Cola cum Fróis

Escrevo pela necessidade de me livrar das palavras | @_dudufrois

domingo, 18 de novembro de 2012

The Basketball Diaries

Na madrugada de sexta pós feriadão, estava eu assistindo a programação da televisão aberta. Eis que resolvo dormir e, logo ponho a tv em 15 minutos no sleep. Na Band passava algum filme com basquete escolar, e eu como um bom fã do esporte comecei a prestar um pouco de atenção. Era o filme O Diário de um Adolescente. Nas cenas se viam um grupo de 4 adolescentes amigos de escola, que aprontavam quando saiam fora dela. Sem saber, peguei bem o comecinho do filme, e de 15 em 15 minutos do sleep, fui adiando a minha soneca.

O filme me envolveu facilmente. A história é bem legal. São os 4 jovens que aproveitam sua adolescência na cidade de New York. Assim além do basquete e da escola, eles passam cada vez mais a se envolverem no mundo das drogas. O enredo possui um protagonista, que é Jim Carrol (Leonardo DiCaprio), que costumava escrever várias histórias e poesias em seu diário para expressar seus sentimentos. Juntamente com os três melhores amigos, Jim segue jogando basquete pelas quadras e aprontando pelas ruas da metrópole estadunidense. Cada vez mais afundo nas drogas, o grupo vê a dependência química se aproximar. Até que em um jogo pela escola, o time que era muito bom em quadra resolveu se drogar para tentar melhorar o desempenho. Assim dentre os quatro amigos, apenas um não se dopou. O resultado foi uma visível overdose em quadra, que os tirou do basquete e da escola.


Fora das aulas, os três só aumentavam seus vícios e passaram a realizarem assaltos também. Em um roubo a uma loja, um deles acaba tendo alucinações durante a ação, e é pego pela polícia. Só restam então Jim e mais um amigo, que seguem perambulando pela cidade para sustentarem o vício. Em uma bela cena do longa, ao serem enganados por um traficante, eles o perseguem e o amigo de Jim acaba o empurrando do alto de um prédio. Ao tentar fugir é linchado e preso. Jim então sofre sozinho com seu diário o drama com as drogas. Então numa alucinação em que estaria jogando basquete novamente, Jim acaba caindo na neve. Seu velho amigo Reggie o tira de lá e leva o garoto para sua casa. Reggie tenta o ajudar, mas a situação do jovem é lamentável. Jim termina fugindo da casa de seu velho amigo para voltar ao seu vício químico.


Sem dinheiro, e agora sozinho; o garoto procura sustentar a dependência além da prostituição e seus roubos. Vai até a casa de sua mãe, da qual fora expulso e de lá é denunciado pela própria mãe como tentativa de assalto. A polícia o detém cerca de seis meses na cadeia. Lá o garoto passa a se dedicar mais a seu diário do que as drogas. Acaba por se regenerar da dependência química, e ao sair da prisão vira exemplo de superação.

Eu, sem querer, peguei no sono na parte em que o garoto implora a sua mãe para que o deixasse entrar. Mas depois, com a salvação do youtube é claro, acabei por ver o final do longa metragem na internet. Assim fiquei sabendo também que Jim Carron realmente existiu. Foi um músico, escritor e compositor americano; que ao escrever sua biografia, serviu de inspiração para que Scott Kalvert dirigisse o drama, que é baseado em fatos reais. A história impressiona mesmo, e deixa claro que o caminho das drogas pode deixar para trás uma carreira brilhante, ou uma adolescência a ser vivida. Jim Carron merece reverências por sua história de vida, por ter saído de onde saiu.


Outro que merece muita aclamação é Leonardo DiCaprio. O ator dá um aspecto muito real a cada cena. O roteiro também é muito bem sacado. No contexto de New York dos anos 70, Jim, Mickey, Pedro e Newton; usam a droga como refúgio de problemas escolares e familiares servindo também de escudo para os próprios medos de cada um. Algo muito comum nos jovens dos dias de hoje. Começam por usar a droga, mas acabam percebendo que no final é a droga que os usa. É claro que a adolescência não é uma época fácil de ser vivida. Porém não seria destruindo sua própria vida e sonhos, que lhe traria a felicidade. Somente a ilusão.

sábado, 17 de novembro de 2012

Brás, Bexiga e Barra Funda

No ensino fundamental a escola indicou este livro, e eu não li. Ia ter teste, ou algo assim, e de última hora fui atrás do resumo na internet. Resultado: li o resumo, e não entendi porra nenhuma. E não ia entender mesmo. Este livro não se pode resumir. Aliás, não sei se podemos nem chamá-lo de livro; pois se trata de um conjunto de histórias que têm em comum apenas o fato de se passarem numa São Paulo do início do Século XX, e de envolverem italianos (ou descendentes) que chegaram e se instalaram nesta terra tão próspera.

Agora passeando pela biblioteca, trombei este livro por acaso e levei-o para casa. Numa noite chuvosa resolvi lê-lo. E acabei-o por completo antes da meia-noite. É um livro muito gostoso de ser lido. São histórias curtas, com um vocabulário mezzo Brasil mezzo Itália. Histórias que vão desde os imigrantes mais ricos, aos mais pobres; que vieram morar na tal Paulicéia desvairada. E por falar nisso, o livro pode ser considerado de caráter modernista. Escrito por Antônio de Alcântara Machado, retrata os costumes e a linguagem destes imigrantes italianos. O nome do livro é uma boa sacada: Brás, Bexiga e Barra Funda. Justamente bairros paulistanos próximos ao centro da cidade e com forte presença desta imigração.



O primeiro conto é Gaetaninho, sobre um pobre menino que sonha em andar de carro. Depois é Carmela, moça namoradeira. Em seguida Tiro de Guerra n° 35 sobre um grande soldado patriota. O quarto conto é Amor e Sangue, que se trata de uma trágica ilusão amorosa. A Sociedade é sobre o amor entre dois amantes, que encontram dificuldades para transformá-lo em casamento. Logo após encontra-se Lisetta, uma italianinha que sonhava em ter um ursinho de brinquedo. Coríntians (2) vs. Palestra (1) é um dos contos mais famosos, que aborda a rivalidade entre os dois times como pano de fundo para um triângulo amoroso. Posteriormente o autor segue com Notas Biográficas do Novo Deputado, que tem como enredo a vinda de um menino italiano para a casa do deputado e sua esposa, após o moleque se tornar orfão. O Monstro de Rodas é a história seguinte, que tem como assunto um triste enterro. Sucedido por Armazém Progresso de São Paulo, que envolve o dono de um armazém e sua vida entre trabalho e família. E por último, Nacionalidade, o mais italiano deles; que narra o cotidiano de um italiano patriota que acaba se apaixonando pelo Brasil.

É notável que apesar dos anos terem corrido, as ações das pessoas continuam semelhantes hoje em dia. Os costumes, o cenário e o contexto é outro; mas poderiam muito bem se passar atualmente. Pode-se observar inclusive que todos os contos mostram bem essa diversidade paulistana presente no início do Século XX. Na época do autor, a indústria e os imigrantes vinham dando um tom a mais na cidade de São Paulo. É exatamente isso que o livro conta através de histórias repletas de tragédias, alegrias, lágrimas, mortes, sorrisos e casamentos. E não é á toa que São Paulo é conhecida nos dias atuais por tudo isso; por ser a capital das diversas faces, e esse predicado não vem de hoje, não, bambino.

domingo, 11 de novembro de 2012

Memórias Póstumas de Brás-Cubas

Vamos ao meu primeiro romance machadiano. Obra de reconhecimento dentro e fora do país, Memórias Póstumas de Brás-Cubas, se torna um livro intrigante e de fácil leitura, devido a seus curtos capítulos e o constante diálogo do narrador com o leitor. No caso, o narrador é o próprio Brás-Cubas, que após a morte resolve escrever um livro com as memórias de sua vida, que não foi lá muito agitada.

Machado de Assis consegue neste livro uma perfeita reflexão sincera da personagem central da obra: Brás-Cubas. O livro seria como uma autobiografia, muito bem humorada diga-se de passagem. Um humor ora irônico, ora sarcástico. Brás conta francamente como foi sua vida, desde seu início. Ou melhor, desde seu final. Porque o romance se inicia a partir da morte do rapaz. Outra característica da obra, é a forma que é narrada. Não segue a sequência lógica, chamada não-linear. Há diversas voltas e reflexões nos capítulos. São constantes também as interações de Brás-Cubas com o leitor.

Brás narra sua infância, seu primeiro amor, a ida á Portugal para estudar, a faculdade, a família, entre outros; sempre com muita franqueza e um humor sutil. O eu-lírico sabe, e inclusive deixa claro, que sua vida não teve grandes marcos. Brás conta também sobre outros amores, alguns amigos e os familiares mais próximos. Há diversos capítulos sobre o caso que mantinha com Virgília, esta casada com seu amigo, e as formas que o casal arranjava para se encontrar. Sobre Quincas Borba, que fora seu amigo desde pequeno, depois se tornou angustiante miserável vagando pelas ruas cariocas, e retornou novamente como um rapaz culto defendendo uma nova filosofia, mais tarde aderida por Cubas. E outros dedicados a sua irmã e Cotrim, que divergiam opiniões com Brás-Cubas sobre a herança deixada pelo pai, mas que retornaram mais tarde tentando induzir Cubas a se casar. Por mais que seus familiares fossem favoráveis, Cubas jamais casou e jamais teve um filho. Também não foi bem sucedido profissionalmente, não realizou sua ideia de produzir um emplasto para a cura da melancolia humana e não se tornou ministro.


Pois então o que faria interessante e conceituado um livro que narra a vida de um burguês sem graça do século XIX? A grande intertextualidade que Machado coloca nas páginas, sempre fazendo referências ou alusões a grandes obras da arte, cultura ou história do mundo até então. Ou a forma como o romance é escrito, com idas e vindas, tomadas e retomadas, diálogos com quem lê. Quem sabe o ponto de vista crítico sobre uma sociedade hipócrita no Rio de Janeiro, principalmente entre a classe mais rica. Talvez a quantidade de capítulos, sempre curtos, e o foco presente em cada um deles. Ou então por todos estes motivos, e mais outros. Enfim, o que se tem certeza é que Machado de Assis exprimiu através de sua pena e tinta esta que é uma das maiores obras literárias fantásticas da língua portuguesa. E acho que o autor no fundo, desejaria que quem o lê-se tome conhecimento do quão miserável nossa sociedade era, e ainda é. Para não seguir o caminho mesquinho de quem não viveu, viveu, viveu... e não acrescentou nada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe

Estava eu voltando de uma batalha de mc's lá no centro de Sampa, e resolvi colar ali na barraquinha que os moleques vendiam os cd's, bonés e camisetas. Pedi uma camisa pra mim. Enquanto eu esperava o troco eu vi ali no meio o primeiro cd do Emicida, intitulado Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe. Já tinha o escutado na íntegra por diversas vezes, porém ter o material original assim em sua mão é outra coisa. Peguei o troco e pedi o cd também. Hoje, depois de uns meses terem se passado, achei o cd e coloquei pra dar play. Prestei atenção nas letras, e mesmo já tendo ouvido mais de umas 15 ou 20 vezes cada faixa, descobri novas sacadas. Pensei comigo mesmo, tenho que escrever sobre este disco! E cá estou eu...


Desde a primeira faixa o disco já mostra sua cara. Abordando temas do cotidiano de um jovem de pouco mais de 20 anos, Emicida escreveu sobre si mesmo, sobre sua vida, sobre amor e diversas outros temas que se encaixaram muito bem em suas letras. São batidas criativas, com letras fundamentadas e nem tanta grana para a produção. O cd veio no encarte feito com papel pardo e todo impresso artesanalmente, inclusive o disco. Apesar de ser feito independentemente fez muito sucesso, conquistando admiradores e fãs pelo brasil. Comentarei sobre cada música da mix tape:

01 - (Intro) É Necessário voltar ao começo - Melhor introdução impossível! O cd já inicia com uma pancada. Com uma levada devagar e um instrumental bem suave, o mc acompanha as batidas também com uma voz suave. A letra sintetiza desde a ganância até o medo, falando sobre o cotidiano de um modo diferente. Uma letra muito abrangente, e que diz muita coisa que merece ser ouvida, termina com a frase que a batiza: "é necessário voltar ao começo".

02 - E.M.I.C.I.D.A (adoooro) - A segunda faixa fala do próprio Emicida, de um jeito um tanto quanto marrento/irreverente. Mostrando seu flow em meio a uma base bem empolgante, e com um bom refrão, a canção se tornou um dos primeiros sucessos da carreira do autor.

03 - Sozim - Outra música sobre o compositor, que no entanto vem na contramão da anterior. Traz consigo o sentimento de solidão de um jovem em meio a uma cidade cheia de pessoas. Uma faixa bem introspectiva e sincera, e ao mesmo tempo muito leve. Algo difícil de se ver na cena do Rap.

04 - Rotina - E seguindo na linha de canções sobre si mesmo, Emicida canta agora uma simples e curta. De maneira dinâmica, o poeta narra sua rotina de artista independente, trafegando seus pensamentos entre dias e a noites.

05 - Pra mim... (Isso é Viver) - Abordando agora as simplicidades que dão valor a vida, o artista apresenta outra música bem leve. Com rimas curtas e um instrumental agradável, a faixa não se estende muito.

06 - Ainda Ontem - Com uma pegada de samba na levada e no beat, Emicida canta ao lado de Rashid e Projota. Cada um escreve e canta sobre o freestyle, o estilo de improvisar no Rap, que os três rappers praticam com certa facilidade. Evandro Fióti canta no refrão da canção.

07- Pra Não Ter Tempo Ruim - Assim, mudando drasticamente a linha das músicas, esta chega ao ouvinte como um clamor do autor pelo quão desigual e preconceituoso o mundo está. A canção soa como um grito de libertação, enaltecido pela belíssima voz de Mariana Timbó que compõe o fundo (dizendo "a rua é nóis") e o refrão. Arrepiante combinação.

08 - Só Isso - Mais uma vez quebrando a sequência, Emicida apresenta uma das mais singelas canções do disco. Extremamente aprazível, o poeta brinca com as palavras e com as situações por ele construídas. Cita diversos grandes nomes da música nacional em cima de um instrumental marcado pelo ponteio doce de um violão. Bem simples, e ao mesmo tempo com uma letra bastante instruída. Destaque para a frase retratada antes do início da faixa.

09 - Vô Buscar Minha Fulô - A primeira das românticas. Mostra uma inocente rotina de um casal apaixonado. Também de pequena duração, parece vir para introduzir a faixa seguinte.

10 - Ela Diz - Cantado de maneira vagarosa, esse rap acentua a parte romântica do artista. Outra letra simples, porém esta se mostra muito mais meiga que as demais. Antecedida por "Vou Buscar Minha Fulô", dá a impressão de que o apaixonado da canção anterior se fascinou ainda mais pela mulher, e compôs uma das obras mais ilustres do disco.

11 - Por Deus Por Favor - Sabiamente sampleada da canção de mesmo nome de Nelson Sargento, porém a de Emicida parece ter um enredo ainda mais lúgubre. Narra de um modo austero e desnorteado, em terceira pessoa, um acidente de carro em que a vítima principal teria se tornado cadeirante.

12 - Preciso (Melô do Mundiko) - Seguindo na linha das canções sobre as coisas simples da vida, esta parece não tratar sobre a de Emicida. O eu-lírico conta sua história de amor, passando da paternidade á construção de um lar. Sempre intercedida pelo refrão repetitivo e introspectivo.

13 - A Cada Vento - Talvez a mais melodiosa do álbum. Uma musica idealista e esperançosa, com uma levada inspirada no reggae. Bem otimista, deixando de lado um pouco o sofrimento do rap. Como destaque, no refrão da faixa ouvimos a bela voz de Paulo.

14 - Sei Lá... - A com o ar mais leve das canções. Traz junto toda a musicalidade de Rael da Rima, que se encaixa muito bem na música toda. Com um instrumental bem suave, a letra trata de amor. Em especial de um fim de relacionamento.

15 - Cidadão - E novamente mudando da água pro vinho, a música desabafa o depoimento de quem habita a parte periférica da cidade. De pouca duração, mas que diz muita coisa. Sem refrão, só pedrada atrás de pedrada. E que no fim justifica o nome da faixa.

16 - Soldado Sem Bandeira - Uma das melhores bases da mixtape. Uma das melhores letras da mixtape. Apesar de poder ter sido melhor desenvolvida em termos de gravação, Emicida eleva a canção a outro patamar. Coloca os moradores das favelas no meio da guerra urbana, sem ter lado, sem lutar por ninguém. Mostra como esse confronto é comum na periferia. O sofrimento de quem é obrigado a conviver com os dois lados. Sem dúvidas vale play and replay.

17 - Vai Ser Rimando - A faixa já inspirou nome de um dos maiores sites de hip-hop atualmente. E fala do hip-hop também, mas principalmente do rap. De como esse estilo de música está presente na vida do autor. Das rimas e versos de Emicida, e de como o mc não irá desistir de expressar o que sente através de suas letras.

18 - Um, Dois, Três, Quatro - Com um flow fora de série, Emicida rima palavras em inglês, com português, com gírias, envolvendo as notas musicais no meio e termina com uma frase de efeito. Tudo isso para engrandecer o disco. E deu certo!

19 - Fica Mais Um Pouco Amor - A última de temática amorosa. Desta vez um amor que passou feito brisa. Dizendo que foi bom, porém passou. Música de malandro nato, com uma levada super gostosa.

20 - Outras Palavras - Uma das minhas preferidas. Caetano Veloso deve ter ficado orgulhoso de sua música servir de inspiração para essa obra-prima. Um instrumental ainda mais bem construído que a original de Caetano (que já é muito bonito). A letra consegue envolver diversas palavras, inclusive em inglês, numa velocidade impressionante. E sintetiza a vida de viagens constantes de quem vive de shows pelo país. Rael da Rima aparece de novo na mixtape, dando uma sonoridade ímpar; num som que é ímpar.

21 - Hey Rap! - Outra faixa para série de minhas preferidas. Para quem ama o Rap esta canção é de tocar o coração, encher os olhos de lágrimas e arrepiar qualquer vagabundo. Conta a história de quem vive o movimento hip-hop desde seu início, mas notou as mudanças de hoje. Cita diversas influências de discos, grupos, mc's, b-boys, entre outros. É a faixa que exalta a cultura hip-hop, e com uma dessas não tem como dizer que o gênero está em crise. Pra ser ouvida em último volume! E de preferência com uns mano no graffiti, outros no break, uns no mic e mais uns nos scrach...

22 - Essa É Pra Vc Primo... - Outro desabafo do Emicida. Esse vai para Dj Primo, seu amigo. Contando a revolta de um moleque ao perder seu parceiro, traz a tona o tema da morte no disco.Ao se atentar aos versos da canção, é possível sentir a emoção que essa música carrega. Um rap digno de aplausos! E que fecha uma trilogia de faixas que, na minha opinião, é o ponto mais alto da mixtape.

23 - Triunfo - O grande hit do rapper. Lançado como clipe antes na internet, levou Emicida ao reconhecimento. A música engrandece a vitória de cada um que luta, e conquista o almejado com o próprio suor. Com um jeitão mais orgulhoso, o autor conta em seus versos algumas de suas experiências. Um instrumental muito bem produzido como um todo. Deixando claro que "A Rua É Nóis, Nóis!".

24 - Eu Tô Bem - Com um som mais irreverente, mais solto, o cantor exalta as belezas da vida. Bem mais otimista do que em outras canções, mesmo citando ainda a pobreza. É uma música mais alegre, pra relaxar. Pra quem está, ou quer ficar "bem". Talvez tanta leveza nesse som fosse para compensar o próximo...

25 - Ooorra... (A Que Deu Nome a Mixtape) - E o gran finale fica por conta da faixa que batizou o cd. Mais uma de arrepiar. Conta a história do mc; que perdeu o pai cedo, cresceu na pobreza da periferia só com a mãe e os irmãos, quase submeteu tendência de ir pro crime e foi salvo pelo rap. Traz no refrão a parte mais tocante, que conta algumas experiências do autor. Orra, que som foda! Que história foda!

Resumindo, o rapper consegue mesclar composições de diversos temas, sem decair na qualidade. E mesmo com pouca grana, conseguiu fazer barulho na cidade de São Paulo, e no Brasil. Pra Quem Já Mordeu Cachorro Por Comida Até Que Eu Cheguei Longe impulsionou a carreira de Emicida, e o fez crescer muito profissionalmente. Uma mixtape para ser ouvida e re-ouvida diversas vezes. E que mesmo na capinha de papel, vou guardá-la como um tesouro em meu quarto.


Como diz a folhinha que acompanha o disco no encarte, o poder está na rua: A rua é nóis! Minha alma agradece. Valeu Emicida!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Exame Nacional do Ensino Médio

Lá pro meio do ano, quando estava quase acabando o prazo para as inscrições ao o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), eu resolvi fazer a prova. Não estudei especificamente nada, e nem me esforcei o que poderia nos estudos em geral ao longo do ano. Me inscrevi mais para auto avaliação, e ver o que eu precisaria melhorar para o ano que vem.

Considerando que quase deixei de fazer a prova para ir a uma balada (o ingresso já estava comprado), até que foi tranquilo. Nunca tinha feito uma prova tão extensa, porém bastava ter concentração para realiza-la na íntegra.


A prova é bem feita, com textos retirados de diversos locais. Aliás, a grande característica do exame são os textos. São trechos sobre temas importantes, e não só componentes da matéria do ensino médio. Buscando despertar no estudante um senso crítico, os textos englobam desde notícias importantes, crônicas, obras literárias, letras de música, entrevistas á contos. Há também diversas tirinhas, anúncios de publicidade e imagens que servem de base a várias questões. Pode-se observar também um grande número de gráficos, tabelas e estatísticas na parte mais exata. Só senti falta de mapas na área de humanas.

No geral o ENEM foi muito bem elaborado. As questões pediam muito de interpretação e atentamento do realizante ao cotidiano. Cada vez menos levando a manjada decoreba das provas tradicionais. O aluno que fez o exame, teve antes de tudo, sua principal dificuldade no psicológico para se concentrar na resolução das questões e não se afobar com o tempo. Além de tudo, no segundo dia de provas foi necessário a elaboração de uma redação. O tema era sobre a imigração ao Brasil no Século XXI, surpreendendo a grande maioria de estudantes. Bastava redigir a dissertação com eloquência, apresentando o uso da norma padrão da língua portuguesa, não fugindo do tema proposto. Que aliás, este tema apesar de um pouco chato, é um assunto que poderá vir a tona em futuras discussões observando que o índice de imigrantes ao Brasil só tende a crescer.

Piadas do twitter á parte, dá para aprender bastante coisa no ENEM. O exame não é só para ser feito, e acompanhar seu próprio desempenho em relação aos outros. O exame é para ser relido em casa, com mais calma. Quem sabe até refeito por cada candidato. Há inúmeras informações em meio as questões, que contém uma grande abrangência, passando conhecimento sobre diversos assuntos importantes a quem realiza a prova.

Aprendizagens a parte, o ENEM tem o propósito principal de avaliar os alunos do Ensino Médio do Brasil. Há também quem faça o teste para concluí-lo. Mas a grande maioria dos prestantes, faz a prova com o intuito de ingressar em uma universidade federal. Acho que as universidades devem ter seus próprios critérios de admissão de estudantes, tendo por outros meios além do ENEM este egresso.

Presumo que não me saí mal nas provas, fui melhor do que imaginava. Agora é aguardar o fim do ano para ter esta certeza. Por aqui deixo meus parabéns ao MEC pelo sucesso do exame este ano! E encerro a postagem com a frase contida em meu caderno do primeiro dia: "Ler é descobrir-se na experiência do outro."

Até 2013.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Senhora

Então pela primeira vez vou falar aqui neste blog de um livro. O nome do romance é Senhora, que inclusive da nome ao post. De autoria de José Alencar, foi publicado em 1875, revolucionando a literatura da época.

Aurélia é uma jovem rica de 18 anos, solteira, e que mora numa mansão no centro da capital nacional na época, o Rio de Janeiro. A moça mora apenas com seus empregados, pois é órfã. A narrativa claramente idealiza as características dela, elevando suas qualidades. Essa forma de descrever personagens é romântica, estilo literário que predominava na época. O livro divide-se em 4 grandes partes, não obedecendo uma ordem exata de tempo.


Na primeira parte a jovem Aurélia Camargo pede a seu tio Lemos para que ofereça uma quantia alta de dinheiro para que Fernando Seixas, um jovem que voltara de viagem do nordeste, se case com ela. Porém ela não permite que o tio revele a Seixas a identidade de quem lhe oferecera este dote tão alto pela união.  O rapaz acaba aceitando, mesmo sem saber com quem iria se casar. Seixas não era rico, mas ostentava como se tivesse dinheiro. A má situação financeira da família, o fez aceitar o dote de 100 contos de réis. Os dois se casam, entretanto na noite de núpcias Aurélia explica ao então marido o motivo desta "compra". Ela prova para si mesmo sua tese do quão mercenário Fernando era.

Assim na segunda parte o autor relata a vida de ambos antes deste casamento. Aurélia foi uma moça muito pobre, que morava apenas com a mãe e o irmão. Seu pai nunca reconhecera a paternidade. Até que após a morte de seu irmão e quando sua mãe já estava em estado grave de saúde, o pai do pai da moça resolve finalmente reconhecê-la como neta, e lhe dá o que é de direito. Seu avô por parte de pai era um grande fazendeiro, e a concedeu uma grande quantia de dinheiro. Já Fernando era pobre, juntamente com suas irmãs. Ninguém havia arranjado casamento. Foi justamente nesta época em que os dois eram pobres, que acabaram se apaixonando. Aurélia não queria se casar com qualquer rapaz rico por causa do dinheiro que receberia de dote. Sua mãe insistia o contrário. Fernando já frequentava a casa de Aurélia. Parecia realmente que iriam se casar, porém outra moça ofereceu ao rapaz uma quantia de dinheiro pelo seu casamento. E mesmo sem amá-la, Fernando aceitou. Deixando Aurélia em grande desilusão.

Já na terceira parte o livro volta a atualidade. Aurélia mostra toda a sua ironia e seu sarcasmo com Seixas. Faz o moço se arrastar por ela, jogando lhe na cara sempre que havia o comprado. O casamento era de fachada. Não tinha sentimento mais entre os dois. Porém quem os visse podia jurar que eram um casal de apaixonados, devido ao tamanho cinismo da moça. Esta era a vingança de Aurélia, pelo o que Seixas fez com ela ano passado. E esta tal sede de vingança parecia não saciar nunca.

Por fim na última parte Fernando já se mostrava claramente desolado, mudando seu comportamento. Ele havia mudado seu jeito de se vestir (com bem mais modéstia quando antes não tinha dinheiro) e de trabalhar (não faltando mais na redação onde trabalhava). Aurélia as vezes entre suas dissimulações e cinismos, mostrava ser dócil e gentil. Alterando constantemente seu temperamento, mas nunca perdendo a elegância que lhe é de costume. E é nesta parte que Seixas termina de juntar dinheiro e paga a Aurélia o que havia recebido para se casar com a moça, "comprando" assim sua liberdade. A esposa vingativa se separa do marido mercenário, para então retornar o casal de apaixonados. Aurélia revela o seu amor ainda por Fernando, que agora sim a corresponde ao coração da moça. O final entre os dois é feliz.

(José de Alencar)

Pode se dizer que José Alencar foi muito criativo na criação desta história. O cenário do romance era o Rio de Janeiro do século XIX, em que o autor critica os costumes da sociedade da época. Uma sociedade na qual o casamento para muitos era apenas a oportunidade de se fazer dinheiro. Alencar também constitui uma personagem voraz, determinada e muito inteligente. Aurélia se destoava das mulheres desta época, que as vezes só cuidavam de seus filhos e de seus maridos.

Há diversas frases bonitas, com um palavreado difícil para o leitor contemporâneo. Adjetivos que engrandecem não só as personagens, mas também a obra quando bem empregados. Não é um romance longo, por isso não é difícil de se ler. É envolvente e intrigante, gostoso de se descobrir pouco a pouco as características e os detalhes da história. Um pouco burocrático é verdade, mas muito bem feito. Bela indicação de leitura para quem gosta de literatura!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eleições 2012 - Acorda Brasil

Um pouco atrasado (mas nem tanto) venho aqui comentar sobre as eleições municipais de 2012. No último dia 7 de outubro ocorreram em todos as cidade brasileiras a eleição democrática de cargos públicos para prefeito e vereadores. Abaixo coloquei algumas sugestões minhas a política nacional, mesclando-as com charges, imagens e vídeos. Leia caro meu amigo interessado em gestão pública, e partilhe sua opinião nos comentários.

Não acompanhei a eleição em todos os municípios brasileiros (e nem se eu quisesse acompanhar conseguiria), mas vi alguns resultados de cidades mais próximas a mim e a minha vida pessoal. Acredito que a população tem mudado um pouco sobre seu voto. Partidos tradicionais aos poucos estão perdendo algumas prefeituras para partidos menores. Então formei minha opinião sobre o cenário político atual deste país.

Acho totalmente desnecessária esta quantidade exagerada de partidos políticos, sendo muitos deles sem ideais e metas, existindo apenas para servir de base a partidos maiores, os cedendo tempo de propaganda política gratuita. Assim os quase 30 partidos políticos revezam entre si apoio em diferentes coligações variando conforme a cidade brasileira. Particularmente acho que deveria haver um reforma política nacional envolvendo todos partidos, militantes e políticos.


Em São Paulo a disputa se concentrou entre os candidatos do PRB (Celso Russomano), do PT (Fernando Haddad) e do PSDB (José Serra) que obtiveram um índice de votos bem expressivo. Serra é conhecido da população paulista, já foi prefeito e governador. Era o favorito antes das pesquisas (as quais eu não confio e muito menos baseio o meu voto em seus resultados), porém chegou a oscilar até o resultado final em que foi levado ao 2º turno. O desconhecido Haddad foi apresentado ao povo através da força política de seu partido, e aos poucos foi conquistando os votos dos eleitores paulistanos até chegar ao segundo turno. Já Russomano é um candidato rodado por vários partidos, um conhecido apresentador de programas apelativos e populistas, na qual buscou através de sua fama de bom moço ser o prefeito da cidade.


O resultado é que PT e PSDB novamente decidirão uma prefeitura em segundo turno. Porém este cenário por pouco não ocorreu. Talvez farta desta polarização entre os dois partidos, a população distribuiu seus votos a candidatos tidos como bonitões ou salvadores dos problemas da cidade; como Russomano e Chalita. Soninha Francine (PPS) até alcançou melhor votação, mas continuou sem muita expressão nesta eleição. Já Giannazi (PSOL), Paulinho da Força (PDT), Levy Fidelix (PRTB), Ana Luiza (PSTU), Miguel (PPL), Eymael (PSDC) e Anaí Caproni (PCO) obtiveram fraco retorno nas urnas. Isto é o retrato do excesso de partidos no país, que geram muitas vezes pouca visibilidade a pequenos, porém sérios, partidos políticos. Uma imensa maioria dos eleitores da cidade desconhecem os candidatos por um todo, se lembrando apenas daqueles que mantêm uma articulação com a mídia, um maior tempo na tv e um investimento econômico superior na campanha. É visível que o povo quer acabar com essa polarização entre tucanos e petistas, mas que escolheu sem critério político os primeiros candidatos que apareceram na mídia, se esquecendo os de menor expressão, porém com boas idéias e propostas a cidade também.


Assim fica praticamente impossível eleger um prefeito em grandes cidades sem o apoio midiático, de outros partidos (mesmo que contra alguns princípios do partido do candidato) e sem uma grande verba. O eleitorado tem que selecionar melhor seu voto. Pode parecer clichê, e é, entretanto não se pode permanecer na mesma situação política do país. O voto precisa ser facultativo para TODA a população. O cidadão vota se quiser. Assim evitamos que muitas vezes aquele eleitor que vota só por obrigação desperdice seu voto com algum candidato qualquer, que ele tenha ouvido falar mais na tv.


Isso acontece principalmente com candidatos a vereadores. O eleitor muitas vezes acaba votando no primo do pai do melhor amigo de infância do vizinho da sogra dele somente por achar que seu candidato é uma boa pessoa, e desprezando suas ideias na política. As vezes nem conhece o candidato. Deveríamos votar para quem quisermos, e em qual cargo quisermos, e o mais importante: se quisermos. A obrigação torna a política mais chata e burocrática do que já é. Dificilmente um cidadão se interessaria por ela sem nenhum incentivo, e pela sua má repercussão de seus políticos. Despejando na urna posteriormente seu voto em qualquer um, descrendo ter o poder de escolher o futuro da cidade em que vive.


E o principal eu deixei para o final. É inimaginável que ainda não temos a política como matéria no ensino público. Que cidadãos estamos formando? Como um jovem sai da escola sem saber o norte da gestão pública em seu país? A educação e a política andam juntas! Não se pode deixar que saiam do ensino médio um brasileiro sem uma noção básica da política e sua história. Mas como todos já sabemos, nada disso ocorre pelo desinteresse dos encarregados: OS POLÍTICOS. Qual deputado iria favorecer o ensino público para melhorar o voto do eleitor no próximo pleito? Os do Brasil não, já que ganham com essa ingenuidade do povo.


O povo também pode ajudar muito, ao escolher melhor seus candidatos e acompanhar seu trabalho caso eleito. Gostar de política. E para quem não gosta, para que votar? Era nessa democracia que eu gostaria de viver!

Aqui exponho um vídeo no qual achei na internet muito interessante, mostrando de forma irreverente o modo como os candidatos buscam a qualquer curso iludir o eleitor em seu horário político (que inclusive também deveria ser totalmente reformulado!): 




Em São Paulo apoiaria as ideias de Carlos Giannazi do PSOL, que se trata de um partido de esquerda muito sério e pé no chão. Porém como no segundo turno estão somente os vermelhos e os azuis, fico na torcida para que Haddad leve essa, e não deixe a prefeitura novamente nas mãos de Serra.


"NO DIA EM QUE ACORDARMOS, OS GOVERNANTES NÃO IRÃO MAIS DORMIR!"

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dom

Outra madrugada em claro que passei para ver um filme nacional. Virou rotina agora eu ver Sessão Brasil na noite de segunda pra terça, e depois comentar o filme aqui. O da vez foi Dom, primeiro longa de Moacyr Goés, que é baseado no clássico da literatura nacional, de Machado de Assis: Dom Casmurro. 

Os pais de Bento (Marcos Palmeira) resolvem homenagear o consagrado escritor brasileiro e o batizaram assim devido ao protagonista do livro, o Bentinho. Após tanto justificar seu nome de batismo, Bento passou a manter uma ideia fixa de que iria viver a história de Dom Casmurro. O rapaz morava no Rio de Janeiro, e ganhou o apelido de Dom justamente pela personagem principal do livro. Lá conheceu quando criança, Ana (Maria Fernanda Cândido), e passou a chamá-la de Capitu, devido a fixação pelo livro machadiano. Os dois viveram uma breve paixão de infância, interrompida pela mudança da família de Bento para São Paulo.

Cena do filme 'Dom', que a Rede Globo exibe na Sessão Brasil desta segunda-feira (Foto: Divulgação)

Bento cursou engenharia, e lá fez seu melhor amigo; Miguel (Bruno Garcia). Miguel não concluiu o curso, para se dedicar a carreira de cineasta. Assim convidou Bento para acompanhar uma gravação sua no estúdio de filmagem. Lá Dom reencontrou Ana, que se tornara uma atriz muito bonita. A paixão pela moça reascende em Bento, que se aproxima da moça. Os dois relembram os tempos de criança, no entanto são afastados novamente pela distância (já que Ana ainda morava no Rio de Janeiro). Dom se viu apaixonado novamente e embarca de surpresa num voo para a capital carioca, a fim de encontrá-la. Apesar de ambos estarem em um relacionamento com alguém, acabam se beijando e provando que seria inevitável ignorar a paixão antiga. Não demora muito para o casal ficar junto, e se mudar definitivamente para São Paulo.


Os dois são bem felizes no início, porém ao longo do tempo Bento vem demonstrando seu ciúme de Miguel, que cada vez mais se aproxima do casal apaixonado. Ana engravida, e o ciúme de Dom só aumenta. Além de muito ciumento, ele não quer que sua amada trabalhe. Ana então o contraria, e começa a gravar um filme com a direção de Miguel. O ciúme de Bento ia ficando cada vez mais incontrolável, afetando seu psicológico. O casal então briga diversas vezes, tendo como assunto principal das discussões o amigo de Dom: Miguel. Ana resolve partir com seu filho, deixando o marido após o mesmo fazer um exame de DNA para confirmar sua paternidade. No caminho Ana sofre um acidente de carro e acaba falecendo, entretanto seu filho acaba sobrevivendo á tragédia. O filme encerra-se com Bento junto ao filho, sem saber se realmente é o pai da criança, pois queimara o resultado do exame.

A intenção do diretor ao se inspirar no clássico de Machado de Assis foi boa, porém não é sinônimo de sucesso. O longa-metragem é regular. É nitidamente uma releitura de Dom Casmurro que segue á risca a linha do livro. Tendo como foco principal o ciúme de Bento, o filme acaba deixando de lado muita coisa presente no livro. Acho que o Moacyr imprimiu no filme sua opinião sobre o livro de Machado, em que Bentinho provavelmente não teria sido traído por Capitu, e sim ter fantasiado todo esse adultério. Logicamente que os roteristas não possuem o talento de Machado de Assis, deixando muito a desejar em relação a obra do mestre da literatura nacional. Mesmo assim vale acompanhar e se envolver na história, para no final ter a "certeza" de que Bento não foi traído. Já no livro, esta "certeza" é bem mais incerta. Felizmente!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Homem do Futuro

Venho-lhes mais uma vez a comentar sobre um filme nacional neste blog. Desta vez porém, não são somente elogios. Pelo contrário, é o primeiro filme brasileiro que comento aqui no qual eu não gostei do resultado por completo. Datado de 2011, o longa de Cláudio Torres apresenta uma história fantástica sobre um cientista super bem-sucedido economicamente, mas que por sua vez tem em seu passado uma grande desilusão amorosa. Tipicamente clichê de filmes internacionais.

João, o Zero (Wagner Moura), é estressado e um pouco biruta, sendo um professor universitário que paralelamente desenvolveu um acelerador de partículas "escondido" em sua universidade na qual trabalha. Com auxílio de Sandra (Maria Luiza Mendonça), sua amiga da época da faculdade, que financiou todo este empreendimento. Por meio de flashback alguns trechos da adolescência do cientista são relembrados ao poucos, até que Zero resolve testar pessoalmente sua invenção. Ele volta 20 anos ao passado para tentar mudar justamente a parte de sua história que lhe incomodava: a vergonha que passara no palco de uma festa da turma de sua faculdade, provocada por Helena (Aline Moraes) pela qual Zero era, e ainda é, perdidamente apaixonado.



Ao modificar o passado e evitar a vergonha que o jovem tinha se traumatizado, Zero achou que ficaria com Helena tendo um "final feliz" assim que voltasse a sua época normal. Entretanto ele não esperava que sua vida no futuro iria se modificar por completa, e que sua relação com Helena já teria se encerrado por próprios erros. Zero viu que quando alterou seu passado, consquentemente seu futuro também mudou. Tinha se tornado um dos homens mais ricos do mundo, e mantinha em segredo também um acelerador de partículas, de autoria de sua amiga pessoal e então parceira em seu negócio; Sandra.

Novamente então o rapaz voltou a exatamente 20 anos atrás, e enfrentou novos problemas para modificar outra vez o passado. De maneira com que o filme ia se tornando um pouco cansativo, Zero ia contracenando com diversas personagens de sua vida na tal festa de faculdade. No fim Helena acaba por beijar o Zero do futuro, e confiar que em exatos 20 anos o casal se encontraria novamente para então sim se tornarem "felizes para sempre". O passado foi concertado, Zero continuava um cientista, que corria para cumprir o combinado de encontrar Helena em duas décadas. Eles se encontram no aeroporto, se beijam e começam a viver finalmente a história de amor, tão comum em filmes de jovens, entre o nerd e a menina popular.



João e Helena parecem finalmente terem conseguido a tal felicidade, conciliando a carreira profissional com a vida amorosa. O filme entretanto, é muito previsível e as vezes burocrático. Toma em determinadas partes um ritmo cansativo e previsível. A história já de conhecimento popular. Um homem que retorna ao passado para tentar mudar seu presente e acaba alterando coisas demais. A menina popular que humilha o garoto estudioso na faculdade. Há também uma pequena presença de humor, que poderia ser melhor explorada já que o longa não possui uma qualidade superior. Enquanto o roteiro pode-se dizer que é famigerado, os efeitos do filme são bons. O encontro das personagens interpretadas por Wagner Moura (que aliás sobra em diversas cenas) parece bem real. Houveram no ano passado alguns filmes nacionais de boa qualidade, dignos de premiações. O Homem do Futuro certamente não é um deles. Apenas se trata de um filme para entreter o telespectador da televisão, logo após ao almoço de domingo.