Cola cum Fróis

Escrevo pela necessidade de me livrar das palavras | @_dudufrois

sábado, 15 de junho de 2013

Protestos (não só) em São Paulo

Não. Não sou filiado a partido político algum e não participei de nenhum protesto (até porque não moro nessas cidades onde a tarifa do busão subiu). Mas tô sim acompanhando esta manifestação "nacional" na questão do transporte público. E até por descordar de muita coisa que vi circular/ser comentada por aí sobre o assunto, resolvi fazer essa postagem. 

Mesmo não morando em Sampa, conheço muitíssimo bem o transporte público de lá. Já perdi compromisso devido ao trânsito, já fiquei pra fora do metrô por dar mais de meia-noite e já peguei condução superlotada. Lembro-me de um dia que fui comprar um lanche num terminal da cidade, e faltaram algumas moedas. Pensei: "porra, se não fosse a grana do busão dava pra comprar..." Me contentei com uns pãozinhos de queijo. Voltei pra casa pensando: "será que vale mesmo três reais esse serviço?". Não vale!

Não vale porque é muito ruim. Quem utiliza diariamente o transporte público não vê a hora de juntar sua graninha e dar entrada num carro. Por isso a cidade pára! A equação é simples: transporte público de baixa qualidade + política de incentivo a compra de carros novos = congestionamento. Muito carro aonde não cabe, e às vezes não precisa. Aí vem neguin reclamar de gente que tá na rua... Ah, mano... Individualista é foda.

Sou totalmente à favor ao povo ir pra rua. Ao povo protestar. Ao povo manifestar sua opinião, mesmo que contrária a minha. Independentemente de polícia, mídia ou governo!

Cada um é livre né? Não é o que parece. De um lado policial trata manifestante que nem bandido. Do outro a mídia tenta fazer a população acreditar que eles realmente são bandidos. E de cima, o governador vai à mídia apoiar a ação da polícia militar. O pior é que tem gente que cai nessaí...


O tal do "confronto" divulgado na televisão


Vendo tudo isso, e revoltado com o jornalismo que é praticado por grandes veículos de comunicação daqui do Brasil, deparei-me com este artigo da Folha de S. Paulo, datado em 13/06/2013, na seção Tendências/Debates. Esse mesmo jornal, - que por ironia do destino teve uma repórter atingida por uma bala de borracha partida dum policial - têm deixado a entender que apoia tais medidas violentas tomadas pela polícia estadual. A Folha, no entanto, permitiu a publicação do artigo feito por líderes do MPL (Movimento Passe Livre), e, ao lê-lo, traduziu bem minha opinião à respeito do assunto. Bem argumentado, ele explica o porquê de não ser questão de só R$ 0,20.

Confira o texto abaixo, na íntegra:

"O modelo de transporte coletivo baseado em concessões para exploração privada e cobrança de tarifa está esgotado. E continuará em crise enquanto o deslocamento urbano seguir a lógica da mercadoria, oposta à noção de direito fundamental para todas e todos.

Essa lógica, cujo norte é o lucro, leva as empresas, com a conivência do poder público, a aumentar repetidamente as tarifas. O aumento faz com que mais usuários do sistema deixem de usá-lo, e, com menos passageiros, as empresas aplicam novos reajustes.

Isso é uma violência contra a maior parte da população, que como evidencia a matéria publicada ontem pelo portal UOL, chega a deixar de se alimentar para pagar a passagem. Calcula-se que são 37 milhões de brasileiros excluídos do sistema de transporte por não ter como pagar. Esse número, já defasado, não surgiu do nada: de 20 em 20 centavos, o transporte se tornou, de acordo com o IBGE, o terceiro maior gasto da família brasileira, retirando da população o direito de se locomover.

População que se desloca na maioria das vezes para trabalhar e que, no entanto, paga quase sozinha essa conta, sem a contribuição dos setores que verdadeiramente se beneficiam dos deslocamentos. Por isso defendemos a tarifa zero, que nada mais é do que uma forma indireta de bancar os custos do sistema, dividindo a conta entre todos, já que todos são beneficiados por ele.

Esse é o contexto que fez surgir o Movimento Passe Livre em diversas cidades do Brasil. Por isso há anos estamos empenhando lutas por melhorias e por outro paradigma de transporte coletivo. Neste momento, em que nos manifestamos em São Paulo pela revogação do aumento nas passagens, milhares protestam no Rio de Janeiro, além de Goiânia, onde a luta obteve vitória, assim como venceram os manifestantes de Porto Alegre há dois meses.

O impacto violento do aumento no bolso da população faz as manifestações extrapolarem os limites do próprio movimento. E as ações violentas da Polícia Militar, acirrando os ânimos e provocando os manifestantes, levaram os protestos a se transformar em uma revolta popular.

O prefeito Fernando Haddad, direto de Paris, ao lado do governador Geraldo Alckmin, exige que o movimento assuma uma responsabilidade que não nos cabe. Não somos nós os que assinam os contratos e determinamos os custos do transporte repassados aos mais pobres. Não somos nós que afirmamos que o aumento está abaixo da inflação sem considerar que, de 1994 para cá, com uma inflação acumulada em 332%, a tarifa deveria custar R$ 2,16 e o metrô, R$ 2,59.

Além disso, perguntamos: e os salários da maior parte da população, acompanharam a inflação?
A discrepância entre o custo do sistema e o quanto, como e quando se cobra por ele evidenciam que as decisões devem estar no campo político, não técnico. É uma questão de escolha: se nossa sociedade decidir que sim, o transporte é um direito e deve estar disponível a todos, sem distinção ou tarifa, então ela achará meios para tal. Isso parcialmente foi feito com a saúde e a educação. Mas sem transporte público, o cidadão vê seu acesso a essas áreas fundamentais limitado. Alguém acharia certo um aluno pagar uma tarifa qualquer antes de entrar em sala de aula? Ou para ser atendido em um posto de saúde?

Haddad não pode fugir de sua responsabilidade e se esconder atrás do bilhete mensal, proposta que beneficiará poucos usuários e aumentará em mais de 50% o subsídio que poderia ser revertido para reduzir a tarifa.

A demanda popular imediata é a revogação do aumento, e é nesses termos que qualquer diálogo deve ser estabelecido. A população já conquistou a revogação do aumento da tarifa em Natal, Porto Alegre e Goiânia. Falta São Paulo."

domingo, 26 de maio de 2013

Sim, a Cultura ganhou!

Há exatos 7 dias ocorria em Sampa, principalmente no centrão, a Virada Cultural da cidade. Evento semelhante ocorre agora em outras cidades do estado. Na mídia o que saiu da Virada, foi violência. Foi arrastão, morte, tiro e briga.Talvez pela mudança na prefeitura. Ou talvez pelo maior espaço dado pra cultura de rua. Não vou dizer que isso não houve, porque conheço gente que presenciou muita coisa lá. Mas eu propriamente não vi. Vi treta, claro, mas que infelizmente ocorre em quase todo evento popular. 

Essa repercussão negativa (e tendenciosa) na imprensa em geral mostra nada mais do que a realidade da cidade de São Paulo hoje. Se num lugar onde a violência aparece diariamente em forma de mortes e assaltos, não é no maior evento gratuito que isso iria desaparecer. Falta segurança sim. Mas não na Virada do dia 18 pro dia 19 de maio propriamente,. Falta segurança em todas as outras 364 viradas também. Afinal, quem se sente seguro numa madrugada de Sampa? E eu acho que mais e mais polícia não é nenhuma solução.

Como eu não vim aqui falar sobre segurança pública na cidade de São Paulo, eu digo sim que a Virada foi excelente. Excelente pra cultura, pra música, pro centro, pro povo e pros artistas também. Como o próprio nome diz; foi a Virada CULTURAL. Um dia inteiro para espalhar cultura pela cidade. 24 horas de atrações gratuitas por aí. 


Cortejo que ocorreu pelas ruas do centro.

Tinha de tudo. Tinha até alguns palcos que eu não achava nem um tanto quanto "culturais". Mas o povo gosta disso também. E tinha teatro, tinha cinema, tinha intervenção urbana, tinha sarau, tinha rock, brega, rap, samba, mpb... Tinha gente! Muita gente! Dizem que cerca de 4 milhões de pessoas. Cada um de seu lugar, cada um com sua história. Acho que foi a maior diversidade que eu já vi. 

Vi na mesma esquina o prefeito da cidade e um morador de rua marxista e totalmente bêbado. Vi um catador de latinhas descalço dançar sertanejo com um sujeito todo bem vestido, e que até deixou a mulher de lado. Depois apareceu um menino de mircoshorts que pegou a latinha de cerveja cheia do tal catador e saiu rindo. Quase deu briga. Do meu lado Nelson Triunfo conversava com fãs, do outro uns moleques subiam na marquise de um prédio com latinhas de spray. Na minha frente caminhava a protagonista da novela das 21h que passou tempos atrás na tv. Do outro lado da rua, 10 ou 15 meninos corriam de alguma coisa. E todo tipo de droga rolava livremente. Naquele dia pelo menos, tudo era legalizado. Ninguém reprimia ninguém pela droga que usava. O cenário era realmente diverso. Realmente multicultural.

Só acho que essa superconcentração no centro atraiu tanta gente, que dificultou o acesso a várias atrações. Andar na rua ás vezes era difícil. E olha que o palco mais próximo ficava à uns três quarteirões. Acredito que nas quebradas da cidade tem muita praça legal, tem muito espaço legal, que pode servir perfeitamente de palco pra algum evento. Acho maravilhoso ocupar o centro, mas tem que ter também a opção pra quem não quer sair do seu bairro. Nem que sejam essas tais pistas eletrônicas. Fica a sugestão aí. 

Show dos Racionais na tarde de domingo

Agora em relação aos shows que eu fui, só tenho uma coisa a dizer: foda! Foda ver Rappin' Hood cantar rap e samba praquela multidão. Que swing legal que rolou, que balanço gostoso. Foda também era ver a Rio Branco pulsar RAP. O espaço era do RAP. E ver Edi Rock envolver geral em plena madrugada também é foda. Foda eram os sarais que rolavam em torno do viaduto Sta. Efigênia. E o Z'áfrica Brasil então? PEI! O teatro na Roosvelt também foi foda, apesar do atraso e do som extremamente alto. Foda mesmo era o palco Julio Prestes! Pegar um pouco de Sérgio Reis foi muito bom aquela hora da manhã... Mas ver Criolo e Racionais MC's passando aquela mensagem pro povão... Ah, aquilo sim era foda. Aquilo sim é cultura pro povo. Aquilo sim é a cara de São Paulo. Aquilo sim é a Virada Cultural. E aquilo não pode ter sido tão ruim assim como eu vi dar no noticiário dia seguinte. 

O que fica do evento sem dúvidas é o poder que o povo tem. É que a gente dessa cidade é muito maior do que a grandeza de seus prédios e avenidas. Como é bom ver o povo na rua, sem pressa, sem stress de trabalho. O lugar do povo é na rua, e o da cultura também. Não só na virada cultural. Sempre que possível a população deve ir ás ruas. Sempre que possível a cultura tem que ser passada pra frente. Sem medo. O ano todo! Ah se o povo soubesse o poder que têm...

Por fim, deixo abaixo a música que ouvi tocar duas vezes na virada, e que seu refrão ficou grudado na minha cabeça (junto com a fumaça alheia pela qual estou tossindo até agora) durante uma semana. Sente a só vibe:
 

domingo, 28 de abril de 2013

Til... Til... Til...

Renomada obra de José de Alencar, confesso que só fui ler Til por integrar a lista da Fuvest. E não me arrependi não. Apesar de tudo, vale a leitura.

Um livro do Romantismo nacional, e que tem seu cenário bem interiorano... Se passa na região de Campinas/SP, lá por meados do século XIX. É contada a história de 4 jovens do local, sobretudo a de Berta. Uma moça muito bonita e extremamente bondosa. Típica mocinha. Há algumas personagens mais interessantes na trama, que tentam quebrar o clima bucólico e sereno do campo, como: Jão Fera, Brás e Zana. Porém essa literatura vagarosa arrasta-se por boa parte da obra.

O primeira parte é, sem dúvidas, a mais cansativa. O tempo na história teima em demorar a correr. O narrador descreve exaustivamente o passar do tempo na região. As paisagens que se misturam com repetitivas ações do personagens podem afastar o leitor a princípio. O vocabulário difícil que nele é empregado, tampouco atrai o leitor. O enredo se desenvolve bem lentamente, mas de maneira sábia. Os detalhes envolvidos capítulo a capítulo começam a fazer um sentido geral no contexto.

Capa de uma das edições do livro.


O livro só fica interessante mesmo na segunda e última parte. Do meio pra frente são episódios curiosos, que desenlaçam a história vagarosa rumo ao final. O amor é colocado como fator principal. Idealizado, faz jus ao romantismo em que o livro se enquadra. Chamam atenção os títulos, muito bem dados por sinal, aos capítulos curtos da história. José de Alencar soube escrevê-la cuidadosamente bem. Construiu um molde invejável, apesar de truncar a leitura em determinadas passagens.

Claro que a obra é boa, de muita qualidade. Mas o romantismo desta época chega a me enjoar. Não sei se por gosto próprio, ou pelo fato de a maioria dos livros que as escolas e vestibulares abordam em suas provas são desta escola literária. Acho que a literatura nacional é muito rica pra estacionar no século XIX. Seria bom reservarem vagas também pra essa nova escola que vem chegando aí. Acho que nessa biblioteca de colégios e concursos cabem todos!

O romance se finda com esta máxima, que particularmente achei genial: "Como as flores que nascem nos despenhadeiros e algares, onde não penetram os esplendores da natureza, a alma de Berta fora criada para perfumar os abismos da miséria, que se cavam nas almas, subvertidas pela desgraça."

 Era a flor da caridade, alma sóror!

domingo, 21 de abril de 2013

Tem bagunça!

Uma bagunça!
Assim que acordei hoje...
Levantei da cama já tropeçando em livros,
derrubando cadernos.
Aliás, cadernos e livros é o que não faltam agora.
Espalhados dentre a estante,
a mesinha,
o chão,
e até em cima do dvd.
Tem prato aqui do lado,
copo na janela,
e muita... muita roupa perdida no quarto.
O computador dormiu ligado.
Tem musicas pausadas no meio:
vai de KRS One à Jamelão.
Tem um vídeo de 40 min pra ver,
e um filme que nem comecei.
Uma pá de aba do navegador aberta:
site do Senado,
da Carta Maior,
e uma reportagem do Estadão...
Não comecei a ler nenhum deles.
Skype no ausente.
Fora o livro do Chico Buarque que tá em cima da cama,
Pronto pra sair do segundo capítulo.
Ah, acabei de lembrar o porquê de toda zona!
Tenho que fazer tarefa, fazer trabalho...
Mas onde é que eu deixei minha apostila do cursinho mesmo?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

1º de Abril de 2013

A exatamente 49 anos atrás, era dado o tal Golpe Militar. Coincidência, ou não, também numa segunda-feira. 

Hoje... Acordei em Poços de Caldas. Cidade em que tenho família, e já até morei. No frio de sempre, levantei cedinho pra logo voltar de lá. Peguei o ônibus. Tentei dormir, mas não rolou. 

Acordei já quase no fim da viagem. Não sei se por ironia do destino, mas perdi o sono ao chegar em Campinas. Cidade em que nasci. Não desci. O ônibus deu uma puta volta na cidade, foi a rodoviária e retornou. 

A direção era São Paulo. Outra cidade que tenho parentes, bons amigos e uma forte ligação. Do terminal Tietê já emendei um outro busão. 

E de Sampa, vim pra Pindamonhangaba. Cidade onde moro, e vos falo. Desci aqui quase no final da tarde.

Meu 1º de Abril foi quase todo na estrada. Meu 1º de Abril foi, sem querer, uma junção dos "meus" lugares. E não teve nada de descanso!

Uma segunda-cheia. Mesmo sendo feriado. Mesmo sendo "juntada" com a páscoa. O mês mal começou, e eu já to cheio de coisas pra fazer. Cada vez com menos tempo. É 2013 tomando seu rumo... Mas se não tiver bom assim, eu paro na hora. 

E por falar em páscoa: perguntei assim que cheguei aqui ao meu pai, onde ele havia passado o domingo de páscoa. Ele me respondeu com outra pergunta, que eu não soube responder: "E o que que é páscoa?".

E olha meu dia 1º se estendendo ao dia 2... Abriu!

domingo, 17 de março de 2013

Meu Balanço do Carnaval 2013

Passado um mês dos desfiles de carnaval de sampa, venho só agora fazer meu balanço. Sim, é falta de tempo. Mas a gente sempre dá um jeitinho aqui. Então vamo lá...

Carnaval esse que criou certa expectativa, mas que o público em geral dava-o como previsível, e com resultado (antes mesmo dos desfiles) semelhante ao dos últimos anos.

As escolas desfilaram. E muito bem. TODAS passaram legal. Do especial ao acesso. Um nível de longe, superior ao do ano passado. Acho que enredos e sambas variaram entre bons e ruins. Já as escolas, individualmente, conseguiram elevar um nível entre a mescla de empolgação e brilho. Claro que o saldo é positivo!


Irreverente abre-alas da Acadêmicos do Tucuruvi

Destaques:
O grande destaque pra mim, em termos de desfile completo, foi a Tucuruvi. O Zaca ganhou minha simpatia com esse tema, e veio muito bonita. Simples, alegre, animada. Um desfilaço, com tudo que precisava. Dragões da Real surpreendeu-me no primeiro dia. O samba deu certo, e a escola estava muito quente. Daniel Collête contribuiu bastante pra isso. E o terceiro maior destaque do ano pra mim, fica com a Águia de Ouro, que tinha o melhor samba, e uma das mais bem executadas batucadas da cidade. O desfile foi excelente. O enredo deu certo. O horário de desfile só ajudou. A comunidade passou leve, e muito pra cima. Vale incluir também a correta apresentação da Terceiro Milênio, no Grupo de Acesso, que desfilou como "gente grande".

Pela televisão vi certa parte do carnaval de Vitória e do Rio. Boa Vista e Vila Isabel foram meus destaques. Dois sambas que merecem ser ouvidos ao longo do ano.

Foi sim um carnaval de vários erros, mas de um acerto no geral. Acerto na qualidade, na alegria que o samba carrega. Sendo agora um pouco mais técnico, digo que o melhor visual do carnaval foi da Rosas de Ouro. Por sua vez, em termos de dança, acredito que ninguém tenha superado Mocidade Alegre. E por fim, no canto, Águia de Ouro brilhou mais do que as outras. Coincidência ou não, eis aí o nome das três primeiras colocadas do carnaval.

Parabéns ao título da Mocidade Alegre. Belo desfile.

Sobre o julgamento, digo que não sou à favor das notas decimais. Tira-se muito da pontuação técnica, e esvazia por consequência o julgamento do jurado. Se quiser discutir melhor o assunto, chama nos coments. Neste post, só apontei que não concordo com a forma julgada. E essa forma acarretou notas muito altas este ano. A apuração toda praticamente variou de 9,7 à 10. No mínimo para ser revisto, não? Fora os descartes, que também não os acho necessário.



Encerramento do desfile da Águia de Ouro


Mas o ponto principal que eu queria dizer aqui, foi a forma como julgaram os quesitos, principalmente samba-enredo. Uma chuva de 10. Nos outros quesitos eu até entendo alguns 10, o jurado pode não ter visto o que eu vi, a escola compensou ao longo da apresentação, e blá-blá-blá... Mas em samba, não concordo mesmo. Olhem essas obras! Algumas de muitíssimo bom gosto, outras nem tanto. E isso deveria sim fazer a diferença. Um samba bom não pode se equiparar, em momento algum, a um samba ruim. Se não acaba o diferencial de determinada escola que tenha uma forte ala de compositores. Samba-enredo deveria ser julgado como obra, não como música adequada ou não ao tema do desfile. Já até saíram as justificativas, mas eu não as li por completo. E se eu fosse ler, não iria tirar minha dúvida sobre o porquê de praticamente todas as escolas levarem o 10, uma vez que as notas máximas não precisam de justificativa.

O resultado geral, foi pra alguns surpreendente. Pra outros justíssimo. Eu, não concordei com a ordem; assim como não concordei ano passado, e não concordei ano retrasado, e não vou concordar em 2014. É ponto de vista. Eu assisti de um lugar, vi um carnaval. O jurado, da cabine viu outro. De outra arquibancada, o ponto de vista também foi diferente do meu e do jurado. Agora quem assistiu da televisão, e quer dar opinião técnica nisso e naquilo... tsc,tsc


Os Esfarrapados fazendo (bastante) barulho, rs

O que importa é que carnaval é festa rapazeada. Mesmo que quando você deite pra descansar, depois de uma madrugada de pé, um bloco de carnaval te "convide" pra foliar na rua... hahaha. Alegria!
Ano que vem, nóiz tamo aê, bebendo de novo. Ouvindo mais samba. Virando madrugada. Tomando chuva... Aaaaaaah, este ano foi meu primeiro desfile, pelo meu Camisa Verde. E é fantástico. Recomendo aí pra quem tiver curiosidade. E sim, ano que vem estou lá novamente.
Na arquibancada, na avenida, na rua, ou jogado na calçada.
Independente de colocação da escola do coração, o importante é se divertir com certa responsabilidade... E fazer, com toda a certeza, que o seu próprio carnaval seja melhor do que o do ano passado. Todos os anos.

domingo, 10 de março de 2013

Não entendo novelas...

Eu, definitivamente não entendo as novelas. Não falo do contexto, da história propriamente. E sim de tudo que ela engloba. Não vou nem discutir alienação. Particularmente, eu não gosto de novela. Não costumo assistir. Mas por ter uma mãe que não perde um capítulo de nenhuma das três, acabo acompanhando "sem querer". E é justamente por essa audiência à contra gosto, que acabo percebendo o quanto esse meio de entretenimento é vazio.

Ontem, assisti "por cima" o último capítulo de Lado a Lado. Não acompanhei a novela também. Mas sempre via algumas cenas "de relance". O que me atraía na novela, era ouvir daqui do quarto aquela trilha sonora de muito bom gosto. De Martinho da Vila, Noel Rosa, até um belíssimo samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, que simplesmente era a abertura da novela. Fui aos poucos prestando atenção no contexto histórico da trama. Tratava-se de uma época interessante da história brasileira (logo após a abolição da escravatura/proclamação da república), e que não costuma ser muito citada. Deram um jeitinho de juntar vários acontecimentos relevantes da época, aliando-os ao personagem principal, interpretado por Lázaro Ramos.


Parte do elenco

Além de bom enredo, trilha sonora, contexto histórico e um bom elenco; eu vi uma linha cenário/figurino muito bem realizada. Era sem dúvidas uma novela diferente! E não foi só eu que achei isso não. Ouvi, e li críticas à favor da trama. Sempre elogios feitos como se fossem sobre um bom filme. Porém isso não pareceu ser o bastante. Vi sempre também, a imprensa em cima, dizendo que não rendia audiência, que não estava dava ibope. E realmente, em termos de público, foi uma das piores novelas da Globo nos últimos anos. Aí que eu fiquei sem entender porra nenhuma. Quando a obra é relativamente boa, bem feita; não há retorno dos telespectadores. Mas quando botam uma Carminha qualquer, fazendo maldades feito uma bruxa de contos de fada, a audiência bate recordes!

Talvez o público de novelas não seja lá muito interessado em história. Ainda mais história do Brasil. Talvez a audiência toda foi pro Datena, já que a "realidade" sensacionalista rende ibope. Ou então essa Malhação deve estar tão chata, que no horário a tevê desligada não seria má ideia.



Casal protagonista 

Como toda novela, o final é sempre "o mesmo". Casamento, morte, sorrisos e lágrimas! Não necessariamente nesta ordem. O que fica da trama, apesar dos pesares, é a mensagem de liberdade. Que muita coisa mudou nestes últimos 100 anos. Mas ainda há muito ainda por ser mudado. E brilhantemente, colocaram o samba-enredo de 1989 da Imperatriz para sintetizar esse assunto. O samba diz por si só. É completo, e acredito eu que é ainda mais famoso do que o hino da Proclamação da República. Só faltou sair do casamento lá, a bateria Swing da Leopoldina e geral cair no samba... Pensando bem, acho que daria briga pra ver quem ia puxar o microfone principal. rs

Enfim, não entendo novelas.

Ahhhhhh, e pra quem não ouviu o sambão da Imperatriz, ou quer ouvir novamente. Clicaí:


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Primeira Reportagem

Foi no fim do ano passado, ou no comecinho deste, que vi no caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, uma bela matéria sobre a antiga série de livros Vaga-Lume, da editora Ática. Apesar de não ser da minha geração, me familiarizei com algumas das obras que foram citadas na reportagem. Lembro de ter lido quando criança uns 3 ou 4 livros da série, mas não me recordava da história de nenhum deles especificamente.

Na semana seguinte, arrumando uns papéis, revistas e cadernos pelo quarto, me deparei com a conhecida capa dos livros da série Vaga-Lume. Quem diria, eu tinha um exemplar comigo... Talvez já o tivesse lido também. Mas não lembrava dessa história: A Primeira Reportagem.


O livro é curtinho, gostoso, e vai fácil em 1 semana. Eu enrolei para começar a leitura, tinha coisa pra resolver, fui adiando... adiando... até que peguei pra ler, e quando vi, já tinha lido. A narrativa é interessante, e se passa em São Paulo. Tem como protagonista um jovem, que inicia a carreira de jornalista e logo vive uma aventura. Há também outras personagens curiosas, que dão o contexto da história.

O único porém fica na linguagem empregada, um pouco incomum às crianças (pelo menos as de hoje).  Mas o texto é tão feliz em seu enredo, que nos permite devorá-lo. Um roteiro bem construído, bem escrito. Méritos ao Sylvio Pereira. Um livro feito filme de suspense, mas com a magia das palavras.

Indicado não só às crianças. É também pra quem gosta de recordar a infância, e a simplicidade que ela é. Tal qual um livro de 96 páginas, repleto de imagens. Com aquele cheirinho particular de papel velho...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Vai Passar no Carnaval Paulista - Sábado

Na segunda noite de desfiles pelo sambódramo paulistano, desfilam a outra metade de escolas do Grupo Especial. É mais show que vem por aí... Mais samba... Mais alegria... Mais emoção... E a porra toda! É carnaval!!!

Abaixo as escolas desfilantes no sábado, dia 09:

"Da Revolta dos Búzio a Atualidade. Nenê Canta a Igualdade."

Com um tema nobre e bem válido para o carnaval, a Nenê de Vila Matilde abrirá a noite de sábado. A Vila voltou! Sem dúvidas um dos melhores sambas do ano. Mesmo assim não chega a ser um samba muito bom. Não parece ter a essência da escola. O enredo é ótimo. Cantará a igualdade, e confesso estar curioso para conferir o que será lembrado pelos carnavalescos. No visual a escola aparenta ter se aprimorado. Fantasias lindas, e carros de bom gosto devem desfilar na avenida. Em harmonia a escola mostra um de seus fortes. O único porém vai para a evolução, que pelos ensaios se via a necessidade de uma melhor organização para não perder pontos no dia. Tudo isso embalados ao som da Bateria de Bambas, uma das mais famosas da cidade. E que bateria! Afiadíssima para esse carnaval. Outro ponto alto é o carro de som que traz diversos intérpretes de qualidade, mesclando a juventude com a experiência. Casal e comissão de frente também são bons. A Zona Leste aguarda um grande desfile, pra afastar o fantasma do Grupo de Acesso. Está nas mãos da comunidade da escola conseguir permanecer na elite. Quem sabe a águia consiga alçar grandes vôos nesse carnaval...

"Ser Fiel é a Alma do Negócio"

Depois de um bom enredo, vem um nem tanto. A Gaviões da Fiel Torcida leva a publicidade ao sambódramo do Anhembi. Não acho a combinação muito boa. O samba de enredo é a consequência disso. Um samba frio e burocrático. Não será desta vez que veremos novamente a Gaviões levantar as arquibancadas de ponta a ponta. O primeiro casal dos Gaviões é muito bem elogiado. A comissão de frente costuma apresentar boas surpresas. Fantasias são bonitas nos protótipos, e assim espero que sejam as alegorias de Max Lopes. O principal atrativo é sem dúvidas a bateria Ritmão. Batucada de qualidade, e que vem sendo reconhecida através das notas. Em harmonia a escola geralmente passa muito bem, porém o quesito evolução parece dar calafrios nos torcedores. Todo ano a evolução vem levando pau dos jurados. Eu espero um desfile muito bonito, mas não resultados. Sempre ponho a Gaviões correndo por fora. Esse ano não. O campeonato é bem improvável, assim como uma queda. Esse samba não me desce...

"A Sedução me Fez Provar, me Entregar à Tentação... Da Versão Original, Qual Será o Final?"

Assim como o samba de enredo da escola acima não me desce, o enredo desta também não. É o lúdico do carnaval, mexe com a imaginação, sai do comum... Legal! Mas acho que exageraram no tom. Não sei, não vi o desfile pra saber. Só vou ter certeza quando a escola passar. Talvez ela mude minha opinião. O samba saiu no mesmo estilo dos outros anos que a escola trouxe enredos abstratos. Regular. Apenas isso. Não é empolgante, mas a comunidade é. E é até de mais. Uma das comunidades mais fortes do carnaval, facilitando todo ano a nota dez em harmonia e evolução. Outra marca da escola é a bateria. Literalmente Ritmo Puro. Uma delícia de se ouvir perfeitamente cada instrumento. Sem exageros, a escola costuma fazer a diferença também em sua plástica. Alegorias boas, sem a mania paulista de grandiosidade. Fantasias seguindo a mesma linha. Por fim temos dois quesitos sem tanta garantia assim. Os únicos da escola. A comissão de frente que sempre vinha sendo penalizada por detalhes diferentes a cada desfile. E o casal de mestre-sala e porta-bandeira, em que ela faz sua estreia como primeira. No ensaio que vi, não senti tanta firmeza por parte dela. É a sempre favorita Mocidade Alegre. Atual campeã do nosso carnaval. Será uma apresentação curiosa. Deverá desfilar bem alegre, mas com esse samba as arquibancadas provavelmente não irão se manifestar. Azar deles.

"Parque dos Desejos - O Seu Passaporte para o Prazer"

Outra viagem carnavalesca. Outro carnavalesco de imaginação fértil. Dessa vez camuflaram um patrocínio de uma fabricante de camisinhas no meio. O samba saiu um tanto diferente. É até envolvente, com bons versos. Mas também mistura versos de gosto duvidoso. O carnaval da escola, plasticamente, não tem um histórico de primar pelo capricho nas composições. Nas fantasias deste ano acho que faltou também criatividade. A bateria geralmente vem bem. Com uma cadência gostosa, destacando os instrumentos agudos/agudíssimos. O carro de som é muito bem puxado por Renê Sobral. A Tom Maior apresentou uma boa evolução em ensaios, com uma harmonia que poderia melhorar ainda. O primeiro casal é bem elogiado em São Paulo, e a comissão de frente foi um dos destaques da escola no ano passado. A Tom tradicionalmente faz um carnaval mais simples, sem luxo. O forte são os quesitos de "chão". Não sei se esse samba vai conseguir levantar o tal "chão" da escola. Acredito que o enredo não ajude muito. Vou ter a certeza apenas assistindo o desfile. Acho difícil uma colocação superior a deste, e conforme o desempenho de sua comunidade, há até um risco de queda ao segundo grupo. Mas esse pessoal aí adora surpreender quem faz previsão antes do grande dia...

"Made in Korea - 50 Anos de Imigração Coreana no Brasil"

A quinta escola a desfilar será a Unidos de Vila Maria, trazendo a Coréia do Sul para o Anhembi. Acho bacana fazer enredo sobre outras culturas importantes, mas esse aí não me parece trazer nada de novo. Não há um motivo em especial para falar da imigração coreana (a não ser o patrocínio da escola), que nem numerosa foi no Brasil. É mais uma propaganda do país para São Paulo. O samba também não me agrada. Meio quadrado, também sem brilho. A bateria sim é um ponto alto na Vila. A batucada já era de qualidade antes, mas faltavam alguns acertos. Com a chegada de mestre Moleza, que até trocou a batida de caixa, a cadência teve uma sonora melhora. Primeiro mestre-sala e porta-bandeira esbanjam simpatia ao bailarem. No entanto até hoje não compreendi direito a comissão de frente da escola, ano passado. No visual digo que não sou muito fã dos últimos trabalhos do Chico Spinoza, principalmente se tratando de fantasias. Harmonia parece ser o forte da comunidade da Zona Norte, cantando muito nos ensaios. Houve inclusive uma melhora na distribuição das alas. Veremos se o mesmo ocorre no dia oficial, que pra mim ainda fica distante do caneco. A Vila Maria sempre ronda os desfiles das campeãs. Esse ano o páreo é duro, mas potencial para entrar entre as cinco ela já mostrou ter de sobra. Aprendi com esta escola em carnavais passados a não criar muita expectativa. E é isso que estou fazendo.

"Mazzaropi: o Adorável Caipira, 100 Anos de Alegria"

Literalmente, "sai da frente a alegria vai passar". A alegria vai passar porque a Tucuruvi vem alegre pra cantar este enredo. E sai da frente, pois eles vêm com tudo. Um samba lindo, engraçado e irreverente. A cara do homenageado. Que aliás, este sim é um centenário que merece virar tema de carnaval. O samba além de bom, é "pra cima". O que vai facilitar o canto e dança de seus desfilantes. E é justamente na harmonia que o Zaca tem seu "calcanhar de aquiles". Quem quer ser campeão não pode perder tantos décimos em harmonia. Em evolução a escola tem progredido bastante, mas ainda há o que melhorar. O verdadeiro destaque da escola da Norte, vem de sua conhecida comissão de frente, que está mal acostumada a tirar dez. O casal também vem tirando boas notas. Em questão plástica, a Acadêmicos do Tucuruvi também está evoluindo a cada ano. Os protótipos de fantasias são simples, pois o enredo permite isso. Espero que o carnavalesco traga seus carros alegóricos diferenciados uns dos outros. E o destaque principal da escola tem sido mesmo a batucada. Mestre Adamastor tem chamado atenção nos ensaios técnicos por aí, e soltando bossas bem elaboradas. A cadência da bateria chama atenção. Pode-se ouvir nitidamente cada um de seus instrumentos. Espero um puta desfile. Da quinta pra cima. Sempre vejo a escola descendo a avenida um tanto desanimada. Acho que isso deve-se muito aos sambas com que ela desfilou. Neste ano porém, o samba só tem a acrescentar, e é bem provável que voltemos a ver a escola empolgando o público de novo. Mazzaropi ficaria muito contente. 

"Pra Todo Mal a Cura. Quem Canta seus Males Espanta"

Outro enredo batido. Este por sua vez tem uma outra abordagem, que não parece ser tão diferente assim, Mais um samba padronizado. Versos que quem escuta bastante sambas de enredo parece já ter ouvido isso antes, em vários lugares. Um carnaval feito sem a verba da prefeitura, devido ao ocorrido na apuração do ano passado. E a última escola a desfilar, após duas longas noites de desfiles. Essa apresentação da Império de Casa Verde tinha tudo pra ser cansativa... A não ser por um motivo: a bateria. Simplesmente porque mestre Zoinho e seu homens são claramente a melhor batucada da cidade. Que bateria! É pra se ouvir uma vez, e cantarolar o dia inteiro. Eles salvaram o samba. E é bem possível que salvem o canto da escola. Têm chamado muita atenção durante os ensaios. Não é por menos. A Império trabalha bem a harmonia, precisando apenas de mais empolgação por alguns componentes. O primeiro casal é bastante respeitado, tem talento. A comissão de frente não veio tão bem ano passado. Este ano promete-se surpresas. No módulo visual entra um novo carnavalesco, de bom currículo e que já aparenta fazer um bom trabalho. Há quem aponte a escola para ficar entre as 5. Há também quem diga que o tigre disputará o acesso ano que vem. Eu espero um regular/bom desfile da escola, torcendo para ser surpreendido. Se não for, só por ouvir a bateria já valeria a presença.