Cola cum Fróis

Escrevo pela necessidade de me livrar das palavras | @_dudufrois

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Análise dos Sambas de Enredo 2014 - Grupo Especial SP

Fui a festa de lançamento do CD do carnaval 2014 de São Paulo, em dezembro. Ganhei o disco, ouvi em casa, passei pro computador, pro celular e agora passo pro blog minha opinião a respeito, antes que comecem a se intensificarem os ensaios técnicos.

O material é simples, muito bonito e bem organizado. Traz junto um encarte com informações das escolas e todos os sambas para o próximo carnaval. A única ressalta vai para a letra do samba da Águia de Ouro que, não sei como nem porque, está toda distorcida do oficial cantado na faixa do CD. Uma pena terem extinto aquela revistinha do carnaval que vinha junto ao disco. Boa informação nunca é demais. E parabéns por continuarem valorizando as agremiações do Grupo de Acesso, fazendo parte mais uma vez do produto deste carnaval um CD duplo.

Nesta análise, vou escrever sobre o que achei não só de cada samba de enredo (letra e melodia), mas de cada faixa. Será apenas minha opinião no momento e, que até o carnaval, com certeza deverá se modificar. Destaco em cada samba dois trechos: um bom e um ruim, um que me conquistou e um que me decepcionou, um acerto dos compositores e um que poderia muito bem não estar ali. Essa parte eu deixo para que vocês reflitam se destaquei os versos corretamente, ou não. Qualquer dúvida, explicação ou crítica; é só comentar!


Mocidade Alegre: "Andar com fé eu vou... que a fé não costuma falhar!"

"brilho nos olhos, alma lavada e paz no coração"

"Obrigado, meu Deus" por ter esse samba em 2014! É daqueles pra concorrer ao Troféu Nota 10, sabe? Redondinho, bem rimado e de linda melodia. O enredo facilita. É bem sacado, e de grande apelo popular. O samba, por sua vez, tem dois refrões muito bons. O primeiro deles, eu já até o imagino na avenida sendo cantado por aquela procissão de sambistas que a Mocidade sempre traz. O segundo refrão é um pouco mais longo, mas não de menor beleza. Além disso, proporciona um tempo exato para que a batucada faça lá sua graça. Acho apenas que os compositores poderiam ter evitado as rimas feitas com verbos terminados em "ar", na primeira parte do samba. E também que a participação de Cissa Guimarães na introdução da faixa é desnecessária. Cabia melhor um esquenta, um alusivo à escola... O destaque fica pra Igor Sorriso, que além de combinar bem com o tema, deu um show de interpretação. É outro nível, se comparado ao ano passado; muito melhor. E se em 2013 a escola já beliscou o campeonato, imagine agora.

"tenha fé que a fé não costuma falhar" 


Rosas de Ouro: "Inesquecível"


"Saudade! Olho pro céu pra nunca te esquecer"


Reza a lenda que enredo ruim dá samba ruim. Geralmente é isso mesmo. Com a Rosas, infelizmente, não foi diferente. Em "Inesquecível", a escola não traz absolutamente nada de inesquecível. Traz, sim, momentos da vida na qual praticamente todos passam, ou seja, a maioria. E levando "a maioria" para a avenida, a escola deixa de carnavalizar algo único ou inovador para trazer como tema uma vida estereotipada de alguém qualquer e comum. Assim, ao mesmo tempo que representa a maioria, acaba não representando ninguém, já que o que marca nossas vidas são os momentos diferentes, únicos; e não uma vida padrão. É justamente essa "vida padrão" que a escola descreve em seu samba. Nascer, brincar, beijar, tirar a habilitação, casar, envelhecer... Exatamente a rotina de vida clássica de uma classe média normal, sem apresentar qualquer novidade. Talvez por isso o samba tenha ficado um pouco comprido - sobretudo na segunda parte, quase arrastado. Dos refrões, gosto de um, apenas; o cabeça. Ele faz um jogo legal com "roseira". Já o refrão do meio traz algumas palavras de gosto duvidoso, e até rima "pra valer" com "oh! meu bem querer". Não adianta: não gostei do enredo, não vou gostar do samba. Darlan até que puxou bem, mas não adianta.

"Quando dei por mim já havia crescido"


Águia de Ouro: "A Velha Bahia apresenta o centenário do poeta cancioneiro Dorival Caymmi"

"E sobre as ondas do mar, no velho ita partiu/ sua viola a tocar a dor que o negro sentiu"

Depois de um show das caixas da Batucada da Pompéia, Serginho do Porto anuncia que "é pura emoção" cantar o centenário de Dorival Caymmi. Poeta, cancioneiro, sambista baiano; digno de homenagem de escola de samba. A letra já começa (com muita poesia) fazendo referência à diversas obras de Caymmi, e à Bahia também. Tem um segundo refrão muito bom, grande sem ser cansativo - no estilo daquele de 2013. O samba segue com frases compridas e belas, fechando a obra de maneira bem feliz. Não é aquela poesia melódica do ano passado, nem de longe; mas é uma das boas faixas do CD.

"é Águia de Ouro, supercampeã do povo"


Dragões da Real: "Um museu de grandes novidades"

"a magia nas cores da tela, um sorriso revela" 

Lembra do enredo da Rosas? Então, a Dragões também seguirá a linha da nostalgia, porém uma nostalgia concreta. Misturando Chico Buarque de Holanda, novelas da Globo, Michael Jackson e Os Trapalhões; a escola recorda-se das lembranças de uma geração que cresceu por volta dos anos 80. O samba canta o que fazia sucesso na época de uma maneira bem simples. Os pontos fortes estão na primeira e segunda parte. No primeiro refrão uma alusão ao samba "Vai passar", do Chico Buarque - que pra mim deveria ser cantado no esquenta de toda escola de samba antes do desfile. No segundo refrão, que fala sobre a infância e seus personagens da época, faltou aquela explosão que anima a galera. Não entendi apenas a ligação da parte final do samba, que fala do próprio samba, com o enredo como um todo: "E o samba a cada dia se estruturava...". Ainda mais por essa parte vir logo após a citação a'Os Trapalhões, ela pareceu-me "jogada" na letra. De resto, um samba animado (e muito bem puxado/arranjado); mediano, mas bem superior ao do ano passado.

"E o samba a cada dia se estruturava/ a evolução acompanhava/ mantendo suas tradições"


Império de Casa Verde: "Sustentabilidade, construindo um mundo novo"

"quero lavar minha alma/ na fonte que o rio deságua"

Com uma das melodias mais belas dentre os sambas do próximo carnaval, a Casa Verde estremece, sim, pela qualidade do samba. E, logicamente, pela batucada de primeira que tira onda na faixa. O samba pode até ter uma letra pobre, cheia de "ão's"; mas não deixa de ser bom. O refrão do meio, curto e esticado, cria um efeito muito bonito. O enredo pode até parecer clichê, mas não deixa de ser necessário. Soa mesmo como um grito de aletra, apesar de eu não enxergar muito bem a sustentabilidade em si na letra. Parece até um pouco ingênua, inclusive. Vale prestar atenção no intérprete da escola, o Carlão, um dos melhores atualmente. Enfim, é um samba de enredo simples, mas que funciona bem!

"sustentabilidade a hora é essa!"


Acadêmicos do Tucuruvi: "Uma fantástica viagem ao mundo da imaginação infantil"

"Educação é ir além!"

Outro enredo batidíssimo no nosso carnaval, porém, se bem abordado, ainda pode render um belo desfile. Aliás, nesse carnaval, tem uns 4 temas assim já, né? O samba não é lá grande coisa. Tem uma melodia legal, pra cima. Um terceiro refrão bem explorado no samba. No entanto, a letra não me agrada. Ela é recheada de clichês, versos de gosto duvidoso e palavras no futuro (dando efeito de como se o eu-lírico tivesse prevendo alguma coisa no samba). Além de ter um dos piores refrões do carnaval, o refrão do meio, que me custa acreditar que será cantado na avenida por uma escola do Grupo Especial. Rimam "sei lá" com "compartilhar", numa provável alusão infeliz ao universo das redes sociais, que estão longe de serem destinadas ao público infantil. Essa parceria de samba aí já fez sambas muito bons para a própria Tucuruvi. Este ano não deu muito certo. Às vezes o enredo não ajuda.

"Quem é o dono da rua? Sei lá!"


Vai-Vai: "Nas chamas da Vai-Vai, 50 anos de Paulínia"

"Resplandeceu.../ um novo dia com a quebra das correntes"

Falar de Paulínia não é comum. Falar de cidadezinha brasileira com história de indiozinho, negro, independência e café, só pra receber patrocínio do lugar; sim. Não precisa nem chamar de enredo batido, né? Cabe a Vai-Vai me mostrar o invés, mostrar que Paulínia é diferente de todas as outras cidades-tema-de-carnaval. Permaneço cético até que o desfile prove o contrário. O samba, é pra frente, como característica marcante da escola. Dá um guinada legal em "o povo pôde festejar... festejar". Destaque para melodia. A letra também não fica atrás, não. Bem construída, bem rimada e com uma pitada de poesia. Só devemos tomar cuidado com a idealização do tema em excesso. Pode acabar criando uma imagem irreal do enredo. Também não me desce o refrão do meio, soa forçado. Dá a impressão que foi feito na pressa. A faixa é muito bem interpretada pelo Marcinho, e abrilhantada por Thobias da Vai-Vai e Dodô do Pixote (este, no samba-exaltação). Aliás, bela homenagem à Dona Odete. E aê? Tá bom de açúcar, ou quer mais?

"o esporte é vida, saúde e paixão/ é emoção"


Nenê de Vila Matilde: "Paixões proibidas e outros amores"

"nosso desejo está escrito no olhar"

Famosa por seus sambas memoráveis, a Nenê parece que ultimamente vem deixando a tradição de lado e levando pro Anhembi sambas cada vez mais comuns. Não deixa de ser um enredo comum também, com o diferencial nos amores proibidos. O samba é bem grande, deve-se atentar para que a melodia nesta letra comprida assim não canse na avenida. O enredo também é longo. Não chega a ser um samba ruim. Mas está longe de ser uma bela obra. Não me parece ter um diferencial em específico. Parece mais aqueles sambas técnicos, pra jurado ver. O avalio como um "simples" que podia ser aperfeiçoado. A Nenê podia mais...

"Eu vou... nessa viagem de amor/ no universo do prazer"


Gaviões da Fiel Torcida: "R9 - O voo real do fenômeno"

"Mas, nos campos nem tudo são flores"

Falando dos voos do ex-jogador, hoje empresário, Ronaldo Nazário de Lima é que a Gaviões vem pro carnaval. Fizeram um belo jogo de palavras encadeando o enredo entre os voos da carreira dele, o tal Voo Real, com o tradicional voo do Gavião, simbolo-mor da escola. Esse enredo parece ter uma abordagem legal também, saindo do tradicional enredo-biografia. A letra é de uma poesia admirável, nem parece falar do Ronaldo, rs. São rimas intercaladas, versos bem postos. O único problema é que o samba não contagia. A melodia não empolga. E não estamos acostumados com isso na Gaviões (talvez isso venha lá de 95, com o "me dê a mão, me abraça..."). O refrão até tenta chamar a galera, fracassando já no terceiro verso. O samba em si é muito bonito, mas como carnaval é alegria, explosão; acho difícil vê-lo funcionar na avenida.

"Consagrado no cenário mundial/ Ronaldo, fenomenal!" 


X-9 Paulistana: "Insano"

"Será.../ que o personagem na ilusão do escritor/ se assemelha à visão de um pintor?"

Eis aqui um dos melhores enredos do carnaval paulistano deste ano! Coisa de doido. A cara do carnaval. E é nessa loucura que a X-9 apostou num tema tão original. O samba acompanha o tema. É redondinho, encaixado, super bem montado. Um verso vai complementando o outro, como num poema bem elaborado. A melodia não chega a ser contagiante, mas empolga. É fácil de guardar. E o refrão principal ajuda. Um samba não muito incomum, mas que aposta na transgressão que o enredo faz para torná-lo diferente, alucinado, fora do normal. A Zona Norte tá louca pra ganhar o carnaval!

"Graças a Deus/ A fé não fez queimar a liberdade"




Acadêmicos do Tatuapé: "Poder, fé e devoção. São Jorge guerreiro"

"Tu és cavaleiro de tantas batalhas,/ São Jorge guerreiro, você nunca falha"

Sabe aquele samba do ano, que marca a safra e o CD? Não? Escute o da Tatuapé, então. Só a introdução já dá uma sacudida legal. A obra é emocionante, quase um clamor a São Jorge. Quem diria, uma escola de samba tendo um santo católico como tema, hein? A letra inicia narrando a saga do cavaleiro que se tornou símbolo dos guerreiros. E narra muito bem. Rimas bem encadeadas, ricas. Não se estende além do necessário. O destaque da faixa mesmo fica por conta da lindíssima melodia. Soa valente. Carrega axé. Emoção. Devoção. Chega a parecer uma prece. Vaguinho e Wander Pires puxam muito bem em dupla. Ainda mais com uma participação mais que especial de Leci Brandão. O samba explode mesmo no refrão do meio, ali no "Ogunhê..." é o ápice. E essa energia segue a música inteira, dando outra subida significativa em "Tu és cavaleiro...", para atingir a redenção lá no refrão principal. É realmente uma obra-prima, singular. Chega a comover. E olha que nem devoto eu sou. É muito axé!

"fiel padroeiro/ na terra do carnaval"


Tom Maior: "Foz do Iguaçu: destino do mundo - Sinfonia das águas em Tom Maior"

"Na dança das águas eu vou me banhar/ lavar a alma na cachoeira"

A segunda escola que tem uma cidade como tema do carnaval 2014 ao menos escolheu uma cidade curiosa para carnavalizar. Foz de Iguaçu tem lá suas particularidades (as cataratas, a fronteira com outros dois países, o Parque Nacional, a usina de Itaipu). O samba da Tom também. Outro samba redondinho. Pudera, já viu a escola fazer samba ruim? A melodia é empolgante e sobe muito no refrão do meio (com a ajuda da bateria, claro). Na segunda parte, a letra mostra toda sua irreverência. Mas é no começo do samba que há a descrição mais bela da cidade. Rene Sobral somado a essa batucada só acrescentam na faixa.

"levando a energia de Itaipu/ 100 anos de Foz do Iguaçu"


Pérola Negra: "Caminhos segui, lugar encontrei... Pérola Negra - A suprema felicidade!"

"seguindo o caminho da virtude e do bem/ sem olhar a quem"

Numa pegada mais filosófica, a Pérola vem desfilar a felicidade em conjunto com o aniversário da escola. O enredo é bem bolado, mas difícil de virar samba. Samba contagiante, pelo menos. Divido o samba da escola ao meio. Possui uma letra bonita, inteligente. Não são nem as rimas, que nem chegam a ser tão elaboradas, e sim os versos inteiros, bem encaixados no tema. E possui também uma melodia que chega a dar sono. O prolongamento de algumas palavras agrava isso. As viradas melódicas também não ajudam. O refrão principal não soa espontâneo, além de ser um refrão bem clichê no mundo do samba. O que proporciona um respiro é o refrão do meio, a parte mais feliz melodicamente. Cuidado, Vila, que até sambas curtos podem arrastar na avenida. Aliás, infelizmente, não há no hino deste ano nenhuma referência ao belíssimo samba-exaltação da escola (aquele do "veeeeeenha, você verá que vale à pena..."), que fala sobre ver o povo da escola sambar feliz. E se há, tá bem escondido!

"A vida não teria sentido/ sem você eu sei que não vivo"


Leandro de Itaquera: "Ginga Brasil, futebol é raça. Em 2014, a Copa do Mundo começa aqui."

"tocou para o povo, driblou a nobreza"

Falando não só da Copa no Brasil, mas do futebol brasileiro em si; a Leandro traz um samba gordo, de três refrões. Acho um tanto desnecessário. Não sei se devido ao tamanho do samba, a escola acelerou um pouco o andamento. A primeira parte é complicada, chega até ser cansativa. Os refrões, são simples. Apenas estão chamando a galera. Por isso acho excessivo. Na segunda parte o samba melhora. E logo é atropelado por outro bis. A escola tenta trazer a Copa pro povo, pra Itaquera; mas infelizmente quem senta na cadeira enumerada novinha em folha do estádio recém-inaugurado pra ver o Brasil jogar, não é quem brinca o carnaval na avenida.

"e a galera se agita na palma da mão/ ao som da Batucada do Leão"


Resta decorar as letras e aguardar os desfiles... Porque o CD do carnaval paulista deste ano ficou bem mediano em termos de qualidade dos sambas. Qualidade, aliás, que vem decrescendo conforme os anos correm. A produção também deixou a desejar. Quase não escuto a bateria das escolas de samba ao longo das faixas. Os graves são encobertos pelos agudos. O cavaco praticamente tampa os agudos. Difícil é decifrar os breques das batucadas assim. Sem contar que as escolas nem têm tempo de fazer um esquenta antes de mandarem os sambas. Está tudo muito limitado, padronizado. Inclusive os enredos do carnaval deste ano. Quase todos já vistos. São poucas novidades na criação. Nosso carnaval já fora mais ousado, mais irreverente.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

#DesafioDia23

Por fim, encerrando a bagaça, chego a última postagem da série sobre minha última semana, tão desafiadora. Agora, além de postar os acontecimentos/reflexões do dia, vou agregar à publicação, lá no final, um resumão de todos os itens do desafio.

Como o texto que li é sobre Vinícius, o poema de hoje não poderia ser de autor diferente. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo trata-se de um poema com jeito de conto. Um poema sem rimas, mas muito bem ritmado. E envolvente. Poético ao máximo, romântico ao estilo do Poetinha. Conta-se a história de duas irmãs de Botafogo, carentes de amor e família,  que acabam tendo no sexo fácil uma forma de conquista e passa-tempo. As estrofes mostram como as duas eram unidas, amantes da noite; e como eram mal julgadas pela sociedade ao seu redor. Principalmente pelos homens. A vida de ambas prosseguia infeliz, sem sonhos. Numa noitada qualquer, elas morrem juntas, a sós, evidenciando que uma só tinha a outra como amizade sincera. E o poema se finda bem ao estilo de Vinícius de Moraes: triste, melancólico; mas de um sentimentalismo sublime.

Fechando a parte musical, vamos de Caju e Castanha. Vai apanhar quem não disser Roda, Rodete e Rodiano. Embalando a embolada com o pandeiro, a dupla nordestina brinca com as rimas, com as palavras, com a velocidade que a música é cantada. É impressionante o flow dos dois. Sempre que escuto um repente fico admirado com a habilidade desses caras. A letra fala de porta, portela, ará, urú, arara, roda, rodete e rodiano. O que isso significa eu não faço ideia, mas que tem uma ginga diferente; Ah! Se tem... Se não tivesse, Chico Science não teria regravado a canção assim:


Finalizando o setor dos filmes, assisti um documentário produzido por alunos lá da UFF sobre botequins. Boa sacada. O curta reúne depoimentos de frequentadores de alguns botecos onde foram feitas as filmagens. O resultado foram declarações bem espontâneas das figuras peculiares que preenchem as mesas de bar do Rio de Janeiro. Os alunos conseguiram captar a sinceridade que só o botequim tem; claro, depois de uns 3 ou 4 chopps... Papo de Botequim é isso. É o falar da vida, sem compromisso. Sem puxa-saquismo. Sem bajulação devido a liberdade que o bar proporciona (ou ao menos parece proporcionar) aos seus clientes. Como foi citado no vídeo, o bar é democrático. As pessoas que lá estão também tem que ser. Só lá ocorre o (genialmente) chamado Socialismo Etílico. O bar, com uma mãozinha do álcool, permite isso. Além disso, é no botequim que se relembram as melhores histórias. E que nascem muitas delas também. Lá, a vida rotineira fica de lado por um momento. Enquanto se ouve um samba do Noel, não se pensa no trabalho estressante, na doença de algum familiar ou em outro problema qualquer. O papo de botequim é um dos melhores que tem. Quero conversar muito ainda sentado numa cadeira de madeira, com uma marca famosa de cerveja estampada na mesa e aquele copo geladinho na mão esquerda. Sempre bem acompanhado, logicamente.

O texto de hoje vai pro meu caderno, que eu não usava desde ano passado. Sei lá, abri e escrevi. Guardei de novo. Não sei porque eu guardo tanta coisa inútil assim...

Como eu havia falado antes, li sobre Vinícius de Moraes. Um texto de José Castello que disseca o poeta em faces bipolares. Além disso, o autor afirma categoricamente que ele fora o poeta do desespero. Mais do que exaltar o amor pela alegria, pela vida; segundo Castello, ele narrou em seus versos uma verdadeira sucessão de decepções de um homem atormentado. E não é que ele me convenceu? O texto, feito em 2009 para a Revista Bravo!, tem bons argumentos para declarar que a dor do Poetinha foi maior que seus prazeres. Vejo Vinícius como um homem ingênuo no amor, por vontade própria, que buscava nas mulheres (e no casamento) a mais pura paixão. Assim, quando não retribuída de maneira equivalente, essa paixão esfria, transforma-se em ilusão; e só Vinícius poderia dizer pelas quantas desilusões amorosas passou. Por aparentar sofrer tanto, acredito mesmo que ele teve algumas desilusões. Mas acredito também que as vezes em que Vinícius amou sinceramente e foi amado da mesma forma não foram poucas. Só o poeta poderia responder essa, em forma de versos, talvez. Sabemos só que Uma Alma Duplicada como a dele, soube muito bem extrair seus sentimentos em forma de poesia. Seja ela sobre a luz, seja ela sobre a escuridão.

Matei umas formigas e ajudei na cozinha. Não me recordo se foi nessa ordem.

E por fim acabou. De balanço positivo eu tiro 7 músicas novas na coleção, a minha volta à escrita no papel, a minha volta também à leitura de poemas, 7 filmes inéditos na mente, junto com outros 7 textos. Mente expandidíssima! Ajudei minha mãe na casa, de forma bem insignificante, mas já é um começo. Espalhei sim sorrisos, apenas não os contei. Fiz uns exercícios diários (tirando hoje). Entrei menos no face, no twitter e no instagram. No whats, não. Não consegui acordar cedo todos os dias, mas tentei. E só bebi duas vezes... fim de semana a gente não aguenta, né? O tal desafio deu uma sacudida legal nesse blog, que tinha ficado um tempinho jogado de lado. Quero voltar a ativa agora. Não postando todos os dias assim... Voltar quando der. E vai dar.

Vou ver se prossigo com algumas partes desse desafio, desta vez sem o dever de ficar postando e analisando tudo aqui. Essa parte chata, xá com a minha cabeça.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

#DesafioDia22

Outro dia que chove, outro dia de colar na quadrinha pra jogar bola, outro dia pra postar aqui. Começando a ficar cansativo já... rs

Outro poema do Solano Trindade também, gênio! Virei fã agora. Rainhas e Escravas define a época em que vamos chegar agora, o carnaval. É quando as mulheres negras são vistas, admiradas pelo talento, "riquíssimas de ritmo e de sexo". Como no concurso da Globeleza que rolou esses tempo aí. Rainhas por três dias. Apenas. Esse reinado não dura até a quarta-feira. E que depois do carnaval, voltam a ser escravas. Infelizmente, esse reinado ainda não dura. Pelo menos na tv não mesmo...

Tim Maia! Que delícia é ouvir as músicas desse cara! Márcio Leonardo e Telmo fala dos dois "filhos" de Tim, claro, com muito swing e soul, que já é de praxe. O destaque vai para o baixo, a guitarra e os metais que sempre abrilhantaram suas canções. A música ainda profetiza a futura carreira de Márcio Leonardo. Extremamente dançante, e a cara de Tim; a track tem um único defeito: ser curta.


Vi uma reportagem-documentário na internet, feita nessa semana, sobre a medida tomada por Haddad este mês de reinserir o viciado em crack na sociedade, dando-lhes apoio e emprego. Na TV Folha #98 - As gírias da Cracolândia, os repórteres conversaram de maneira bem próxima com usuários da droga. Foi feita uma interação mais afundo, com 3 ou 4 usuários contando suas histórias e seu cotidiano, enquanto fumavam a pedra. O jeito como é abordado o assunto, dando voz aos moradores da Cracolândia, é muito bonito, bem feito. Misturam ainda no vídeo depoimentos de sociólogos com o desabafo dos moradores do bairro onde se instaurou a Cracolândia, além de registrarem uma visita do prefeito ao local, já com os usuários trabalhando. É de comover tamanha a gravidade da situação das pessoas que lá vivem. Um exemplo simultâneo de excelente jornalismo e triste realidade.

Sigo escrevendo sobre os sambas de 2014, vez agora do Rio de Janeiro. Falta é tempo. Mas esse mês tá tudo aí.

Li um texto do Leonardo Sakamoto que ironiza de forma tão direta e acentuada a argumentação vazia de que: maconha faz mal, logo deve ser proibida. Ali, Sakamoto aponta de maneira inteligente outras diversas coisas (e diversas MESMO) que fazem parte do nosso dia-a-dia neste mundo capitalista do consumo, e que fazem tão mal quanto a erva, estigmatizada como coisa do demônio. Assim, além de ajudar a combater ao conservadorismo engessante da classe que apoia a repressão e criminalização da droga, ele expõe o quão hipócrita é o discurso dessa gente "de bem" e que afirma que seu corpo "é um templo". Maconha faz mal, bem mesmo faz cerveja e calabresa frita, né?

Emprestei minha chave, abri o portão e tranquei depois.

Quero viajar, escrever outras fitas. Até que tô cumprindo legal o desafio. Até amanhã!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

#DesafioDia21

Mais uma noite a gente tá aqui, com saúde e disposição. Outro dia gostoso. Outro dia cansativo. E assim janeiro prossegue.

Seguindo a linha dos poemas de Solano Trindade, a bola da vez hoje é Tristes Maracatus. Também extremamente ligado a cultura-religião africana, o poema vai ao baticum firme do maracatu para reavivar suas origens e demonstrar recusa ao "mundo de guerra e de ódio". Assim, percorrem-se as lembranças do poeta tendo o ritmo negro como fio condutor. No fim, ele mistura outros ritmos conhecidos por serem vindos também da África.

Foi através de um depoimento de Dumatu MC que eu cheguei a música de hoje. Nesse depoimento que circula na internet o rapper conta a história de como foi torturado de maneira cruel pela polícia de sua cidade, após tentar escapar de uma viatura. E o cara é talentoso mesmo. Em Papo de MC, Dumato argumenta o porquê de desobedecer as regras do sistema. É uma letra de revolta, de basta; radical como tem que ser. Chovem críticas à cidade dele, Campo Grande, e a quem a governa/tem autoridade. Mas pode-se perceber no fundo que se trata de uma declaração de amor sincera ao lugar. Que é como outra cidade qualquer do país: repleta de problemas do homem, mas também cheia de encantos naturais. Espero que a carreira dele dê uma alavancada com esse depoimento exposto. O cara merece. E que continue assim... "radicalmente revolucionário".

https://www.youtube.com/watch?v=5-YNZQAnzL4
Acima, o link do vídeoclipe da música, que está bloqueado para postagens em outros sites.

E as vésperas de se completar 11 anos do falecimento de Mauro Mateus do Santos, o Sabotage, assisti o documentário que saiu há pouco tempo sobre a história da vida do rapper, Sabotage Nós. Vindo lá da Zona Sul de Sampa, Sabotage ingressou nos palcos de RAP da cidade por meio das amizades que construiu dentro do movimento. Nomes como Rappin Hood, Sandrão, Helião, Negra Li, Sombra, DJ Cia, o grupo Potencial 3 e alguns produtores do Sabotage aparecem contando sua história que vai do tráfico ao RAP. Intercalam no documentário algumas entrevistas, reportagens e depoimentos de Sabota e seus familiares e amigos. Mostra-se onde ele cresceu e começou a escrever, periferia pura. Contrariando as estatísticas, o rapaz se tornou um dos maiores nomes do hip-hop nacional, propagando a cultura até nas telas do cinema. Sabotage hoje é admirado por todo o país, imortalizado pelo seu talento único. Seu nome sempre será lembrado.

Continuei escrevendo sobre os sambas de enredo de 2014. Dessa vez do Grupo de Acesso. Tudo quase pronto. Afinal, carnaval tá chegando!

Li no site de Cynara Menezes, colunista da Carta Capital, um post intitulado Qual a diferença entre o crack e a cocaína? A classe social de quem consome. Nele a blogueira expõe estudos que comprovam que crack e cocaína são praticamente as mesmas drogas, sendo o crack, porém, de efeito mais forte por ser fumado. Ela desmente também - apontando estudos - a ideia vendida de que o crack é extremamente viciante, e que praticamente não há recuperação. Sendo mais em conta, o crack acaba sendo consumido pelas classes mais pobres; e a cocaína, mais cara, pelo pessoal um pouco mais endinheirado. O ponto maior do texto é a outra visão demonstrada pela autora a respeito das políticas públicas em relação aos dependentes de crack que acabam morando nas ruas de cidades de todo o país. E na contramão de políticas higienistas para "limpeza" das ruas habitadas por "essa gente", o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, demonstrou coragem e disposição ao propor novas ideias ao assunto. Haddad propôs que os viciados na droga passassem a trabalhar na limpeza das ruas, reinserindo-os aos poucos na sociedade, sem precisar mandar a polícia descer o cacete, nem recorrer a igrejas que buscam fiéis a todo custo. A medida da prefeitura foi devidamente elogiada por Cynara, e as críticas ficaram para os hipócritas que insistem na dupla repressão & criminalização (que vem perdendo feio) para o combate de drogas. Mente fechada é osso!

Recolhi os entulhos que sobraram da construção da casa, e juntei as madeiras largadas pela varanda, pra quem sabe queimar depois.

E não aguentei, e liguei a tv do quarto. Mas foi por uma boa causa: Serra Pelada. O filme que a Globo vai transmitir em forma de série foi bem elogiado no ano passado, e faz tempo que eu tava querendo assistir. Se não for agora, quando será? Já que a internet dificulta cada vez mais a propagação de filmes entre seus usuários. De resto, tudo em cima do laço.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

#DesafioDia20

Segunda-feira com cara de segunda-feira. Acordei tarde, sem querer. Tenho que arrumar esse despertador. De resto, tamo aí seguindo em frente.

Começando agora com um poema do grandioso Solano Trindade, que aliás tenho um livro aqui em casa - esse ano eu leio ele todo. Salve descreve todo o peso dessa expressão tão forte em minha vida. Que ao mesmo tempo saúda o povo e o abençoa. Solano, poeta popular, exalta o próprio povo, os descendentes de escravo, a gente simples personificada na figura do negro velho. E manda um salve a quem "ama a vida sem medo da morte", e a quem "ama a liberdade sem medo de prisões e fuzilamento". Salve Solano!

África... Misteriosa África. Pela primeira vez vou postar um samba-enredo como música do dia. É o da Grande Rio de 1994, Os Santos que a África não Viu, que traz uma belíssima linha melódica. Um samba grande, mas encorpado, sem inchaço de palavras, completo. Já nos refrões o tamanho se inverte, ficam curtos e fáceis de memorizar; mas não de qualidade inferior. Quem deu voz a obra foi o conhecido Nêgo. A escola vinha naquele ano cantar as heranças que o continente africano trouxe ao Brasil, sobretudo na religião. A fé, as tradições, o trabalho, os costumes, toda a cultura negra enraizada lá na África e eminente até os dias atuais. E de corpo fechadíssimo, saravá!

Obs: não encontrei o vídeo do samba na gravação do cd daquele ano, apenas um compacto do desfile oficial, que talvez seja ainda melhor.

O filme visto hoje foi da série Cheech and Chong, Up in Smoke, por sugestão de amigos, rs. São dois hippies, no auge do movimento, lá nos Estados Unidos, que se conhecem de maneira inusitada e saem pelas estradas do país arranjando confusões, fazendo graça e fumando pra caralho. A dupla tem afinidade com a música, além, claro, da erva. Mostram um jeito meio alternativo de viver com bom humor, sempre com a polícia na cola. Passam por drogas, mulheres e música até o fim do longa. E têem na música, em um festival de rock, a redenção. Outra comédia leve, pra abrir a mente. Sair do que eu vinha assistindo. Agora eu volto pros filmes mais "cult", tá?

Tô escrevendo sobre os sambas desse ano de Sampa. Fiz do Especial. Farei do Acesso. Depois sobre os sambas do Rio de Janeiro. E posto. Não sei se nessa ordem. Mas quero jogar na rede minha opinião antes de começar a frequentar os ensaios técnicos e ver os sambas ao vivo. Se não eu mudo de opinião, e aí já viu, né?

Li hoje, na Ilustríssima de ontem, uma matéria sobre o aniversário de Sampa que vem aí. Um ano de 433 dias traz à público um resgate sobre os 400 anos que a cidade de São Paulo completou em 1954. Naquele tempo ocorreram as comemorações do IV Centenário que durariam mais de um ano: exatamente os 443 dias que dão nome à reportagem. Passeia-se pela política da época, pelos eventos comemorativos, pelos pontos turísticos/históricos da cidade e por algumas personalidades que fizeram parte do evento. Do teatro municipal ao campo de futebol, tudo foi bem relatado por Daniel Salles. Faltou, porém, dizer que o grande campeão do carnaval da época foi o meu Camisa Verde e Branco, recém fundando até então.

Cuidei do cachorro e do quintal. Eu sei, preciso ajudar mais... rs

Legal, consegui limitar meu tempo nas férias. Sem ironia. Legal mesmo. Sinto-me um pouco mais produtivo. Um pouco mais cansado também. Mas pode vir que eu dou conta.

domingo, 19 de janeiro de 2014

#DesafioDia19

Se ontem eu estava cansado, hoje estou quebrado. Por completo. Dói o corpo todo. Mas férias é pra isso né?

Outra poesia do Bandeira, do mesmo livro da de ontem, hoje foi a vez de Versos de Natal. A obra aborda a reflexão de um homem, que no natal se vê corroído pela vontade de retornar-se a viver como um menino. Ou então, que mostra que aquele menino sempre esteve dentro do homem. E para refletir isso, Manuel Bandeira usa uma linda metáfora com o espelho e os reflexos de quem nele olha. Um natal quase romântico.

Na área musical caiu no meu player hoje Amazonas, de João Donato. Quem disse que música precisa de letra? Instrumental puro. Puro! Com uma carinha de Brasil. Algo leve, que mistura batucada com sopros numa base de piano. Dá uma levada bem gostosa. Não sou muito fã de música instrumental. Mas ouvi três ou quatro vezes em seguida...


Na sessão de filmes, vi outro documentário hoje. MPB: A história que o Brasil não conhece. As filmagens se inspiraram num livro que foi publicado nos anos 40 e que contava os sucessos que a música nacional vinha provocando em todo mundo. De início até achei que fosse algo verdadeiro, mas depois, vendo o documentário, percebi que se tratava de um vídeo completamente irônico e bem humorado, não deixando de criticar o cenário musical em que estamos vivendo no Brasil. Mostra-se ali, que desde os anos 80 a música popular brasileira perdeu sua identidade e passou a ser moldada conforme as gravadoras e os produtores bem entendiam. Lá surgia o apoio dos veículos de comunicação em massa nas músicas de qualidade duvidosa, prontas para o sucesso. O documentário chega a ser bem engraçado em alguns momentos, mas acho que faltou um pouco mais de crítica real (ao invés da forma irônica) às músicas ruins que nos impõem involuntariamente. Não deixa de ser uma teoria da conspiração bem feita. Não deixa de ser uma prova de amor a nossa música boa.

Voltei a escrever poesia suburbana, literatura marginal. Tô enferrujado. Mas é só pra tirar a caneta do ócio. Preencher as lacunas das linhas do caderno.

Li uma matéria no Observatório Imprensa muito boa a respeito da mudança de alvo da mídia nos últimos dias. Lá, recordava-se o cuidado que todas as grandes famílias donas das empresas de comunicação do Brasil tiveram com Gilberto Kassab nos últimos anos, quando escândalos de corrupção chegaram a pessoas muito próximas ao ex-prefeito. Foi observado um cuidado imenso dessas famílias com a imagem de Kassab, na época recém fundador de seu partido que se mantinha neutro (nem governista, nem oposição). Agora, com o apoio de seu partido ao PT num possível segundo turno das eleições deste ano, as manchetes de jornal mudaram completamente. O Observatório prova isso colocando frente a frente as capas dos dois principais jornais brasileiros, Folha e Estadão. São quase idênticas, quase o mesmo texto na manchete, e com o mesmo conteúdo. Quem quiser conferir, basta ler a manchete da Folha de S. Paulo e a do Estado de S. Paulo no dia de hoje (domingo, 19) e observar a união da grande mídia para jogar o povo contra o Governo Federal atual. Enquanto isso o cartel do metrô é abafado...

Quase não fiquei em casa hoje, mas o tempo que fiquei fiz meu café.

E assim segue mais um dia, o mais cansativo, sem dúvidas. Agora é recarregar as baterias (inclusive do celular) até amanhã de manhã. Quero acordar noutro pique.

#DesafioDia18

Já acordei tarde, sem despertador... mas dá um desconto, né? Fui dormir mó tarde também, tava cansadão. Desculpem o atraso, e vamos lá!

Antes o primeiro, o poema agora foi o último do dia. Bacanal, de Manuel Bandeira é muito bem rimado. Sempre em quadras e com os três primeiros versos metrificados, sendo o quarto uma saudação que provoca um ritmo diferenciado na leitura, as estrofes falam de festa, carnaval, alegria, vinho, versos, mulheres... bacanal. Veio em boa época. Evoé Baco! Evoé Vênus! Evoé Momo!

O ritmo hoje foi de Jorge Ben, Porque é Proibido Pisar na Grama. Clássica dele, era uma música que eu nunca tinha escutado. Bem ao estilo Jorge Ben, a música é cheia de necessidades simples, porém relevantes, que fazem parte do nosso dia. Com certeza inspirou Dexter a escrever Como Vai Seu Mundo, ainda pelo 509-e. Eu também preciso de carinho, Jorge. Todos nós precisamos. Lhe compreendo sim. Só não sei ainda porque nos proíbem de pisar na grama.


O filme que assisti chama-se How High, traduzido em português para Dois Doidões em Harvard. E é doideira mesmo! haha. Uma comédia que reúne os rappers americanos Readman e Method Man como protagonistas, mostra que dois jovens humildes e descompromissados podem alterar facilmente um ambiente extremamente elitista e conservador como a Universidade de Harvard. Por méritos próprios a dupla não entraria na faculdade, mas daí surge o caráter fantástico do filme. O fantasma de um amigo dos dois os ajuda nos testes. E sempre em paz e de bom-humor os caras vão conquistando quem deles se aproxima, fazendo amigos e, claro; fumando muito. Fazia tempo que eu não curtia uma comédia assim.

No setor de criar texto, terminei a parte da letra de um samba-enredo que estou fazendo pra uma escola virtual. Falta o mais difícil, encaixar melodia.

Li na Folha uma bela homenagem aos 460 anos que a cidade de São Paulo completa neste mês, em que Antônio Prata e Mário Prata (pai e filho) entrelaçam suas histórias com a cidade de hoje e de 37 anos atrás. Cada um conta como foi o dia do nascimento de seu respectivo filho, tendo como cenário a capital paulista e seu momento histórico. Da ditadura às manifestações do ano passado. E mostram como uma cidade tão grande e intensa, mesmo repleta de problemas, pode se tornar peça fundamental na vida de tantas famílias que nela (sobre)vivem.

E pra rimar: recolhi a roupa do varal, e tirei as coisas lá do quintal.

Infelizmente, não aguentei. Tomei duas garrafas. Mas vai... o que importa é que eu tô firme e forte no desafio. Tudo bem, até atraso um pouquinho. Porém, ainda não dormi; então ainda é dia 18. rs

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

#DesafioDia17

Primeiro dia do meu Desafio dos Sete Dias, e que já começou difícil, viu? De chuva forte pela tarde a um convite pra tomar todas, hahaha. Além do detalhe de eu ter dormido de manhã, despertado às nove, dormido depois do almoço e cochilado no começo da noite. É, resistir é foda, mas vâmo até o fim...

O poema de hoje foi A Mesa de João Cabral de Melo Neto, que é de uma simplicidade incrível. Li pela manhã, tomando café e comendo pão fresco. Não tinha momento melhor.

Na parte da música, trombei Desde Sempre do coletivo PrimeiraMente. É Rap do bom. Não os conhecia, mas virei fã. A música fala da vida, provavelmente dos próprios mc's. De como é, desde sempre, o cotidiano do jovem sem muito poder aquisitivo. E de como é difícil fazer história em um país que ninguém lê! Me identifiquei.


Já o filme, foi um pequeno documentário a respeito do samba de São Paulo. Falando de Adoniram, Geraldo Filme e Paulo Vanzolini; o curta reproduz depoimentos de pessoas ligadas ao samba feito na terra da garoa. Boas entrevistas, bem feito; mas nada que eu já não tenha ouvido por aí. Pra quem quiser ver, no Youtube está como Samba de São Paulo Documentário 2007.

O texto feito é sobre os rolezinhos de ultimamente, e as opiniões que circulam sobre o assunto. Dei a minha, mas tá inacabado ainda, e só vou postar mais pra frente.

A parada da foto do dia não vai rolar porque roubaram meu adaptador do cartão de memória. Então vou substituir por algo que eu irei ler durante os dias do desafio. Hoje, por exemplo, separando os papeis que vão pro lixo, li num anexo lá da época que minha irmã fazia cursinho um texto que conta sobre a história do fundamentalismo islâmico e os padrões ocidentais de governo nas regiões de maioria islâmica. Assunto complicado... Não vejo como dar certo uma religião ditar, de maneira tão forte assim, um governo. Muito menos apoio a forma como os países do Ocidente interferem na política dos países islâmicos que possuem conflitos, tentando padronizá-los.

Lavei a louça, botei tudo pra dentro na hora da chuva e varri a sala.

Agora a parte do sorriso do dia, fica em off... rs

Por enquanto, missão cumprida. Agora vou dormir porque pelas minhas contas eu tenho menos de seis horas de sono!




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Desafio dos (meus) Sete Dias

Acostumando com o novo ano ao mesmo tempo que desfaço de coisas do ano velho, eu notei que estava dormindo muito nestas "férias". Isso não é novidade, e nunca foi. Agora que voltou a internet aqui e que eu FINALMENTE terminei de arrumar meu quarto (e meu computador), essa rotina começou a se concretizar. No sentido de tornar-se algo cinza, sem brilho, que nem concreto. E com o quarto incompleto (faltam móveis, pintura, cortina, lâmpada, meus quadros...) achei que faltava alguma coisa além-material. Talvez fosse eu...

Hoje, sem querer, vi um tal de desafio das doze semanas. Estava no blog de uma menina. O propósito era  fazer uma coisa diferente, fora de sua rotina. Em cada uma das doze semanas do desafio tinham coisas do tipo: "comer uma fruta por dia", "fazer um desenho por dia" ou "assistir uma temporada inteira". Me interessei. Mas como quero viajar semana que vem e, na outra também e, depois começam aulas - e eu nem sei onde vou estudar - e depois já vem o carnaval; logo vi que eu não conseguiria fazer nada disso. 

Porém, como toda ideia boa deve ser aproveitada, tomei a liberdade de criar um desafio próprio em cima daquele. E já que tenho sete dias até viajar, por que não inventar um desafio dos sete dias? 

Está feito. Começo na Sexta-17, pra terminar na Quinta-23. Sete dias de desafio.
- Mas fazendo o quê? 
Boa pergunta! Propus-me a 7 desafios diários, juntamente com mais 5 (úteis, rs) desafios-bônus do tipo "não fazer tal coisa" durante os sete longos dias. Peguei alguns daquele desafio que vi no blog da moça. Outros, eu tirei da cabeça. Vamos lá pra ver no que dá.

#Desafio_1
Ler um poema por dia. E ler mesmo, refletir, analisar, reler...

#Desafio_2
Ouvir uma música. NOVA. E nova no sentido de eu nunca antes, na história deste país, ter escutado ela.

#Desafio_3
Assistir a um filme por dia. No mesmo naipe do poema e da música; refletindo e sem nunca ter visto antes.

#Desafio_4
Redigir um texto por dia. Escrever paralelamente. Seja lá um samba novo, um rap, uma poesia, uma historinha, uma crônica de verdade (rs) . Redigir, mas sem compromisso.

#Desafio_5
Tirar uma foto por dia. Se possível do momento mais bonito. Se não, de algo diferente que simbolize o dia.

#Desafio_6
Ajudar minha mãe ao menos uma vez por dia. Fazer uma tarefa pra ela, um serviço de casa, sei lá. Ajudá-la a diminuir o tempo ocupada.

#Desafio_7
Fazer alguém sorrir. Valer o dia não só pra mim. Com uma piadinha boba, sei lá. 

#DesafioBonus_1
Exercitar-me. Correr, jogar bola, basquete, fazer umas flexões, fazer abdominais, fazer sexo, o que for... Não pode é ficar parado nenhum dia.

#DesafioBonus_2
Acordar cedo. Despertador tocando as 9h para eu aproveitar o dia. Sem essa de "só mais cinco minutinhos".

#DesafioBonus_3
Não beber. Nem cerveja, nem cachaça, nem vinho. É para que eu não diga futuramente, como desculpa de não cumprir o desafio, que estava sob algum efeito alucinógeno.

#DesafioBonus_4
Não ligar a televisão do quarto. Nem ler revistinha conservadora. Para não correr risco de alienação.

#DesafioBonus_5
Meia hora. No máximo, meia hora. Meia hora no face. Meia hora no Twitter. Meia hora no Whats. Meia hora no telefone. Meia hora no Instagram. Meiahorizar tudo!

Será que eu sou capaz? 
Estarei aqui, todo final do dia, pra contar como foi a experiência. Relatar o que fiz, vi, li, ouvi, assisti, escrevi de inédito. Virou a meia-noite, vamos lá. Valendo!

E nada de descansar no último dia, viu? rs