Cola cum Fróis

Escrevo pela necessidade de me livrar das palavras | @_dudufrois

domingo, 17 de março de 2013

Meu Balanço do Carnaval 2013

Passado um mês dos desfiles de carnaval de sampa, venho só agora fazer meu balanço. Sim, é falta de tempo. Mas a gente sempre dá um jeitinho aqui. Então vamo lá...

Carnaval esse que criou certa expectativa, mas que o público em geral dava-o como previsível, e com resultado (antes mesmo dos desfiles) semelhante ao dos últimos anos.

As escolas desfilaram. E muito bem. TODAS passaram legal. Do especial ao acesso. Um nível de longe, superior ao do ano passado. Acho que enredos e sambas variaram entre bons e ruins. Já as escolas, individualmente, conseguiram elevar um nível entre a mescla de empolgação e brilho. Claro que o saldo é positivo!


Irreverente abre-alas da Acadêmicos do Tucuruvi

Destaques:
O grande destaque pra mim, em termos de desfile completo, foi a Tucuruvi. O Zaca ganhou minha simpatia com esse tema, e veio muito bonita. Simples, alegre, animada. Um desfilaço, com tudo que precisava. Dragões da Real surpreendeu-me no primeiro dia. O samba deu certo, e a escola estava muito quente. Daniel Collête contribuiu bastante pra isso. E o terceiro maior destaque do ano pra mim, fica com a Águia de Ouro, que tinha o melhor samba, e uma das mais bem executadas batucadas da cidade. O desfile foi excelente. O enredo deu certo. O horário de desfile só ajudou. A comunidade passou leve, e muito pra cima. Vale incluir também a correta apresentação da Terceiro Milênio, no Grupo de Acesso, que desfilou como "gente grande".

Pela televisão vi certa parte do carnaval de Vitória e do Rio. Boa Vista e Vila Isabel foram meus destaques. Dois sambas que merecem ser ouvidos ao longo do ano.

Foi sim um carnaval de vários erros, mas de um acerto no geral. Acerto na qualidade, na alegria que o samba carrega. Sendo agora um pouco mais técnico, digo que o melhor visual do carnaval foi da Rosas de Ouro. Por sua vez, em termos de dança, acredito que ninguém tenha superado Mocidade Alegre. E por fim, no canto, Águia de Ouro brilhou mais do que as outras. Coincidência ou não, eis aí o nome das três primeiras colocadas do carnaval.

Parabéns ao título da Mocidade Alegre. Belo desfile.

Sobre o julgamento, digo que não sou à favor das notas decimais. Tira-se muito da pontuação técnica, e esvazia por consequência o julgamento do jurado. Se quiser discutir melhor o assunto, chama nos coments. Neste post, só apontei que não concordo com a forma julgada. E essa forma acarretou notas muito altas este ano. A apuração toda praticamente variou de 9,7 à 10. No mínimo para ser revisto, não? Fora os descartes, que também não os acho necessário.



Encerramento do desfile da Águia de Ouro


Mas o ponto principal que eu queria dizer aqui, foi a forma como julgaram os quesitos, principalmente samba-enredo. Uma chuva de 10. Nos outros quesitos eu até entendo alguns 10, o jurado pode não ter visto o que eu vi, a escola compensou ao longo da apresentação, e blá-blá-blá... Mas em samba, não concordo mesmo. Olhem essas obras! Algumas de muitíssimo bom gosto, outras nem tanto. E isso deveria sim fazer a diferença. Um samba bom não pode se equiparar, em momento algum, a um samba ruim. Se não acaba o diferencial de determinada escola que tenha uma forte ala de compositores. Samba-enredo deveria ser julgado como obra, não como música adequada ou não ao tema do desfile. Já até saíram as justificativas, mas eu não as li por completo. E se eu fosse ler, não iria tirar minha dúvida sobre o porquê de praticamente todas as escolas levarem o 10, uma vez que as notas máximas não precisam de justificativa.

O resultado geral, foi pra alguns surpreendente. Pra outros justíssimo. Eu, não concordei com a ordem; assim como não concordei ano passado, e não concordei ano retrasado, e não vou concordar em 2014. É ponto de vista. Eu assisti de um lugar, vi um carnaval. O jurado, da cabine viu outro. De outra arquibancada, o ponto de vista também foi diferente do meu e do jurado. Agora quem assistiu da televisão, e quer dar opinião técnica nisso e naquilo... tsc,tsc


Os Esfarrapados fazendo (bastante) barulho, rs

O que importa é que carnaval é festa rapazeada. Mesmo que quando você deite pra descansar, depois de uma madrugada de pé, um bloco de carnaval te "convide" pra foliar na rua... hahaha. Alegria!
Ano que vem, nóiz tamo aê, bebendo de novo. Ouvindo mais samba. Virando madrugada. Tomando chuva... Aaaaaaah, este ano foi meu primeiro desfile, pelo meu Camisa Verde. E é fantástico. Recomendo aí pra quem tiver curiosidade. E sim, ano que vem estou lá novamente.
Na arquibancada, na avenida, na rua, ou jogado na calçada.
Independente de colocação da escola do coração, o importante é se divertir com certa responsabilidade... E fazer, com toda a certeza, que o seu próprio carnaval seja melhor do que o do ano passado. Todos os anos.

domingo, 10 de março de 2013

Não entendo novelas...

Eu, definitivamente não entendo as novelas. Não falo do contexto, da história propriamente. E sim de tudo que ela engloba. Não vou nem discutir alienação. Particularmente, eu não gosto de novela. Não costumo assistir. Mas por ter uma mãe que não perde um capítulo de nenhuma das três, acabo acompanhando "sem querer". E é justamente por essa audiência à contra gosto, que acabo percebendo o quanto esse meio de entretenimento é vazio.

Ontem, assisti "por cima" o último capítulo de Lado a Lado. Não acompanhei a novela também. Mas sempre via algumas cenas "de relance". O que me atraía na novela, era ouvir daqui do quarto aquela trilha sonora de muito bom gosto. De Martinho da Vila, Noel Rosa, até um belíssimo samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, que simplesmente era a abertura da novela. Fui aos poucos prestando atenção no contexto histórico da trama. Tratava-se de uma época interessante da história brasileira (logo após a abolição da escravatura/proclamação da república), e que não costuma ser muito citada. Deram um jeitinho de juntar vários acontecimentos relevantes da época, aliando-os ao personagem principal, interpretado por Lázaro Ramos.


Parte do elenco

Além de bom enredo, trilha sonora, contexto histórico e um bom elenco; eu vi uma linha cenário/figurino muito bem realizada. Era sem dúvidas uma novela diferente! E não foi só eu que achei isso não. Ouvi, e li críticas à favor da trama. Sempre elogios feitos como se fossem sobre um bom filme. Porém isso não pareceu ser o bastante. Vi sempre também, a imprensa em cima, dizendo que não rendia audiência, que não estava dava ibope. E realmente, em termos de público, foi uma das piores novelas da Globo nos últimos anos. Aí que eu fiquei sem entender porra nenhuma. Quando a obra é relativamente boa, bem feita; não há retorno dos telespectadores. Mas quando botam uma Carminha qualquer, fazendo maldades feito uma bruxa de contos de fada, a audiência bate recordes!

Talvez o público de novelas não seja lá muito interessado em história. Ainda mais história do Brasil. Talvez a audiência toda foi pro Datena, já que a "realidade" sensacionalista rende ibope. Ou então essa Malhação deve estar tão chata, que no horário a tevê desligada não seria má ideia.



Casal protagonista 

Como toda novela, o final é sempre "o mesmo". Casamento, morte, sorrisos e lágrimas! Não necessariamente nesta ordem. O que fica da trama, apesar dos pesares, é a mensagem de liberdade. Que muita coisa mudou nestes últimos 100 anos. Mas ainda há muito ainda por ser mudado. E brilhantemente, colocaram o samba-enredo de 1989 da Imperatriz para sintetizar esse assunto. O samba diz por si só. É completo, e acredito eu que é ainda mais famoso do que o hino da Proclamação da República. Só faltou sair do casamento lá, a bateria Swing da Leopoldina e geral cair no samba... Pensando bem, acho que daria briga pra ver quem ia puxar o microfone principal. rs

Enfim, não entendo novelas.

Ahhhhhh, e pra quem não ouviu o sambão da Imperatriz, ou quer ouvir novamente. Clicaí: