Cola cum Fróis

Escrevo pela necessidade de me livrar das palavras | @_dudufrois

domingo, 9 de dezembro de 2012

Brasileirão 2012

Nesse domingo sem futebol nenhum pela tv e nem pelos campinhos daqui, me veio a ideia de escrever sobre o Brasileirão deste ano. Desta vez somente uma breve análise. Vamos lá!

São 10 anos de pontos corridos. O que gera aquela eterna discussão sobre qual modelo de campeonato é melhor. É claro que em emoção os campeonatos de mata-mata dão um banho no Brasileiro atual. Porém, o argumento para mantê-lo assim é de que a disputa é por um todo bem mais justa. O que é verdade. Ganha o time mais completo, com o melhor elenco, que teve a melhor REGULARIDADE no campeonato inteirinho. Assim tendo em vista de que a Copa do Brasil, os Estaduais, a Sul-Americana e a Libertadores da América têm suas fases finais disputadas por mata-mata, logo seria justo tentar equilibrar a balança com um campeonato mais consistente e longo por pontos corridos: o Brasileirão.

Vimos ao longo dos anos por pontos corridos que o Campeonato Brasileiro é bem disputado. Mas é evidente a diferença do nível do futebol apresentado entre os clubes que o disputam. São 20 clubes (um número razoável), porém com uns 4 ou 5 com elenco para brigar pelo título. Neste ano por exemplo; apenas o Fluminense, o Atlético-MG, o Grêmio e talvez o Corinthians ou o São Paulo tinham time para conquistar uma taça. O resto dos times se contentou em apenas disputarem os jogos entre si, sem maiores objetivos. Um time grande, tem de sempre se manter entre os que brigam pelo título. Do outro lado vimos uma boa disputa para não serem rebaixados à Série B, talvez a maior disputa do campeonato. Caíram as piores campanhas, os piores grupos. 

Aponto a equipe do Fluminense e a do Atlético-MG como destaques do ano (e que protagonizaram um belíssimo jogo na 32ª rodada). A primeira pela sua reta final. E a segunda pelo desempenho louvável no início da temporada. O clube do Náutico jogou muito bem os dois turnos, e contrariou quem apostava numa possível queda do Timbu. A Ponte Preta também surpreendeu, e apresentou um time bem entrosado e com um certo grau de habilidade. A Portuguesa mostrou raça ao alcançar o objetivo de permanecer na elite, algo digno de aplausos com o elenco atual da Lusa. Negativamente temos o Flamengo e o Cruzeiro que têm jogadores medianos/bons, entretanto não foram capaz de conseguirem resultados expressivos. E o Palmeiras, que não era esperado seu rebaixamento no início, mas ao longo da disputa a qualidade decaiu e o time não rendeu o que a torcida esperava. O elenco também não era dos melhores. A arbitragem, como sempre, cometeu diversas falhas graves; em inúmeros jogos. Pode até ter interferido em alguns pontinhos, mas no resultado geral acredito que não.


Como jogador, Neymar (Santos) confirma que é o melhor em atuação no Brasil. Lucas (São Paulo) aperfeiçoa seu talento. Fred (Fluminense) mostra que com a idade, seu faro de artilheiro só cresceu. O garoto Bernard (Atlético-MG) foi o meu destaque deste ano. E Ronaldinho Gaúcho (Flamengo/Atlético-MG) deu a volta por cima na temporada, e encerrou o ano jogando muito. Como técnico o estilo de Abel Braga (Fluminense) pareceu ser o mais satisfatório, porém sem grandes elogios. No gol também não houve muito destaque. Apenas o garoto Paulo Victor (Flamengo) aparecendo bem em alguns jogos. E o veterano Dida (Portuguesa) voltando no mais alto nível.

Segue a classificação do Brasileirão no 1º turno:

1º ATLÉTICO/MG - 43 p
2º FLUMINENSE - 42 p
3º GRÊMIO - 37 p
4º VASCO - 35 p
5º SÃO PAULO - 31 p
6º INTERNACIONAL - 31 p
7º FLAMENGO - 29 p
8º BOTAFOGO - 28 p
9º CRUZEIRO - 28 p
10º SANTOS - 26 p
11º NÁUTICO - 24 p
12º CORINTHIANS - 24 p
13º PONTE PRETA - 23 p
14º PORTUGUESA - 22 p
15º CORITIBA - 19 p
16º BAHIA - 17 p
17º PALMEIRAS - 16 p
18º ATLÉTICO/GO - 16 p
19º SPORT - 15 p
20º FIGUEIRENSE - 14 p

E a classificação final, após o 2º turno:

1º FLUMINENSE - 77 p
2º ATLÉTICO/MG - 72 p
3º GRÊMIO - 71 p
4º SÃO PAULO - 66 p 
5º VASCO - 58 p
6º CORINTHIANS - 57 p
7º BOTAFOGO - 55 p
8º SANTOS - 53 p
9º CRUZEIRO - 53 p
10º INTERNACIONAL - 52 p
11º FLAMENGO - 50 p
12º NÁUTICO - 49 p 
13º CORITIBA - 48 p 
14º PONTE PRETA - 48 p
15º BAHIA - 47 p
16º PORTUGUESA - 45 p
17º SPORT - 41 p 
18º PALMEIRAS - 34 p
19º ATLÉTICO/GO - 30 p 
20º FIGUEIRENSE - 30 p 

Agora é esperar o troca-troca do mercado da bola. Quem vem, quem vai, quem volta, quem pára, quem surge e quem desaparece. A maioria dos times precisam reformular seus elencos para 2013. Um campeonato só será bem disputado se praticamente todas elas investirem a grana que faturaram. Vem aí Goiás, Criciúma, Vitória e Atlético-PR. A briga em baixo vai ser boa. Em cima, me parece que será melhor do que este ano. Afinal a Copa do Mundo ta quase aí. 


O saldo deste ano parece ser bom. Um campeonato um pouco mais desigual, mas com um registro de bom público nos estádios. E o importante é isso. O torcedor estar lá para apoiar seu time sempre quando der, independente se valer ou não uma conquista.

Ahhhhh... já ia me esquecendo! PARABÉNS AO CAMPEONÍSSIMO FLUMINENSE!!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Uma Noite em 67

Sempre escutei comentários a respeito sobre este show, porém não sabia o que havia acontecido exatamente naquela noite. Aí esses dias, por viajar dentre as obras de Chico Buarque espalhadas youtube á fora, não é que encontro um documentário (muito bem) feito sobre o tal III Festival de Música Popular Brasileira? Sensacional! Não o documentário em si, mas o que aquela noite representava na música nacional da época; e representa ainda hoje para quem a aprecia.

Evento realizado pela TV Record, a grande final do festival ocorreu no Teatro Paramount, dia 21 de outubro de 1967, e em pleno regime militar. A esperança de maior liberdade se alimentava na alma da nova geração da música nacional. Surgiam novas misturas musicais, novos ritmos. Havia uma certa retomada a própria cultura nacional. Como contraponto a ditadura militar alguns músicos rejeitam o que vem de fora. Outros se inspiram no sucesso do rock mundial da banda The Beatles. Este era o cenário em que a televisão promovia grandes festivais de música, tendo o de 1967 como o maior deles.


Tamanha grandiosidade para um programa de televisão se deu pelo nível dos concorrentes. Na finalíssima participavam 12 obras inéditas com seus respectivos intérpretes, tendo maior destaque para as cinco primeiras colocadas. Havia uma platéia repleta de jovens que vaiam e aplaudem com muita intensidade. Uma das vítimas da tal platéia foi Sérgio Ricardo, com a canção "Beto Bom de Bola". A canção teria sofrido mudanças em seu arranjo, e ao anunciarem isso, foi recebida por vaias que a acompanharam até o fim. Não conseguindo prosseguir com sua apresentação Sérgio desiste de cantá-la, e em resposta a sonora vaia do público ele quebra seu violão no palco, e o lança em direção ao público. Tudo isso ao vivo em rede nacional. Logicamente que depois do acontecimento, a organização desclassificou Sérgio Ricardo do festival. E a cena do cantor sendo vaiado é relembrada até hoje na internet.


Agora falando sobre as cinco canções que mais bem se classificaram nesta final, e que nos dias de hoje são bem conhecidas da população brasileira em geral: o quinto lugar da disputa ficou Roberto Carlos, com "Maria, Carnaval e Cinzas". Vindo da Jovem Guarda para cantar um samba, Roberto também sofreu vaias do público do teatro; porém sua apresentação terminou com calorosos aplausos. Caetano Veloso com sua conhecida "Alegria, Alegria" interpretou de linda forma a música ao lado dos argentinos do grupo Beat Boys. As vaias também marcaram a apresentação de Caetano, que ao final da mesma foi ovacionado pelo público ficando no quarto lugar. O terceiro colocado foi Chico Buarque que interpretou "Roda Viva" ao lado do grupo MPB-4; desta vez sem vaias, mas sim sob gritinhos de "lindo" no início e também ovacionado posteriormente. A canção é bem conhecida, e veio à publico numa época muito propícia para o que é abordado em sua letra. A música vice-campeã do festival foi "Domingo no Parque" cantada por Gilberto Gil, juntamente com os jovens d'Os Mutantes, e mesclava um rock com uma levada de capoeira muito bonita. A canção simples, e ao mesmo tempo belíssima foi bem recebida pelo público e pelo juri do concurso. E por fim a nacionalmente conhecida "Ponteio" foi a grande escolhida pelos jurados para receber o prêmio do festival de música. O público pareceu concordar com a canção vencedora, gritando a todo momento para Edu Lobo e cia. A obra realmente era muito bem construída para o festival, com um belo arranjo musical, e teve todos os méritos da disputa.

Segue o documentário que inspirou esta publicação:


Foi o ápice da música nas telinhas. Após este festival vieram alguns outros, cada vez menores e cada vez menos expressivos. A televisão deixou a música como protagonista para dar lugar a novelas e jogos de futebol no centro de sua programação. Os bons músicos e compositores se distanciaram da televisão. Hoje dificilmente vê-se programas de música na tv aberta brasileira. Concurso musicais então, nem pensar. Quando há são disputados por artistas que voltaram ao anonimato, ou por pessoas sem o mínimo talento para a música. E quase nunca essas canções são inéditas. Fora os tais reality shows em que buscam encontrar novos intérpretes pelo Brasil. Acho que a televisão deixou um pouco a música de lado, e perdeu muito com isso. Uma ferramenta de entretenimento que nunca foi inteligente, só teve prejuízo ao abandonar essa forma de cultura tão querida pelas pessoas. Uma pena, pois ao caminharem juntas elas só têm a se complementarem, e consequentemente alçarem maiores vôos.

A música (eu digo a de qualidade) porém não sentiu tanto essa perda. Ela sobrevivia muito bem, obrigado, sem a televisão e, até mesmo sem o rádio. São formas de divulgação de trabalho, muito importante é verdade, mas que entretanto não interferem na qualidade das obras musicais compostas independentemente da mídia. Atualmente surge música de qualidade em toda parte do Brasil. A mídia no entanto não nos mostra por inteiro o que ocorre no cenário musical nacional. E nem a indústria fonográfica. Resta então encontrar a nova geração da música deste país pelo bom e velho "boca a boca", ou através da internet. Se não encontrar, voltemos ao pretérito. Recordar algo que você já conhece e sabe que é interessante ouvir, nunca será regredir.

Fica aqui o registro final do post com a grande composição vencedora do concurso de 67 (numa versão com Zizi Possi em 92) provando que o festival deixou um legado admirável:

 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fórmula 1 - Temporada 2012

Com cerca de uma semaninha de atraso, eis que estou aqui novamente, desta vez para dissertar sobre a temporada da Fórmula 1 que se encerrou no último dia 25. A última corrida do ano, como tradicionalmente vinha acontecendo também nos últimos anos, foi no Brasil. E no Brasil, meu amigo, é sinônimo de emoção. Interlagos é a maior prova disso. Nada melhor do que findar uma temporada tão diversa e acirrada aqui mesmo. A festa foi muito bonita.


Mas para que a festa de encerramento ocorra tem que haver um início, certo? E o início da temporada foi daqueles... Das sete primeiras corridas do ano, foram sete ganhadores distintos. Havia ainda uma grande dúvida sobre quem poderia disputar o título no ano, não tinham pilotos favoritos. Tinham carros favoritos. Talvez a Ferrari, ou uma McLaren, ou então então a Red Bull quem sabe. E ainda havia quem corresse por fora. A dúvida estava no ar, porém a certeza que se tinha é que a primeira parte da temporada foi mesmo de arrepiar quem gosta do esporte.

Depois, nas outras seis corridas seguintes ainda houve uma inconstância nos vencedores, porém as equipes já despontavam em anunciar quem iria brigar pelo título, e eram exatamente as 3 equipes citadas acima. A partir de então, quem estivesse correndo melhor e alcançando melhores resultados seria favorecido naturalmente pelas escuderias. Foi então que se obteve como favoritos a temporada 2012 os nomes de Alonso, Vettel e Hamilton. São 3 grandes pilotos, que foram campeões recentemente e que, provavelmente o título do ano ficaria nas mãos de um deles. A briga permanecia dura.

Por fim nos últimos sete Grandes Prêmios restantes pode-se realmente ver quem iria levar essa taça. Incrivelmente o alemão Sebastian Vettel faturou 4 das 7 corridas, e ficando no pódio em 6. Era um salto para a vitória da temporada. Prestes a disputarem a última corrida do ano, Vettel era o grande favorito. O terceiro campeonato consecutivo estava a caminho. Hamilton havia ficado um pouco para trás. Alonso era o único a poder alcançá-lo. Mas era quase impossível, dependeria do erro do próprio alemão ou da sorte lançada para o GP. Essa sorte (ou erro) quase ocorreu. No início da corrida de Interlagos Vettel rodou, porém manteve-se na pista. E numa disputa emocionante com todo chove ou não chove que se tem direito, ele sagrou-se o campeão de 2012, com todos os méritos.


Foi sim uma belíssima temporada. Vettel correu mais do que todos, e por isso mereceu de fato o feito. Destaque também para Alonso, que alcançou resultados inesperados por muitos. Raikkonen em sua volta ás pistas também foi surpreendente, e é boa aposta para o próximo ano. Como novidade surgiram aí Maldonado, Pérez e Kobayashi. E como despedida de um dos maiores nomes de toda a Fórmula 1; provavelmente Michael Schumacher dará adeus (desta vez para sempre) à categoria.

Voltei a acompanhar as corridas num ano em que houve um grandíssimo número de ultrapassagens, e alguns acidentes (praticamente nenhum grave). A modalidade se mostrou bonita de se ver. Pena que não temos brasileiros a nível de brigar pelo título. Pena também que para deixar de assisti-la da televisão é preciso dinheiro semelhante a quem trabalha nas equipes de alto nível. Enquanto isso temos que aguentar o velho narrador da tv aberta.

sábado, 24 de novembro de 2012

Ghost Dog

Já tinha ouvido falar do filme, mas outro dia aí pelo twitter eu li alguns bons comentários sobre ele. Não teve jeito, e a curiosidade falou mais alto. Ainda bem. Fui procurar o longa no internet, e só o achei em inglês sem legenda. Não teve jeito, de novo, e dei o play.

O filme é muitíssimo bem montado. Jim Jarmuch realizou quase que uma antropologia cultural. Misturou uma máfia, com a realidade das ruas americanas e ainda inseriu a cultura japonesa no meio. A história narra a caminhada de Ghost Dog (Forest Whitaker), um assassino de aluguel que é contratado pela máfia local de New Jersey. Dog foi salvo por Louie (Jhon Tormey), um dos mafiosos, e assim deve sua vida a ele. Ghost Dog vive na laje de um prédio da cidade, cercado de pombas, com as quais mantém uma relação próxima; e segue os preceitos do Hagakure, espécie de código dos samurais do antigo Japão. Ao longo da trama, várias citações do Hagakure aparecem entre as cenas, todas contextualizadas com o que ocorre no filme. Assim ao matar outro homem á mando da máfia, acaba cometendo falha ao matá-lo na frente da filha, revoltando quem lhe mandara a esta missão.


Os mafiosos, que nem são tão mafiosos assim, passam a perseguir Dog. Numa das melhores cenas do filme, em que os 4 mafiosos estão reunidos numa mesa e Loiue os revela quem havia cometido esta falha, pode-se ver que esta máfia é bem mais uma sátira aos grupos de criminosos. Os integrantes do grupo então, após tentarem o matar sem sucesso, ateiam fogo na moradia de Dog, extinguindo praticamente todas as pombas que ali viviam. Ao chegar lá e ver a triste imagem, Dog se desola e cultiva a vingança aos mafiosos que lhe fizeram esta atrocidade. Começa assim a saga do rapaz de matar um por um dos criminosos, poupando apenas Louie que o salvara anteriormente.

As cenas são bem interessantes, e muitas vezes até curiosas. Entre os personagens secundários, merecem destaque: o sorveteiro melhor amigo de Dog que só fala francês, e é muito bem-humorado; a filha do homem que Dog matou, e que se trata de uma estranha figura silenciosa e fissurada por desenhos animados; e a menina que inicia um diálogo sobre livros com Dog na praça, recebe dele uma edição do Hagakure, e torna-se sua amiga. Outro personagem curioso é o mafioso fã de Public Enemy, que pouco antes de morrer começa a interpretar no banheiro a música do grupo feito Flavor Flav. Uma cena hilária! O modo com que Ghost Dog age é digno de cinema mesmo. Sempre com sua maleta repleta de armas e aparelhos que o auxiliam em roubos de carros por exemplo, ele segue á procura de um por um dos mafiosos. Além do mais, Dog era conhecido em sua área e não falava com muita gente, porém sempre foi respeitado. Frio, sutil e racional.


O roteiro mostra-se muito bem feito. Apesar de um pouco violento, é ao mesmo tempo de uma poesia ímpar. O seleto grupo de bons atores também merecem reconhecimento. Acompanhados de trilha sonora e fotografia excelente, méritos de RZA e Robby Feuller respectivamente. Eles, em conjunto, passam ao espectador a sensação sombria da personagem principal, e que acompanha todo o filme. Ghost Dog era um assassino com cara de mau, que porém ao mesmo tempo era uma pessoa doce e companheira aos mais próximos. O final do drama é só um desfecho para a história muito bem contada, que chega a emocionar. Até que para quem não tem um bom inglês, eu acredito que consegui compreender bem o longa metragem. Fica aqui meus parabéns a toda a produção desta obra de arte, e minha convicção de que é sempre bom saciar a curiosidade.

domingo, 18 de novembro de 2012

The Basketball Diaries

Na madrugada de sexta pós feriadão, estava eu assistindo a programação da televisão aberta. Eis que resolvo dormir e, logo ponho a tv em 15 minutos no sleep. Na Band passava algum filme com basquete escolar, e eu como um bom fã do esporte comecei a prestar um pouco de atenção. Era o filme O Diário de um Adolescente. Nas cenas se viam um grupo de 4 adolescentes amigos de escola, que aprontavam quando saiam fora dela. Sem saber, peguei bem o comecinho do filme, e de 15 em 15 minutos do sleep, fui adiando a minha soneca.

O filme me envolveu facilmente. A história é bem legal. São os 4 jovens que aproveitam sua adolescência na cidade de New York. Assim além do basquete e da escola, eles passam cada vez mais a se envolverem no mundo das drogas. O enredo possui um protagonista, que é Jim Carrol (Leonardo DiCaprio), que costumava escrever várias histórias e poesias em seu diário para expressar seus sentimentos. Juntamente com os três melhores amigos, Jim segue jogando basquete pelas quadras e aprontando pelas ruas da metrópole estadunidense. Cada vez mais afundo nas drogas, o grupo vê a dependência química se aproximar. Até que em um jogo pela escola, o time que era muito bom em quadra resolveu se drogar para tentar melhorar o desempenho. Assim dentre os quatro amigos, apenas um não se dopou. O resultado foi uma visível overdose em quadra, que os tirou do basquete e da escola.


Fora das aulas, os três só aumentavam seus vícios e passaram a realizarem assaltos também. Em um roubo a uma loja, um deles acaba tendo alucinações durante a ação, e é pego pela polícia. Só restam então Jim e mais um amigo, que seguem perambulando pela cidade para sustentarem o vício. Em uma bela cena do longa, ao serem enganados por um traficante, eles o perseguem e o amigo de Jim acaba o empurrando do alto de um prédio. Ao tentar fugir é linchado e preso. Jim então sofre sozinho com seu diário o drama com as drogas. Então numa alucinação em que estaria jogando basquete novamente, Jim acaba caindo na neve. Seu velho amigo Reggie o tira de lá e leva o garoto para sua casa. Reggie tenta o ajudar, mas a situação do jovem é lamentável. Jim termina fugindo da casa de seu velho amigo para voltar ao seu vício químico.


Sem dinheiro, e agora sozinho; o garoto procura sustentar a dependência além da prostituição e seus roubos. Vai até a casa de sua mãe, da qual fora expulso e de lá é denunciado pela própria mãe como tentativa de assalto. A polícia o detém cerca de seis meses na cadeia. Lá o garoto passa a se dedicar mais a seu diário do que as drogas. Acaba por se regenerar da dependência química, e ao sair da prisão vira exemplo de superação.

Eu, sem querer, peguei no sono na parte em que o garoto implora a sua mãe para que o deixasse entrar. Mas depois, com a salvação do youtube é claro, acabei por ver o final do longa metragem na internet. Assim fiquei sabendo também que Jim Carron realmente existiu. Foi um músico, escritor e compositor americano; que ao escrever sua biografia, serviu de inspiração para que Scott Kalvert dirigisse o drama, que é baseado em fatos reais. A história impressiona mesmo, e deixa claro que o caminho das drogas pode deixar para trás uma carreira brilhante, ou uma adolescência a ser vivida. Jim Carron merece reverências por sua história de vida, por ter saído de onde saiu.


Outro que merece muita aclamação é Leonardo DiCaprio. O ator dá um aspecto muito real a cada cena. O roteiro também é muito bem sacado. No contexto de New York dos anos 70, Jim, Mickey, Pedro e Newton; usam a droga como refúgio de problemas escolares e familiares servindo também de escudo para os próprios medos de cada um. Algo muito comum nos jovens dos dias de hoje. Começam por usar a droga, mas acabam percebendo que no final é a droga que os usa. É claro que a adolescência não é uma época fácil de ser vivida. Porém não seria destruindo sua própria vida e sonhos, que lhe traria a felicidade. Somente a ilusão.

sábado, 17 de novembro de 2012

Brás, Bexiga e Barra Funda

No ensino fundamental a escola indicou este livro, e eu não li. Ia ter teste, ou algo assim, e de última hora fui atrás do resumo na internet. Resultado: li o resumo, e não entendi porra nenhuma. E não ia entender mesmo. Este livro não se pode resumir. Aliás, não sei se podemos nem chamá-lo de livro; pois se trata de um conjunto de histórias que têm em comum apenas o fato de se passarem numa São Paulo do início do Século XX, e de envolverem italianos (ou descendentes) que chegaram e se instalaram nesta terra tão próspera.

Agora passeando pela biblioteca, trombei este livro por acaso e levei-o para casa. Numa noite chuvosa resolvi lê-lo. E acabei-o por completo antes da meia-noite. É um livro muito gostoso de ser lido. São histórias curtas, com um vocabulário mezzo Brasil mezzo Itália. Histórias que vão desde os imigrantes mais ricos, aos mais pobres; que vieram morar na tal Paulicéia desvairada. E por falar nisso, o livro pode ser considerado de caráter modernista. Escrito por Antônio de Alcântara Machado, retrata os costumes e a linguagem destes imigrantes italianos. O nome do livro é uma boa sacada: Brás, Bexiga e Barra Funda. Justamente bairros paulistanos próximos ao centro da cidade e com forte presença desta imigração.



O primeiro conto é Gaetaninho, sobre um pobre menino que sonha em andar de carro. Depois é Carmela, moça namoradeira. Em seguida Tiro de Guerra n° 35 sobre um grande soldado patriota. O quarto conto é Amor e Sangue, que se trata de uma trágica ilusão amorosa. A Sociedade é sobre o amor entre dois amantes, que encontram dificuldades para transformá-lo em casamento. Logo após encontra-se Lisetta, uma italianinha que sonhava em ter um ursinho de brinquedo. Coríntians (2) vs. Palestra (1) é um dos contos mais famosos, que aborda a rivalidade entre os dois times como pano de fundo para um triângulo amoroso. Posteriormente o autor segue com Notas Biográficas do Novo Deputado, que tem como enredo a vinda de um menino italiano para a casa do deputado e sua esposa, após o moleque se tornar orfão. O Monstro de Rodas é a história seguinte, que tem como assunto um triste enterro. Sucedido por Armazém Progresso de São Paulo, que envolve o dono de um armazém e sua vida entre trabalho e família. E por último, Nacionalidade, o mais italiano deles; que narra o cotidiano de um italiano patriota que acaba se apaixonando pelo Brasil.

É notável que apesar dos anos terem corrido, as ações das pessoas continuam semelhantes hoje em dia. Os costumes, o cenário e o contexto é outro; mas poderiam muito bem se passar atualmente. Pode-se observar inclusive que todos os contos mostram bem essa diversidade paulistana presente no início do Século XX. Na época do autor, a indústria e os imigrantes vinham dando um tom a mais na cidade de São Paulo. É exatamente isso que o livro conta através de histórias repletas de tragédias, alegrias, lágrimas, mortes, sorrisos e casamentos. E não é á toa que São Paulo é conhecida nos dias atuais por tudo isso; por ser a capital das diversas faces, e esse predicado não vem de hoje, não, bambino.

domingo, 11 de novembro de 2012

Memórias Póstumas de Brás-Cubas

Vamos ao meu primeiro romance machadiano. Obra de reconhecimento dentro e fora do país, Memórias Póstumas de Brás-Cubas, se torna um livro intrigante e de fácil leitura, devido a seus curtos capítulos e o constante diálogo do narrador com o leitor. No caso, o narrador é o próprio Brás-Cubas, que após a morte resolve escrever um livro com as memórias de sua vida, que não foi lá muito agitada.

Machado de Assis consegue neste livro uma perfeita reflexão sincera da personagem central da obra: Brás-Cubas. O livro seria como uma autobiografia, muito bem humorada diga-se de passagem. Um humor ora irônico, ora sarcástico. Brás conta francamente como foi sua vida, desde seu início. Ou melhor, desde seu final. Porque o romance se inicia a partir da morte do rapaz. Outra característica da obra, é a forma que é narrada. Não segue a sequência lógica, chamada não-linear. Há diversas voltas e reflexões nos capítulos. São constantes também as interações de Brás-Cubas com o leitor.

Brás narra sua infância, seu primeiro amor, a ida á Portugal para estudar, a faculdade, a família, entre outros; sempre com muita franqueza e um humor sutil. O eu-lírico sabe, e inclusive deixa claro, que sua vida não teve grandes marcos. Brás conta também sobre outros amores, alguns amigos e os familiares mais próximos. Há diversos capítulos sobre o caso que mantinha com Virgília, esta casada com seu amigo, e as formas que o casal arranjava para se encontrar. Sobre Quincas Borba, que fora seu amigo desde pequeno, depois se tornou angustiante miserável vagando pelas ruas cariocas, e retornou novamente como um rapaz culto defendendo uma nova filosofia, mais tarde aderida por Cubas. E outros dedicados a sua irmã e Cotrim, que divergiam opiniões com Brás-Cubas sobre a herança deixada pelo pai, mas que retornaram mais tarde tentando induzir Cubas a se casar. Por mais que seus familiares fossem favoráveis, Cubas jamais casou e jamais teve um filho. Também não foi bem sucedido profissionalmente, não realizou sua ideia de produzir um emplasto para a cura da melancolia humana e não se tornou ministro.


Pois então o que faria interessante e conceituado um livro que narra a vida de um burguês sem graça do século XIX? A grande intertextualidade que Machado coloca nas páginas, sempre fazendo referências ou alusões a grandes obras da arte, cultura ou história do mundo até então. Ou a forma como o romance é escrito, com idas e vindas, tomadas e retomadas, diálogos com quem lê. Quem sabe o ponto de vista crítico sobre uma sociedade hipócrita no Rio de Janeiro, principalmente entre a classe mais rica. Talvez a quantidade de capítulos, sempre curtos, e o foco presente em cada um deles. Ou então por todos estes motivos, e mais outros. Enfim, o que se tem certeza é que Machado de Assis exprimiu através de sua pena e tinta esta que é uma das maiores obras literárias fantásticas da língua portuguesa. E acho que o autor no fundo, desejaria que quem o lê-se tome conhecimento do quão miserável nossa sociedade era, e ainda é. Para não seguir o caminho mesquinho de quem não viveu, viveu, viveu... e não acrescentou nada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe

Estava eu voltando de uma batalha de mc's lá no centro de Sampa, e resolvi colar ali na barraquinha que os moleques vendiam os cd's, bonés e camisetas. Pedi uma camisa pra mim. Enquanto eu esperava o troco eu vi ali no meio o primeiro cd do Emicida, intitulado Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe. Já tinha o escutado na íntegra por diversas vezes, porém ter o material original assim em sua mão é outra coisa. Peguei o troco e pedi o cd também. Hoje, depois de uns meses terem se passado, achei o cd e coloquei pra dar play. Prestei atenção nas letras, e mesmo já tendo ouvido mais de umas 15 ou 20 vezes cada faixa, descobri novas sacadas. Pensei comigo mesmo, tenho que escrever sobre este disco! E cá estou eu...


Desde a primeira faixa o disco já mostra sua cara. Abordando temas do cotidiano de um jovem de pouco mais de 20 anos, Emicida escreveu sobre si mesmo, sobre sua vida, sobre amor e diversas outros temas que se encaixaram muito bem em suas letras. São batidas criativas, com letras fundamentadas e nem tanta grana para a produção. O cd veio no encarte feito com papel pardo e todo impresso artesanalmente, inclusive o disco. Apesar de ser feito independentemente fez muito sucesso, conquistando admiradores e fãs pelo brasil. Comentarei sobre cada música da mix tape:

01 - (Intro) É Necessário voltar ao começo - Melhor introdução impossível! O cd já inicia com uma pancada. Com uma levada devagar e um instrumental bem suave, o mc acompanha as batidas também com uma voz suave. A letra sintetiza desde a ganância até o medo, falando sobre o cotidiano de um modo diferente. Uma letra muito abrangente, e que diz muita coisa que merece ser ouvida, termina com a frase que a batiza: "é necessário voltar ao começo".

02 - E.M.I.C.I.D.A (adoooro) - A segunda faixa fala do próprio Emicida, de um jeito um tanto quanto marrento/irreverente. Mostrando seu flow em meio a uma base bem empolgante, e com um bom refrão, a canção se tornou um dos primeiros sucessos da carreira do autor.

03 - Sozim - Outra música sobre o compositor, que no entanto vem na contramão da anterior. Traz consigo o sentimento de solidão de um jovem em meio a uma cidade cheia de pessoas. Uma faixa bem introspectiva e sincera, e ao mesmo tempo muito leve. Algo difícil de se ver na cena do Rap.

04 - Rotina - E seguindo na linha de canções sobre si mesmo, Emicida canta agora uma simples e curta. De maneira dinâmica, o poeta narra sua rotina de artista independente, trafegando seus pensamentos entre dias e a noites.

05 - Pra mim... (Isso é Viver) - Abordando agora as simplicidades que dão valor a vida, o artista apresenta outra música bem leve. Com rimas curtas e um instrumental agradável, a faixa não se estende muito.

06 - Ainda Ontem - Com uma pegada de samba na levada e no beat, Emicida canta ao lado de Rashid e Projota. Cada um escreve e canta sobre o freestyle, o estilo de improvisar no Rap, que os três rappers praticam com certa facilidade. Evandro Fióti canta no refrão da canção.

07- Pra Não Ter Tempo Ruim - Assim, mudando drasticamente a linha das músicas, esta chega ao ouvinte como um clamor do autor pelo quão desigual e preconceituoso o mundo está. A canção soa como um grito de libertação, enaltecido pela belíssima voz de Mariana Timbó que compõe o fundo (dizendo "a rua é nóis") e o refrão. Arrepiante combinação.

08 - Só Isso - Mais uma vez quebrando a sequência, Emicida apresenta uma das mais singelas canções do disco. Extremamente aprazível, o poeta brinca com as palavras e com as situações por ele construídas. Cita diversos grandes nomes da música nacional em cima de um instrumental marcado pelo ponteio doce de um violão. Bem simples, e ao mesmo tempo com uma letra bastante instruída. Destaque para a frase retratada antes do início da faixa.

09 - Vô Buscar Minha Fulô - A primeira das românticas. Mostra uma inocente rotina de um casal apaixonado. Também de pequena duração, parece vir para introduzir a faixa seguinte.

10 - Ela Diz - Cantado de maneira vagarosa, esse rap acentua a parte romântica do artista. Outra letra simples, porém esta se mostra muito mais meiga que as demais. Antecedida por "Vou Buscar Minha Fulô", dá a impressão de que o apaixonado da canção anterior se fascinou ainda mais pela mulher, e compôs uma das obras mais ilustres do disco.

11 - Por Deus Por Favor - Sabiamente sampleada da canção de mesmo nome de Nelson Sargento, porém a de Emicida parece ter um enredo ainda mais lúgubre. Narra de um modo austero e desnorteado, em terceira pessoa, um acidente de carro em que a vítima principal teria se tornado cadeirante.

12 - Preciso (Melô do Mundiko) - Seguindo na linha das canções sobre as coisas simples da vida, esta parece não tratar sobre a de Emicida. O eu-lírico conta sua história de amor, passando da paternidade á construção de um lar. Sempre intercedida pelo refrão repetitivo e introspectivo.

13 - A Cada Vento - Talvez a mais melodiosa do álbum. Uma musica idealista e esperançosa, com uma levada inspirada no reggae. Bem otimista, deixando de lado um pouco o sofrimento do rap. Como destaque, no refrão da faixa ouvimos a bela voz de Paulo.

14 - Sei Lá... - A com o ar mais leve das canções. Traz junto toda a musicalidade de Rael da Rima, que se encaixa muito bem na música toda. Com um instrumental bem suave, a letra trata de amor. Em especial de um fim de relacionamento.

15 - Cidadão - E novamente mudando da água pro vinho, a música desabafa o depoimento de quem habita a parte periférica da cidade. De pouca duração, mas que diz muita coisa. Sem refrão, só pedrada atrás de pedrada. E que no fim justifica o nome da faixa.

16 - Soldado Sem Bandeira - Uma das melhores bases da mixtape. Uma das melhores letras da mixtape. Apesar de poder ter sido melhor desenvolvida em termos de gravação, Emicida eleva a canção a outro patamar. Coloca os moradores das favelas no meio da guerra urbana, sem ter lado, sem lutar por ninguém. Mostra como esse confronto é comum na periferia. O sofrimento de quem é obrigado a conviver com os dois lados. Sem dúvidas vale play and replay.

17 - Vai Ser Rimando - A faixa já inspirou nome de um dos maiores sites de hip-hop atualmente. E fala do hip-hop também, mas principalmente do rap. De como esse estilo de música está presente na vida do autor. Das rimas e versos de Emicida, e de como o mc não irá desistir de expressar o que sente através de suas letras.

18 - Um, Dois, Três, Quatro - Com um flow fora de série, Emicida rima palavras em inglês, com português, com gírias, envolvendo as notas musicais no meio e termina com uma frase de efeito. Tudo isso para engrandecer o disco. E deu certo!

19 - Fica Mais Um Pouco Amor - A última de temática amorosa. Desta vez um amor que passou feito brisa. Dizendo que foi bom, porém passou. Música de malandro nato, com uma levada super gostosa.

20 - Outras Palavras - Uma das minhas preferidas. Caetano Veloso deve ter ficado orgulhoso de sua música servir de inspiração para essa obra-prima. Um instrumental ainda mais bem construído que a original de Caetano (que já é muito bonito). A letra consegue envolver diversas palavras, inclusive em inglês, numa velocidade impressionante. E sintetiza a vida de viagens constantes de quem vive de shows pelo país. Rael da Rima aparece de novo na mixtape, dando uma sonoridade ímpar; num som que é ímpar.

21 - Hey Rap! - Outra faixa para série de minhas preferidas. Para quem ama o Rap esta canção é de tocar o coração, encher os olhos de lágrimas e arrepiar qualquer vagabundo. Conta a história de quem vive o movimento hip-hop desde seu início, mas notou as mudanças de hoje. Cita diversas influências de discos, grupos, mc's, b-boys, entre outros. É a faixa que exalta a cultura hip-hop, e com uma dessas não tem como dizer que o gênero está em crise. Pra ser ouvida em último volume! E de preferência com uns mano no graffiti, outros no break, uns no mic e mais uns nos scrach...

22 - Essa É Pra Vc Primo... - Outro desabafo do Emicida. Esse vai para Dj Primo, seu amigo. Contando a revolta de um moleque ao perder seu parceiro, traz a tona o tema da morte no disco.Ao se atentar aos versos da canção, é possível sentir a emoção que essa música carrega. Um rap digno de aplausos! E que fecha uma trilogia de faixas que, na minha opinião, é o ponto mais alto da mixtape.

23 - Triunfo - O grande hit do rapper. Lançado como clipe antes na internet, levou Emicida ao reconhecimento. A música engrandece a vitória de cada um que luta, e conquista o almejado com o próprio suor. Com um jeitão mais orgulhoso, o autor conta em seus versos algumas de suas experiências. Um instrumental muito bem produzido como um todo. Deixando claro que "A Rua É Nóis, Nóis!".

24 - Eu Tô Bem - Com um som mais irreverente, mais solto, o cantor exalta as belezas da vida. Bem mais otimista do que em outras canções, mesmo citando ainda a pobreza. É uma música mais alegre, pra relaxar. Pra quem está, ou quer ficar "bem". Talvez tanta leveza nesse som fosse para compensar o próximo...

25 - Ooorra... (A Que Deu Nome a Mixtape) - E o gran finale fica por conta da faixa que batizou o cd. Mais uma de arrepiar. Conta a história do mc; que perdeu o pai cedo, cresceu na pobreza da periferia só com a mãe e os irmãos, quase submeteu tendência de ir pro crime e foi salvo pelo rap. Traz no refrão a parte mais tocante, que conta algumas experiências do autor. Orra, que som foda! Que história foda!

Resumindo, o rapper consegue mesclar composições de diversos temas, sem decair na qualidade. E mesmo com pouca grana, conseguiu fazer barulho na cidade de São Paulo, e no Brasil. Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe impulsionou a carreira de Emicida, e o fez crescer muito profissionalmente. Uma mixtape para ser ouvida e re-ouvida diversas vezes. E que mesmo na capinha de papel, vou guardá-la como um tesouro em meu quarto.


Como diz a folhinha que acompanha o disco no encarte, o poder está na rua: A rua é nóis! Minha alma agradece. Valeu Emicida!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Exame Nacional do Ensino Médio

Lá pro meio do ano, quando estava quase acabando o prazo para as inscrições ao o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), eu resolvi fazer a prova. Não estudei especificamente nada, e nem me esforcei o que poderia nos estudos em geral ao longo do ano. Me inscrevi mais para auto avaliação, e ver o que eu precisaria melhorar para o ano que vem.

Considerando que quase deixei de fazer a prova para ir a uma balada (o ingresso já estava comprado), até que foi tranquilo. Nunca tinha feito uma prova tão extensa, porém bastava ter concentração para realiza-la na íntegra.


A prova é bem feita, com textos retirados de diversos locais. Aliás, a grande característica do exame são os textos. São trechos sobre temas importantes, e não só componentes da matéria do ensino médio. Buscando despertar no estudante um senso crítico, os textos englobam desde notícias importantes, crônicas, obras literárias, letras de música, entrevistas á contos. Há também diversas tirinhas, anúncios de publicidade e imagens que servem de base a várias questões. Pode-se observar também um grande número de gráficos, tabelas e estatísticas na parte mais exata. Só senti falta de mapas na área de humanas.

No geral o ENEM foi muito bem elaborado. As questões pediam muito de interpretação e atentamento do realizante ao cotidiano. Cada vez menos levando a manjada decoreba das provas tradicionais. O aluno que fez o exame, teve antes de tudo, sua principal dificuldade no psicológico para se concentrar na resolução das questões e não se afobar com o tempo. Além de tudo, no segundo dia de provas foi necessário a elaboração de uma redação. O tema era sobre a imigração ao Brasil no Século XXI, surpreendendo a grande maioria de estudantes. Bastava redigir a dissertação com eloquência, apresentando o uso da norma padrão da língua portuguesa, não fugindo do tema proposto. Que aliás, este tema apesar de um pouco chato, é um assunto que poderá vir a tona em futuras discussões observando que o índice de imigrantes ao Brasil só tende a crescer.

Piadas do twitter á parte, dá para aprender bastante coisa no ENEM. O exame não é só para ser feito, e acompanhar seu próprio desempenho em relação aos outros. O exame é para ser relido em casa, com mais calma. Quem sabe até refeito por cada candidato. Há inúmeras informações em meio as questões, que contém uma grande abrangência, passando conhecimento sobre diversos assuntos importantes a quem realiza a prova.

Aprendizagens a parte, o ENEM tem o propósito principal de avaliar os alunos do Ensino Médio do Brasil. Há também quem faça o teste para concluí-lo. Mas a grande maioria dos prestantes, faz a prova com o intuito de ingressar em uma universidade federal. Acho que as universidades devem ter seus próprios critérios de admissão de estudantes, tendo por outros meios além do ENEM este egresso.

Presumo que não me saí mal nas provas, fui melhor do que imaginava. Agora é aguardar o fim do ano para ter esta certeza. Por aqui deixo meus parabéns ao MEC pelo sucesso do exame este ano! E encerro a postagem com a frase contida em meu caderno do primeiro dia: "Ler é descobrir-se na experiência do outro."

Até 2013.