de se locomover. População que se desloca na maioria das vezes para trabalhar e que, no entanto, paga quase sozinha essa conta, sem a contribuição dos setores que verdadeiramente se beneficiam dos deslocamentos. Por isso defendemos a tarifa zero, que nada mais é do que uma forma indireta de bancar os custos do sistema, dividindo a conta entre todos, já que todos são beneficiados por ele. Esse é o contexto que fez surgir o Movimento Passe Livre em diversas cidades do Brasil. Por isso há anos estamos empenhando lutas por melhorias e por outro paradigma de transporte coletivo. Neste momento, em que nos manifestamos em São Paulo pela revogação do aumento nas passagens, milhares protestam no Rio de Janeiro, além de Goiânia, onde a luta obteve vitória, assim como venceram os manifestantes de Porto Alegre há dois meses. O impacto violento do aumento no bolso da população faz as manifestações extrapolarem os limites do próprio movimento. E as ações violentas da Polícia Militar, acirrando os ânimos e provocando os manifestantes, levaram os protestos a se transformar em uma revolta popular. O prefeito Fernando Haddad, direto de Paris, ao lado do governador Geraldo Alckmin, exige que o movimento assuma uma responsabilidade que não nos cabe. Não somos nós os que assinam os contratos e determinamos os custos do transporte repassados aos mais pobres. Não somos nós que afirmamos que o aumento está abaixo da inflação sem considerar que, de 1994 para cá, com uma inflação acumulada em 332%, a tarifa deveria custar R$ 2,16 e o metrô, R$ 2,59. Além disso, perguntamos: e os salários da maior parte da população, acompanharam a inflação? A discrepância entre o custo do sistema e o quanto, como e quando se cobra por ele evidenciam que as decisões devem estar no campo político, não técnico. É uma questão de escolha: se nossa sociedade decidir que sim, o transporte é um direito e deve estar disponível a todos, sem distinção ou tarifa, então ela achará meios para tal. Isso parcialmente foi feito com a saúde e a educação. Mas sem transporte público, o cidadão vê seu acesso a essas áreas fundamentais limitado. Alguém acharia certo um aluno pagar uma tarifa qualquer antes de entrar em sala de aula? Ou para ser atendido em um posto de saúde? Haddad não pode fugir de sua responsabilidade e se esconder atrás do bilhete mensal, proposta que beneficiará poucos usuários e aumentará em mais de 50% o subsídio que poderia ser revertido para reduzir a tarifa. A demanda popular imediata é a revogação do aumento, e é nesses termos que qualquer diálogo deve ser estabelecido. A população já conquistou a revogação do aumento da tarifa em Natal, Porto Alegre e Goiânia. Falta São Paulo."